Dois pães, um impuro e um puro; alguém comeu um deles e preparou alimentos puros; e veio seu companheiro e comeu o segundo e preparou alimentos puros. Rabi Yehudá diz: se cada um perguntou por si só, são ambos puros; mas se ambos perguntaram juntos, são ambos impuros. Rabi Yosei diz: de um modo ou de outro, são impuros.
Esta mishná transpõe o mesmo esquema da anterior — dois indivíduos, dois objetos duvidosos, e a mesma controvérsia entre Rabi Yehudá e Rabi Yosei — para o caso de dois pães, um deles impuro. A mishná ensina uma impureza de origem rabínica (comer alimento impuro não contamina por lei bíblica, mas os sábios decretaram impureza para quem come alimentos impuros), em contraste com a impureza de origem bíblica (do caminho, de contato) tratada na mishná anterior — mostrando que a mesma lógica de dúvida se aplica igualmente a ambos os níveis de impureza, sem distinção entre grave e leve.
Já precedeu para ti, no capítulo anterior a este, que a dúvida quanto às palavras dos escribas (divrei soferim) é pura, e que se alguém tiver dúvida se comeu alimentos impuros ou não, ele é puro. E a controvérsia entre eles, aqui também, ocorre quando vem perguntar sobre si e sobre seu companheiro, como já explicamos anteriormente. E saiba que não há diferença entre impureza grave e impureza leve nestas dúvidas. E a halachá é como Rabi Yosei.
“Comeu um deles”: a mishná anterior ensinou uma impureza de origem bíblica, e esta ensina uma impureza de origem rabínica. E a controvérsia entre Rabi Yehudá e Rabi Yosei é, aqui também, a mesma de quando alguém vem perguntar sobre si e sobre seu companheiro, como na controvérsia anterior. E a halachá é como Rabi Yosei.