Todas as cascas contaminam-se, contaminam e se unem. Rabi Yehudá diz: há três cascas na cebola. A interna, seja inteira seja perfurada, une-se. A do meio, inteira une-se, e perfurada não se une. E a externa, de um modo ou de outro, é pura.
Ao contrário dos caroços (mishná anterior), que nunca se unem, as cascas em geral são consideradas plena proteção do alimento: contaminam-se junto com ele, contaminam quem as toca e, além disso, unem-se a ele para completar a medida mínima de impureza — como as cascas de nozes, amêndoas, romãs e ovos. Rabi Yehudá refina essa regra geral no caso específico da cebola, que possui três camadas distintas de casca, cada uma com um grau diferente de proteção.
A casca interna, colada diretamente à polpa, protege o bulbo mesmo perfurada, pois ainda impede a perda de umidade em quase toda a sua extensão — por isso une-se tanto inteira quanto com furos. A casca do meio só protege enquanto está inteira; uma vez perfurada, deixa de cumprir sua função e não mais se une. Já a casca mais externa — a fina película seca que se solta sozinha ao manusear a cebola — nunca protege nada, esteja inteira ou perfurada, e por isso é sempre pura, incapaz de contaminar-se ou de se unir ao bulbo. A halachá não segue Rabi Yehudá nesta distinção entre as três cascas.
Já se sabe que as cascas são, todas elas, protetoras do alimento, e por isso se unem. “Kedurá” significa cortada (chatuchá), pois, uma vez cortada, deixa de proteger o que está dentro dela.
A casca externa da cebola é extremamente fina — não há nada mais fino do que ela — semelhante a uma película, e é a que cai quando se manuseia a cebola; é a mesma que os médicos colocam sobre feridas abertas para extrair delas o líquido com força. E não é halachá como Rabi Yehudá.
“Todas as cascas”: como as cascas de nozes, amêndoas, romãs e ovos — são consideradas protetoras do alimento e unem-se a ele para completá-lo à medida exigida para receber impureza. Porém, a casca úmida superior que cobre as nozes no momento da colheita não se une, pois não é considerada protetora — não há protetor sobre protetor.
“Kedurá”: perfurada. Do mesmo sentido de “fazem buracos nos montes”, como ensinamos em Eruvin. E a casca perfurada não se une, pois não protege quando está furada e cortada.
“E a externa”: é a casca fina que cai sozinha quando se manuseia a cebola. E não é halachá como Rabi Yehudá.