Aquele que separa a teruma do poço (de vinho ou de azeite) e disse “eis que isto é teruma, com a condição de que suba em segurança”: segurança quanto à quebra e quanto ao derramamento, mas não quanto à impureza. Rabi Shimon diz: também quanto à impureza. Se (o jarro) se quebrou, não se torna medumá. Até onde pode se quebrar sem se tornar medumá? Até o ponto em que, rolando, ainda alcançaria o poço. Rabi Yossi diz: também aquele que tinha em mente estabelecer a condição e não a estabeleceu — se (o jarro) se quebrou, não se torna medumá, porque é uma condição do próprio tribunal (beit din).
A última mishná do tratado deixa de vez o tema do tevul yom e trata de um caso comum na colheita de vinho ou azeite: alguém desce um jarro a um poço (bor) para dele retirar a teruma devida ao sacerdote, e, temendo os riscos do trajeto de volta, declara a condição “que suba em segurança” (shalom). A mishná esclarece que essa condição genérica, sem maior especificação, refere-se por padrão aos dois riscos mais óbvios e temidos no momento de erguer o jarro — a quebra do próprio jarro e o derramamento do líquido —, mas não à impureza: se o conteúdo se tornar impuro no caminho, a designação de teruma permanece válida mesmo assim.
Rabi Shimon discorda e entende que “segurança” inclui também a pureza: quando alguém diz “que suba em segurança”, está dizendo, para ele, “que suba em pureza”. A halachá, porém, não segue Rabi Shimon.
Se o jarro efetivamente se quebra a caminho, a mishná ensina que o restante do vinho ou azeite no poço não se torna medumá — isto é, misturado à teruma perdida a ponto de exigir que se calcule e retire uma porção equivalente do todo — pois a designação de teruma nunca chegou a tomar efeito sobre aquele conteúdo específico que se perdeu. A mishná então precisa a distância exata: o jarro deixa de ser considerado “subido em segurança” (e portanto sua quebra não gera medumá) enquanto ainda estiver próximo o bastante do poço para que, rolando, pudesse voltar a cair nele — ou seja, enquanto ainda estiver, tecnicamente, dentro do limite do poço.
Rabi Yossi acrescenta um caso extremo: mesmo que a pessoa tivesse a intenção de estabelecer a condição “que suba em segurança”, mas por esquecimento não chegou a pronunciá-la, e o jarro se quebrou, o resultado é o mesmo — não se torna medumá —, pois essa condição não depende, no fundo, da vontade individual de quem separa a teruma: é uma condição já estabelecida pelo próprio tribunal (beit din) desde o início, presumida em toda separação de teruma de um poço, tenha ela sido pronunciada em voz alta ou não. Também aqui a halachá não segue Rabi Yossi.
“Até onde pode se quebrar sem se tornar medumá”: explicação — até que distância se deixa (o jarro) longe do poço de vinho, de modo que se cumpra a condição e ela seja teruma; de modo que, se estivesse mais próxima do que aquele ponto e se quebrasse, não se torna medumá, pois sua subida a partir do poço não se completou inteiramente como fora condicionado.
E disse: quando ela estava próxima do poço, de tal modo que, se rolasse, alcançaria o poço no qual está o vinho ou o azeite, ela ainda está, até agora, dentro do limite do poço, e ainda não subiu nem se tornou teruma; por isso não se torna medumá. E a halachá não segue nem Rabi Shimon nem Rabi Yossi.
“Aquele que separa a teruma do poço”: de vinho ou de azeite.
“Com a condição de que suba em segurança”: quando estabeleceu a condição de “segurança” de modo genérico, sem especificar em relação a quê, entende-se, por padrão, que se refere à quebra e ao derramamento — pois é disso que a pessoa teme no momento em que ergue (o jarro) do poço.
“Mas não quanto à impureza”: por isso, se ficou impuro, sua teruma continua sendo teruma. “Também quanto à impureza”: pois, quando disse que subisse em segurança, quis dizer que subisse em pureza. E a halachá não segue Rabi Shimon.
“Se se quebrou, não se torna medumá”: pois o nome de teruma não recaiu sobre ela. “Até o ponto em que rolaria”: enquanto não se afastou tanto do poço que, se rolasse, voltaria ao poço, dizemos a respeito dela que não subiu em segurança.
“Que tinha em mente estabelecer a condição”: isto é, que tinha em sua mente e pensou em seu coração estabelecer a condição, mas esqueceu e não a estabeleceu. E a halachá não segue Rabi Yossi.
Com esta sétima mishná, encerra-se não apenas o Perek Dálet, mas toda a Massechet Tevul Yom — o décimo tratado de Seder Tehorot, com seus 4 perakim e suas 26 mishnayot.
O tratado percorreu, do início ao fim, o status intermediário do tevul yom — aquele que já se imergiu de sua impureza, mas ainda aguarda o pôr do sol para alcançar a pureza completa, e que por isso já não contamina o chulin, mas ainda desqualifica a teruma que toca. O Perek Alef abriu com a controvérsia entre Bet Shamai e Bet Hilel sobre quando bolos de massa, pães ou espumas colados uns aos outros formam conexão (chibur) para o tevul yom (1:1); tratou dos casos em que as duas escolas não discordam (1:2); dos pequenos apêndices do pão considerados parte dele (1:3); dos objetos estranhos que não se conectam a ele (1:4); e fechou com a fronteira entre grãos e raízes considerados alimento humano e os que não o são (1:5).
O Perek Bet abriu com o status do líquido que sai do próprio corpo do tevul yom (2:1); tratou da panela cheia de líquidos tocada por um tevul yom (2:2); do guisado de terumá com alho e azeite de chulin (2:3); do guisado comum com azeite de terumá por cima (2:4); da carne consagrada sob crosta coagulada e das leguminosas sobre fatias de pão (2:5); da jarra de vinho de terumá afundada no reservatório de vinho comum (2:6); da jarra perfurada e do jato ao despejar de um vaso para outro (2:7); e fechou com a bolha oca na parede de cerâmica da jarra (2:8).
O Perek Guimel abriu com as alças dos alimentos como conexão para o tevul yom (3:1); tratou da verdura de terumá coberta por um ovo batido (3:2); do fio de ovo coagulado na parede da panela (3:3); da massa medumá ou fermentada com fermento de terumá, e da disputa sobre a massa amassada com suco de frutas (3:4); da verdura comum cozida em azeite de terumá (3:5); e fechou com a saliva de quem mastiga um alimento, e a fronteira entre o líquido desejado e o indesejado (3:6).
E, por fim, este Perek Dálet, que abriu com o alimento de maasser tocado pelo tevul yom, tornando-se terceiro grau, puro para o chulin (4:1); com a mulher tevulat yom que amassa a massa e separa a chalá (4:2); com a mesma lei aplicada a uma gamela tevula yom (4:3); com o jarro tevul yom cheio de maasser tevel, designado teruma do maasser a partir do anoitecer (4:4); com o resgate do maasser sheni sobre os frutos e o dinheiro do am-haaretz, e o get escrito a caminho da execução, do embarque ou da caravana (4:5); com os mastros de Ashkelon e as ferramentas de madeira com um dente de metal, e a confissão de Rabi Yehoshua (4:6); e, por fim, esta última mishná, sobre aquele que separa a teruma do poço sob a condição de que suba em segurança (4:7).
Como os demais tratados de Seder Tehorot com exceção de Massechet Nidá, Massechet Tevul Yom não possui Guemará no Talmud Bavli: é um tratado de mishnayot puras, do início ao fim, sem o debate amoraico que caracteriza a maioria dos demais tratados — e assim permaneceu, com Rambam e Bartenura acompanhando cada mishná, do Perek Alef ao Perek Dálet.
Massechet Tevul Yom é assim o décimo tratado completo de Seder Tehorot neste site. O estudo da Mishná prossegue agora para os dois tratados finais da Ordem — Massechet Yadayim e Massechet Uktzin — nenhum deles com Guemará própria no Talmud Bavli, completando assim os doze tratados de Seder Tehorot.