Seder Tehorot · Massechet Tevul Yom · Perek Dálet · Mishná 7 de 7 — última do capítulo e do tratado

Aquele que separa a teruma do poço sob condição — encerramento de Massechet Tevul Yom

הַתּוֹרֵם אֶת הַבּוֹר וְאָמַר, הֲרֵי זוֹ תְרוּמָה עַל מְנָת שֶׁתַּעֲלֶה שָׁלוֹם, שָׁלוֹם מִן הַשֶּׁבֶר וּמִן הַשְּׁפִיכָה, אֲבָל לֹא מִן הַטֻּמְאָה. רַבִּי שִׁמְעוֹן אוֹמֵר, אַף מִן הַטֻּמְאָה. נִשְׁבְּרָה, אֵינָהּ מְדַמַּעַת. עַד הֵיכָן תִּשָּׁבֵר וְלֹא תְדַמֵּעַ. כְּדֵי שֶׁתִּתְגַּלְגֵּל וְתַגִּיעַ לַבּוֹר. רַבִּי יוֹסֵי אוֹמֵר, אַף מִי שֶׁהָיָה בוֹ דַעַת לְהַתְנוֹת וְלֹא הִתְנָה, נִשְׁבְּרָה, אֵינָהּ מְדַמַּעַת, מִפְּנֵי שֶׁהוּא תְנַאי בֵּית דִּין:
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Mishná final do tratado: aquele que separa a teruma do poço sob a condição de que suba em segurança — quanto à quebra e ao derramamento, mas não quanto à impureza — e os limites da regra em caso de quebra

Aquele que separa a teruma do poço (de vinho ou de azeite) e disse “eis que isto é teruma, com a condição de que suba em segurança”: segurança quanto à quebra e quanto ao derramamento, mas não quanto à impureza. Rabi Shimon diz: também quanto à impureza. Se (o jarro) se quebrou, não se torna medumá. Até onde pode se quebrar sem se tornar medumá? Até o ponto em que, rolando, ainda alcançaria o poço. Rabi Yossi diz: também aquele que tinha em mente estabelecer a condição e não a estabeleceu — se (o jarro) se quebrou, não se torna medumá, porque é uma condição do próprio tribunal (beit din).

A última mishná do tratado deixa de vez o tema do tevul yom e trata de um caso comum na colheita de vinho ou azeite: alguém desce um jarro a um poço (bor) para dele retirar a teruma devida ao sacerdote, e, temendo os riscos do trajeto de volta, declara a condição “que suba em segurança” (shalom). A mishná esclarece que essa condição genérica, sem maior especificação, refere-se por padrão aos dois riscos mais óbvios e temidos no momento de erguer o jarro — a quebra do próprio jarro e o derramamento do líquido —, mas não à impureza: se o conteúdo se tornar impuro no caminho, a designação de teruma permanece válida mesmo assim.

Rabi Shimon discorda e entende que “segurança” inclui também a pureza: quando alguém diz “que suba em segurança”, está dizendo, para ele, “que suba em pureza”. A halachá, porém, não segue Rabi Shimon.

Se o jarro efetivamente se quebra a caminho, a mishná ensina que o restante do vinho ou azeite no poço não se torna medumá — isto é, misturado à teruma perdida a ponto de exigir que se calcule e retire uma porção equivalente do todo — pois a designação de teruma nunca chegou a tomar efeito sobre aquele conteúdo específico que se perdeu. A mishná então precisa a distância exata: o jarro deixa de ser considerado “subido em segurança” (e portanto sua quebra não gera medumá) enquanto ainda estiver próximo o bastante do poço para que, rolando, pudesse voltar a cair nele — ou seja, enquanto ainda estiver, tecnicamente, dentro do limite do poço.

Rabi Yossi acrescenta um caso extremo: mesmo que a pessoa tivesse a intenção de estabelecer a condição “que suba em segurança”, mas por esquecimento não chegou a pronunciá-la, e o jarro se quebrou, o resultado é o mesmo — não se torna medumá —, pois essa condição não depende, no fundo, da vontade individual de quem separa a teruma: é uma condição já estabelecida pelo próprio tribunal (beit din) desde o início, presumida em toda separação de teruma de um poço, tenha ela sido pronunciada em voz alta ou não. Também aqui a halachá não segue Rabi Yossi.

הַתּוֹרֵם אֶת הַבּוֹר וְאָמַר, הֲרֵי זוֹ תְרוּמָה עַל מְנָת שֶׁתַּעֲלֶה שָׁלוֹם, שָׁלוֹם מִן הַשֶּׁבֶר וּמִן הַשְּׁפִיכָה, אֲבָל לֹא מִן הַטֻּמְאָה. רַבִּי שִׁמְעוֹן אוֹמֵר, אַף מִן הַטֻּמְאָה. נִשְׁבְּרָה, אֵינָהּ מְדַמַּעַת. עַד הֵיכָן תִּשָּׁבֵר וְלֹא תְדַמֵּעַ. כְּדֵי שֶׁתִּתְגַּלְגֵּל וְתַגִּיעַ לַבּוֹר. רַבִּי יוֹסֵי אוֹמֵר, אַף מִי שֶׁהָיָה בוֹ דַעַת לְהַתְנוֹת וְלֹא הִתְנָה, נִשְׁבְּרָה, אֵינָהּ מְדַמַּעַת, מִפְּנֵי שֶׁהוּא תְנַאי בֵּית דִּין:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Tevul Yom 4:7

“Até onde pode se quebrar sem se tornar medumá”: explicação — até que distância se deixa (o jarro) longe do poço de vinho, de modo que se cumpra a condição e ela seja teruma; de modo que, se estivesse mais próxima do que aquele ponto e se quebrasse, não se torna medumá, pois sua subida a partir do poço não se completou inteiramente como fora condicionado.

E disse: quando ela estava próxima do poço, de tal modo que, se rolasse, alcançaria o poço no qual está o vinho ou o azeite, ela ainda está, até agora, dentro do limite do poço, e ainda não subiu nem se tornou teruma; por isso não se torna medumá. E a halachá não segue nem Rabi Shimon nem Rabi Yossi.

Bartenura · Tevul Yom 4:7

“Aquele que separa a teruma do poço”: de vinho ou de azeite.

“Com a condição de que suba em segurança”: quando estabeleceu a condição de “segurança” de modo genérico, sem especificar em relação a quê, entende-se, por padrão, que se refere à quebra e ao derramamento — pois é disso que a pessoa teme no momento em que ergue (o jarro) do poço.

“Mas não quanto à impureza”: por isso, se ficou impuro, sua teruma continua sendo teruma. “Também quanto à impureza”: pois, quando disse que subisse em segurança, quis dizer que subisse em pureza. E a halachá não segue Rabi Shimon.

“Se se quebrou, não se torna medumá”: pois o nome de teruma não recaiu sobre ela. “Até o ponto em que rolaria”: enquanto não se afastou tanto do poço que, se rolasse, voltaria ao poço, dizemos a respeito dela que não subiu em segurança.

“Que tinha em mente estabelecer a condição”: isto é, que tinha em sua mente e pensou em seu coração estabelecer a condição, mas esqueceu e não a estabeleceu. E a halachá não segue Rabi Yossi.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Tevul Yom não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido em todas as mishnayot deste tratado.
הֲדַרָן עֲלָךְ מַסֶּכֶת טְבוּל יוֹם

Com esta sétima mishná, encerra-se não apenas o Perek Dálet, mas toda a Massechet Tevul Yom — o décimo tratado de Seder Tehorot, com seus 4 perakim e suas 26 mishnayot.

O tratado percorreu, do início ao fim, o status intermediário do tevul yom — aquele que já se imergiu de sua impureza, mas ainda aguarda o pôr do sol para alcançar a pureza completa, e que por isso já não contamina o chulin, mas ainda desqualifica a teruma que toca. O Perek Alef abriu com a controvérsia entre Bet Shamai e Bet Hilel sobre quando bolos de massa, pães ou espumas colados uns aos outros formam conexão (chibur) para o tevul yom (1:1); tratou dos casos em que as duas escolas não discordam (1:2); dos pequenos apêndices do pão considerados parte dele (1:3); dos objetos estranhos que não se conectam a ele (1:4); e fechou com a fronteira entre grãos e raízes considerados alimento humano e os que não o são (1:5).

O Perek Bet abriu com o status do líquido que sai do próprio corpo do tevul yom (2:1); tratou da panela cheia de líquidos tocada por um tevul yom (2:2); do guisado de terumá com alho e azeite de chulin (2:3); do guisado comum com azeite de terumá por cima (2:4); da carne consagrada sob crosta coagulada e das leguminosas sobre fatias de pão (2:5); da jarra de vinho de terumá afundada no reservatório de vinho comum (2:6); da jarra perfurada e do jato ao despejar de um vaso para outro (2:7); e fechou com a bolha oca na parede de cerâmica da jarra (2:8).

O Perek Guimel abriu com as alças dos alimentos como conexão para o tevul yom (3:1); tratou da verdura de terumá coberta por um ovo batido (3:2); do fio de ovo coagulado na parede da panela (3:3); da massa medumá ou fermentada com fermento de terumá, e da disputa sobre a massa amassada com suco de frutas (3:4); da verdura comum cozida em azeite de terumá (3:5); e fechou com a saliva de quem mastiga um alimento, e a fronteira entre o líquido desejado e o indesejado (3:6).

E, por fim, este Perek Dálet, que abriu com o alimento de maasser tocado pelo tevul yom, tornando-se terceiro grau, puro para o chulin (4:1); com a mulher tevulat yom que amassa a massa e separa a chalá (4:2); com a mesma lei aplicada a uma gamela tevula yom (4:3); com o jarro tevul yom cheio de maasser tevel, designado teruma do maasser a partir do anoitecer (4:4); com o resgate do maasser sheni sobre os frutos e o dinheiro do am-haaretz, e o get escrito a caminho da execução, do embarque ou da caravana (4:5); com os mastros de Ashkelon e as ferramentas de madeira com um dente de metal, e a confissão de Rabi Yehoshua (4:6); e, por fim, esta última mishná, sobre aquele que separa a teruma do poço sob a condição de que suba em segurança (4:7).

Como os demais tratados de Seder Tehorot com exceção de Massechet Nidá, Massechet Tevul Yom não possui Guemará no Talmud Bavli: é um tratado de mishnayot puras, do início ao fim, sem o debate amoraico que caracteriza a maioria dos demais tratados — e assim permaneceu, com Rambam e Bartenura acompanhando cada mishná, do Perek Alef ao Perek Dálet.

Massechet Tevul Yom é assim o décimo tratado completo de Seder Tehorot neste site. O estudo da Mishná prossegue agora para os dois tratados finais da Ordem — Massechet Yadayim e Massechet Uktzin — nenhum deles com Guemará própria no Talmud Bavli, completando assim os doze tratados de Seder Tehorot.