Seder Tehorot · Massechet Tevul Yom · Perek Dálet · Mishná 2 de 7

A mulher tevulat yom que amassa a massa e separa a chalá

הָאִשָּׁה שֶׁהִיא טְבוּלַת יוֹם, לָשָׁה אֶת הָעִסָּה, וְקוֹצָה לָהּ חַלָּה וּמַפְרַשְׁתָּהּ, וּמַנַּחְתָּהּ בִּכְפִישָׁה מִצְרִית אוֹ בִנְחוּתָא, וּמַקֶּפֶת וְקוֹרָא לָהּ שֵׁם, מִפְּנֵי שֶׁהִיא שְׁלִישִׁי, וְהַשְּׁלִישִׁי טָהוֹר לְחֻלִּין:
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A mulher tevulat yom amassa a massa e separa a chalá, mas a coloca num utensílio imune à impureza e só a nomeia depois de aproximá-lo — pois a massa é terceiro grau, puro para o chulin

A mulher que é tevulat yom amassa a massa, corta dela a chalá e a separa, e a coloca numa cesta egípcia (kefisha) ou numa tábua (nechutá), e aproxima (o utensílio) e a chama pelo nome, porque ela é terceiro grau, e o terceiro grau é puro para o chulin.

Esta mishná aplica à prática cotidiana o princípio já estabelecido na anterior: uma mulher tevulat yom pode normalmente amassar a massa de pão, pois seu toque, sendo de segundo grau, apenas tornaria a massa de terceiro grau — e o terceiro grau é puro para o chulin. Mas, ao chegar o momento de separar a chalá (a porção devida ao sacerdote), é preciso cuidado adicional: enquanto ela ainda segura a porção cortada e a chama pelo nome de chalá, aquele toque a desqualificaria, pois a chalá tem o status de teruma, e mesmo o segundo grau desqualifica a teruma.

Por isso, ela primeiro corta a porção sem lhe dar nome, coloca-a num recipiente que, por sua natureza, não recebe impureza (uma cesta ou tábua simples), aproxima esse recipiente de si — cumprindo o requisito de separar a partir do que está próximo (mukaf) —, e só então a chama pelo nome de chalá. Nesse momento, a chalá já não está em contato direto com sua mão, e sua condição fica selada como terceiro grau (por ter sido tocada, antes, ainda como massa comum) — terceiro grau que é puro para efeitos do chulin, mas que ela deve evitar tocar novamente depois de nomeada.

הָאִשָּׁה שֶׁהִיא טְבוּלַת יוֹם, לָשָׁה אֶת הָעִסָּה, וְקוֹצָה לָהּ חַלָּה וּמַפְרַשְׁתָּהּ, וּמַנַּחְתָּהּ בִּכְפִישָׁה מִצְרִית אוֹ בִנְחוּתָא, וּמַקֶּפֶת וְקוֹרָא לָהּ שֵׁם, מִפְּנֵי שֶׁהִיא שְׁלִישִׁי, וְהַשְּׁלִישִׁי טָהוֹר לְחֻלִּין:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Tevul Yom 4:2

Já explicamos em Tehorot que a chalá é como a teruma quanto à impureza. E se ela cortasse (a porção) da massa e dissesse “esta é chalá” enquanto ainda a segura, ela ficaria desqualificada, porque é tevulat yom.

Por isso, ela a coloca numa kefisha — que é um utensílio de pedra — ou numa nechutá, que é um utensílio dentre os utensílios usados para a massa, e coloca o utensílio junto com a massa num único recipiente — e este é o sentido de “aproxima” (mekefet) — e só então diz “esta é chalá”, para que esteja separando-a a partir do que está próximo (mukaf), como já explicamos várias vezes que assim é o correto; e não deve tocá-la com a mão depois de tê-la nomeado.

Bartenura · Tevul Yom 4:2

“E corta dela a chalá”: mas ainda não a chama pelo nome — pois enquanto não a chamou pelo nome, ela é como chulin.

“Numa kefisha ou numa nechutá”: utensílios que não recebem impureza. E os sábios exigiram isso como sinal (héker), para que ela não volte a tocá-la depois de já a ter chamado pelo nome.

“E aproxima”: traz o recipiente para perto de si.

“E chama-a pelo nome”: pois é mitzvá separar (a teruma) a partir do que está próximo (mukaf) — e “mukaf” é expressão de proximidade, como em “não se aproximam dois barris”, em Massechet Beitzá; e não se considera mukaf a não ser que esteja próximo no momento de chamar pelo nome.

“Porque ela é terceiro grau”: pois o tevul yom tem a condição de segundo grau.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Tevul Yom não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido em todas as mishnayot deste tratado.