Passaram estes e não foram respondidos, o tribunal decreta outros três jejuns sobre a comunidade. — Se os primeiros três jejuns comunitários também não trouxeram resposta em forma de chuva, o tribunal decreta uma segunda rodada de três jejuns, desta vez de caráter mais severo que a anterior.
Comem e bebem ainda de dia, e são proibidos no trabalho, no banho, na unção, em calçar sandália e nas relações conjugais, e fecham os banhos. — Nesta segunda rodada, as restrições se intensificam significativamente: a permissão de comer termina já durante o dia, antes do anoitecer, e passam a ser proibidas todas as atividades antes permitidas — trabalho, banho, unção com óleo, calçar sandálias e relações conjugais —, além de os próprios estabelecimentos de banho serem fechados ao público para impedir que alguém venha se banhar naquele dia.
Passaram estes e não foram respondidos, o tribunal decreta sobre eles ainda sete, que são treze jejuns sobre a comunidade. — Se ainda assim a chuva não vier, o tribunal decreta uma terceira e última rodada, desta vez de sete jejuns adicionais, que somados aos seis anteriores totalizam treze jejuns comunitários.
Estes são mais que os primeiros, pois nestes tocam o alarme e fecham as lojas. — Esta última rodada de sete jejuns é ainda mais severa que as anteriores, acrescentando duas novas medidas: o toque de shofar em sinal de alarme comunitário, e o fechamento completo das lojas do mercado.
Na segunda, inclinam-se ao escurecer, e na quinta são permitidos, por causa da honra do Shabat. — Como exceção parcial dentro dessa última e mais severa rodada, no jejum de segunda-feira as lojas apenas se inclinam — entreabrem-se parcialmente — ao anoitecer, e no jejum de quinta-feira já são plenamente permitidas a abrir, em consideração à honra do Shabat que se aproxima, para que a comunidade tenha meios de se preparar adequadamente para o dia santo.
O verso da Torá que institui o toque de alarme diante de uma ameaça — a guerra — é a base halachica citada pela Guemará para o toque de shofar decretado nesta última rodada de sete jejuns. Os Sábios estenderam o princípio desse verso — que qualquer aflição sobre a comunidade, e não apenas a guerra militar, justifica um clamor público através do toque de trombetas ou shofar — para incluir a seca prolongada, que ameaça a subsistência de toda a comunidade tanto quanto um exército invasor. É esse mesmo princípio, aliás, que mais adiante no tratado será estendido a outras calamidades além da falta de chuva — pragas, doenças, ataques de animais selvagens — cada uma merecendo, em sua gravidade, o mesmo toque de alarme.
Bartenura explica por que os jejuns individuais não entram na contagem das treze taanyot, o sentido de "tocam o alarme" e o grau exato de abertura das lojas na segunda e na quinta.
"Que são treze jejuns sobre a comunidade" — pois já haviam jejuado seis vezes antes, e os três jejuns dos indivíduos, das primeiras mishnayot, não entram nessa contagem. "Tocam o alarme" — com os shofarot. "Na segunda, inclinam-se" — no dia de jejum de segunda-feira, abrem-se um pouco as portas das lojas ao anoitecer, mas não se expõe a mercadoria para fora, mantendo uma abertura apenas parcial e discreta. "E na quinta são permitidos" — a abrir plenamente durante todo o dia, para que a comunidade possa se abastecer adequadamente antes do Shabat.
Rashi, na Guemará, discute as atividades proibidas nos jejuns comunitários severos e como a comunidade conduzia o dia inteiro do jejum, do amanhecer até o meio-dia e depois.
A Guemará discute as atividades proibidas no dia de jejum comunitário: é compreensível que todas essas atividades — trabalho, banho, unção, calçar sandália e relações conjugais — sejam proibidas nesses jejuns, pois todas envolvem algum tipo de prazer ou conforto físico, incompatível com o clima de aflição e súplica próprio do jejum. E mesmo em Shabat, ensina Rashi, é possível jejuar voluntariamente por um voto pessoal de aflição, desde que isso não anule o prazer do dia de forma contrária à honra do Shabat.
"Na segunda, inclinam-se ao escurecer" — não se fecham nem se abrem completamente, já que esse dia não está ligado à honra do Shabat que se aproxima; "e na quinta são permitidos" a abrir por inteiro. E quanto à conduta geral do dia de jejum: "examinam os assuntos da cidade" — refere-se à investigação e ao exame das relações entre os moradores, verificando se há roubo ou violência entre eles, e buscando reconciliá-los — pois o jejum era também ocasião para reparar as relações comunitárias que poderiam estar na raiz espiritual da seca.