Chegou o novo mês de Kislev e não caiu chuva, o tribunal decreta três jejuns sobre a comunidade. — Se, passados os três jejuns individuais e ainda quase duas semanas depois, a chuva continuar ausente até o início do mês de Kislev, a responsabilidade deixa de ser apenas dos indivíduos: agora é o próprio tribunal quem formalmente decreta três jejuns, desta vez obrigatórios para toda a comunidade, não somente para os sábios.
Comem e bebem depois de escurecer, e são permitidos no trabalho, no banho, na unção, em calçar sandália e nas relações conjugais. — Apesar de já envolverem toda a comunidade e serem decretados formalmente pelo tribunal, esses três primeiros jejuns comunitários mantêm exatamente as mesmas permissões leves dos jejuns individuais anteriores — ainda é possível comer à noite e realizar as atividades cotidianas normais durante o dia do jejum — reservando-se as restrições mais severas para as etapas seguintes, caso a chuva continue não vindo.
O verso de Yoel, que a Guemará cita como fonte da estrutura destes jejuns públicos, descreve exatamente a progressão que a mishná formaliza: primeiro "santificai um jejum" — a etapa individual — e depois "reuni os anciãos, todos os habitantes da terra" — a mobilização de toda a comunidade em resposta à seca. A transição de responsabilidade dos indivíduos para o tribunal, marcada nesta mishná, reflete um princípio central do sistema de jejuns: quando um sinal de bênção como a chuva continua ausente apesar do esforço de um pequeno grupo, isso indica que o problema não é mais pessoal, mas comunitário, e exige a intervenção formal e coletiva de toda a congregação, liderada pelas autoridades do tribunal.
Rambam esclarece a regra geral sobre "comer desde que escurece", válida para todos os jejuns leves descritos neste perek.
Em todo lugar em que a mishná diz "comem desde que escurece", é permitido comer até o amanhecer, a menos que a pessoa tenha dormido — pois não é permitido comer ou beber depois de ter dormido, de nenhuma forma, seja qual for o jejum em questão. Rambam generaliza aqui a regra já explicada por Bartenura na mishná anterior, aplicando-a a todos os jejuns leves da escala, incluindo estes primeiros jejuns comunitários.
Rashi, comentando a mesma passagem da Guemará em que esta mishná está inserida, explica o cálculo dos dias entre as etapas de jejum.
"Mas os indivíduos, não" — os três jejuns que os indivíduos observam antes dos da comunidade não precisam necessariamente começar numa segunda-feira, pois não há risco de inflação de preços no mercado quando apenas indivíduos jejuam isoladamente — diferentemente dos jejuns comunitários, que devem começar num dia específico para evitar que os comerciantes, temendo fome geral, elevem os preços. E, prova disso, é que a mishná os conta separadamente: "três, e três, e sete" — mostrando que os três jejuns individuais desta e da mishná anterior não entram na contagem das treze taanyot que, mais adiante, serão decretadas exclusivamente sobre a comunidade.