Disse-lhes: Os novos para o incenso, vinde e sorteai. Sortearam; venceu quem venceu. Novos com antigos, vinde e sorteai: quem sobe os membros da rampa ao altar. Rabi Eliezer ben Iaacov diz: aquele que sobe os membros à rampa é quem os sobe também sobre o altar.
Terminadas as bênçãos e a leitura do Shemá na Câmara de Pedras Lavradas, o encarregado convocava um terceiro sorteio, este restrito aos sacerdotes “novos” para o incenso — isto é, aqueles que jamais haviam tido o privilégio de queimá-lo. Essa restrição decorria de uma tradição segundo a qual a oferenda do incenso trazia prosperidade e sustento farto a quem a realizava, como sugere o versículo “porão incenso em teu nariz… abençoa, Eterno, os seus bens” (Devarim 33:10–11); por isso, não se permitia a um mesmo sacerdote repetir esse privilégio, para que a bênção se distribuísse entre o maior número possível. Vencido esse sorteio, o encarregado abria um quarto e último sorteio, este já aberto tanto a “novos” quanto a “antigos” — ou seja, a quem já vencera anteriormente ou não — para determinar quem subiria os membros do cordeiro, depositados na metade inferior da rampa, até o topo do altar. A esse respeito, Rabi Eliezer ben Iaacov discorda da leitura simples da mishná: para ele, não havia sorteio separado para essa etapa, pois o mesmo sacerdote que levava os membros até a rampa era automaticamente aquele que os levava também para cima, sobre o altar — sem necessidade de um novo sorteio para dividir as duas tarefas. A halachá, porém, não segue sua opinião.
Rambam observa que já se explicou, no segundo capítulo de Ioma, que para o incenso não se lançava sorteio senão entre aqueles que ainda não o haviam queimado, pois todo aquele que o oferecia prosperava em seus assuntos e encontrava seu sustento com fartura; por isso a mishná diz “os novos para o incenso sorteiem”. E ali se explica que o sorteio do incenso é o terceiro sorteio do dia. Em seguida, a mishná diz “novos e também antigos, vinde e sorteai quem sobe os membros”, e este é o quarto sorteio. E a halachá não segue Rabi Eliezer ben Iaacov.
Bartenura explica que “os novos para o incenso” refere-se a quem nunca venceu o sorteio do incenso em toda a sua vida; a esse cabia vir e sortear. E não se permitia a quem já vencera uma vez repeti-lo, porque o incenso enriquece, como está escrito “porão incenso em teu nariz…, abençoa, Eterno, os seus bens” (Devarim 33); por isso não deixavam ninguém repetir esse privilégio, para que todos se enriquecessem e se abençoassem por meio dele. Sobre “novos com antigos”: como no sorteio do incenso a mishná especificara apenas “novos”, aqui diz “novos e também antigos”, ou seja, tanto quem já vencera outras vezes no sorteio quanto quem nunca vencera vinham e sorteavam juntos. Sobre “é ele quem os sobe até o altar”: e não havia, segundo Rabi Eliezer ben Iaacov, sorteio separado para essa etapa; mas a halachá não segue sua opinião.