Seder Kodashim · Massechet Tamid · Perek Guimel · Mishná 1 de 9

O segundo sorteio: os treze serviços

אָמַר לָהֶם הַמְמֻנֶּה, בֹּאוּ וְהָפִיסוּ
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Abrindo o Perek Guimel, a mishná descreve o segundo dos quatro sorteios diários do Templo: depois do primeiro sorteio, que no início do tratado designou quem remove as cinzas do altar externo, este segundo sorteio distribui entre treze sacerdotes a degolação do tamid, a aspersão de seu sangue, a limpeza das cinzas do altar interno e do candelabro, e o transporte de cada membro e acompanhamento até a rampa do altar

Disse-lhes o encarregado: Vinde e sorteai — quem degola, quem asperge, quem limpa as cinzas do altar interno, quem limpa as cinzas do candelabro, quem sobe com os membros à rampa: a cabeça e a perna; e as duas patas; a cauda e a perna; o peito e o pescoço; e os dois flancos; as entranhas; e a flor de farinha; e os bolos fritos; e o vinho. Sortearam, e venceu quem venceu.

O encarregado dos sorteios reunia os sacerdotes para o segundo pais (sorteio) do dia, que determinava treze funções distintas: quem degolaria o cordeiro do tamid, quem receberia e aspergiria seu sangue sobre o altar, quem removeria as cinzas do altar interno — dourado, destinado ao incenso — e quem removeria as cinzas do candelabro. As demais nove tarefas consistiam em carregar, cada uma por um sacerdote, uma das partes em que o animal era dividido para subir à rampa: a cabeça com uma perna traseira; as duas patas dianteiras; a cauda com a outra perna traseira; o peito com o pescoço, onde se ligam a traqueia, o fígado e o coração; os dois flancos; as entranhas; a flor de farinha da oferenda de libações que acompanhava o tamid; os bolos fritos do sumo sacerdote, oferecidos diariamente; e o vinho da libação. Lançaram-se as sortes, e cada sacerdote recebeu a função correspondente à posição obtida — o primeiro a ter sua sorte sorteada tornou-se, segundo a explicação tradicional, aquele que aspergia o sangue, o mais nobre dos treze serviços, e os demais se seguiam em ordem a partir dele.

אָמַר לָהֶם הַמְמֻנֶּה, בֹּאוּ וְהָפִיסוּ, מִי שׁוֹחֵט, מִי זוֹרֵק, מִי מְדַשֵּׁן מִזְבֵּחַ הַפְּנִימִי, מִי מְדַשֵּׁן אֶת הַמְּנוֹרָה, מִי מַעֲלֶה אֵבָרִים לַכֶּבֶשׁ, הָרֹאשׁ וְהָרֶגֶל, וּשְׁתֵּי הַיָּדַיִם, הָעֹקֶץ וְהָרֶגֶל, הֶחָזֶה וְהַגֵּרָה, וּשְׁתֵּי דְפָנוֹת, הַקְּרָבַיִם, וְהַסֹּלֶת, וְהַחֲבִתִּים, וְהַיָּיִן. הֵפִיסוּ, זָכָה מִי שֶׁזָּכָה:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Tamid 3:1

Rambam explica que já se explicou no segundo capítulo de Kipurim (Yoma) que havia quatro sorteios no primeiro Templo; um deles é o que já antecipamos, sobre quem limpa as cinzas do altar externo, e este é o segundo sorteio. Neste sorteio saíam treze sacerdotes, cada um para seu serviço, e por isso ficavam de pé em espécie de círculo, ou em uma só fileira, para que houvesse ordem entre eles, combinando que aquele cuja sorte subisse primeiro degolaria — como já mencionamos ali — e o homem próximo a ele aspergiria, sendo este o segundo sacerdote; e já se explicou no terceiro capítulo de Yoma que o “aspergidor” recebe o sangue. O terceiro remove as cinzas do altar interno, pois nele se oferece o incenso todos os dias; o quarto limpa o candelabro e retira as cinzas dos pavios; o quinto sobe com a cabeça e a perna à rampa; o sexto, com as duas patas; o sétimo sobe com a cauda; o oitavo, com o peito e o pescoço; o nono, com os dois flancos; o décimo, com as entranhas; o décimo primeiro sobe com a flor de farinha da oferenda de libações que é oferecida com o tamid, como já se explicou no início de Menachot; o décimo segundo, com os bolos fritos do sumo sacerdote; e o décimo terceiro, com o vinho da libação oferecida com o tamid. E ainda se explicará no capítulo seguinte como arrumavam esses membros em suas mãos ao subirem com eles. E ali, em Kipurim, antepôs-se o aspergidor ao degolador; e já explicamos, em Tamid, que a razão disso é que a degolação é válida por um leigo, como se explica no terceiro capítulo de Zevachim.

Bartenura · Tamid 3:1
אָמַר לָהֶם הַמְמֻנֶּה בֹּאוּ וְהָפִיסוּ. הַטִּילוּ פַיִס. הוּא הַגּוֹרָל הַמְפֹרָשׁ פֶּרֶק ב’ דְּיוֹמָא: מִי שׁוֹחֵט. אַף עַל גַּב דִּשְׁחִיטָה כְּשֵׁרָה בְּזָר, תִּקְּנוּ בָהּ פַּיִס, דִּתְחִלַּת עֲבוֹדַת הַתָּמִיד הִיא וַחֲבִיבָה לְהוּ, אִי לֹא יַטִּילוּ פַיִס אָתוּ לְאִנְּצוֹיֵי עֲלַהּ וְאָתוּ בָהּ לִידֵי סַכָּנָה: מִי זוֹרֵק. מְקַבֵּל הַדָּם הוּא הַזּוֹרֵק, וּמִשּׁוּם דְּעִקַּר הַקָּרְבָּן הַוְיָא זְרִיקָה לְהָכִי נָקַט לַהּ: מִי מְדַשֵּׁן מִזְבֵּחַ הַפְּנִימִי. וְהַמְדַשֵּׁן הוּא הַמַּקְטִיר קְטֹרֶת. וּמִשּׁוּם דְּדִשּׁוּן תְּחִלַּת עֲבוֹדָה שֶׁל קְטֹרֶת הִיא, נָקַט לַהּ. וְכֵן דִּשּׁוּן הַמְּנוֹרָה תְּחִלַּת הַהַדְלָקָה: הָעֹקֶץ. הָאַלְיָה: הֶחָזֶה. כָּל הַשֻּׁמָּן הָרוֹאֶה אֶת הַקַּרְקַע: וְהַגֵּרָה. מָקוֹם שֶׁהוּא מַעֲלֶה גֵרָה, הוּא הַצַּוָּאר, וּבוֹ מְחֻבָּרִים קְנֵה הָרֵאָה עִם הַכָּבֵד וְהַלֵּב: זָכָה מִי שֶׁזָּכָה. מִי שֶׁעָלָה לוֹ הַפַּיִס זוֹרֵק אֶת הַדָּם, וְהַסָּמוּךְ לוֹ שׁוֹחֵט:

Bartenura explica que “disse-lhes o encarregado, vinde e sorteai” significa: lançaram sortes; é o sorteio explicado no segundo capítulo de Ioma. Sobre “quem degola”: ainda que a degolação seja válida por um leigo, instituíram sorteio para ela, pois é o início do serviço do tamid e lhes é querida; se não lançassem sortes, viriam a discutir e a perigo. Sobre “quem asperge”: quem recebe o sangue é quem asperge, e como a essência da oferenda está na aspersão, por isso a menciona. Sobre “quem limpa as cinzas do altar interno”: quem limpa as cinzas é quem depois oferece o incenso; e como a limpeza é o início do serviço do incenso, a menciona; e igualmente a limpeza das cinzas do candelabro é o início do acendimento. Sobre “a cauda”: é a mesma coisa. Sobre “o peito”: toda a gordura que se volta para o chão. Sobre “e o pescoço”: o lugar onde o animal rumina, que é o pescoço, ao qual se ligam a traqueia, o fígado e o coração. Sobre “venceu quem venceu”: quem obteve o primeiro lugar no sorteio asperge o sangue, e o sacerdote próximo a ele degola — pois, embora a degolação preceda o recebimento do sangue, o serviço da aspersão é maior, já que a degolação é válida por um leigo, o que não ocorre com a aspersão; por isso o primeiro venceu na aspersão, o segundo na degolação, o terceiro na limpeza do altar interno, o quarto na limpeza do candelabro, e os demais nove, em ordem, nos membros e acompanhamentos até completar os treze sacerdotes que saem num único sorteio, como se explica no segundo capítulo de Ioma.