Seder Moed · Massechet Taanit · Perek Alef · Mishná 3 de 7

No terceiro de Marcheshvan se pede a chuva

בִּשְׁלֹשָׁה בְמַרְחֶשְׁוָן שׁוֹאֲלִין אֶת הַגְּשָׁמִים
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Tendo estabelecido no princípio o pedido geral de chuva "perto da chuva", a mishná agora fixa a data exata desse pedido em Eretz Yisrael, e registra a opinião de Rabán Gamliel de adiá-la por mais alguns dias, em consideração aos peregrinos que ainda estavam voltando para casa após a Festa.

No terceiro de Marcheshvan se pede a chuva.A mishná fixa a data em que o pedido explícito por chuva começa a ser inserido na Amidá: o terceiro dia do mês de Marcheshvan, quinze dias após o fim da Festa de Sucot.

Rabán Gamliel diz: no sétimo dele, quinze dias após a Festa, para que chegue o último de Israel ao rio Eufrates.Rabán Gamliel discorda e adia o início do pedido para o sétimo de Marcheshvan, explicando o motivo: era preciso dar tempo suficiente para que mesmo os peregrinos mais distantes, que haviam subido a Jerusalém para a Festa e agora regressavam a suas casas na Babilônia, na região do rio Eufrates, completassem a longa viagem de volta antes que a chuva começasse a cair e atrapalhasse o caminho.

בִּשְׁלֹשָׁה בְמַרְחֶשְׁוָן שׁוֹאֲלִין אֶת הַגְּשָׁמִים. רַבָּן גַּמְלִיאֵל אוֹמֵר, בְּשִׁבְעָה בוֹ, חֲמִשָּׁה עָשָׂר יוֹם אַחַר הֶחָג, כְּדֵי שֶׁיַּגִּיעַ אַחֲרוֹן שֶׁבְּיִשְׂרָאֵל לִנְהַר פְּרָת:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Devarim 16:16
שָׁלוֹשׁ פְּעָמִים בַּשָּׁנָה יֵרָאֶה כָל זְכוּרְךָ אֶת פְּנֵי ה' אֱלֹהֶיךָ בַּמָּקוֹם אֲשֶׁר יִבְחָר, בְּחַג הַמַּצּוֹת וּבְחַג הַשָּׁבֻעוֹת וּבְחַג הַסֻּכּוֹת.
Três vezes por ano se apresentará todo teu varão perante o Eterno, teu D'us, no lugar que Ele escolher: na Festa dos Pães Ázimos, na Festa das Semanas e na Festa das Cabanas.

O pano de fundo desta mishná é o mandamento da Torá de subir a Jerusalém três vezes por ano, entre elas em Sucot. É precisamente porque a Torá obriga "todo varão" de Israel, mesmo os que vivem nas comunidades mais distantes da Babilônia, a peregrinar a Jerusalém para a Festa, que Rabán Gamliel se preocupa em dar tempo para que esses peregrinos completem a viagem de volta antes que se comece a pedir chuva — pois um pedido bem-sucedido poderia fazer cair chuvas que dificultassem ou atrasassem ainda mais o já longo caminho até o rio Eufrates. A opinião anônima da mishná, por sua vez, fixa a data no terceiro de Marcheshvan, calculando que oito dias — e não quinze — já bastariam para o retorno de um peregrino comum.

Halachot · הֲלָכוֹת

Bartenura esclarece que esta data vale para Eretz Yisrael, com regra diferente para a diáspora, e identifica quem são os peregrinos mencionados por Rabán Gamliel; Rambam generaliza o princípio para todas as regiões do mundo.

Bartenura · Taanit 1:3
בִּשְׁלֹשָׁה בְמַרְחֶשְׁוָן שׁוֹאֲלִין אֶת הַגְּשָׁמִים. אוֹמְרִים וְתֵן טַל וּמָטָר בְּבִרְכַּת הַשָּׁנִים. וְהַנֵּי מִלֵּי בְּאֶרֶץ יִשְׂרָאֵל, אֲבָל בַּגּוֹלָה אֵין שׁוֹאֲלִים עַד שִׁשִּׁים יוֹם לִתְקוּפַת תִּשְׁרֵי, וּבְיוֹם שִׁשִּׁים עַצְמוֹ מַתְחִילִין לִשְׁאֹל הַגְּשָׁמִים. הָאַחֲרוֹן שֶׁבְּיִשְׂרָאֵל לִנְהַר פְּרָת. אוֹתָן שֶׁעָלוּ לָרֶגֶל הַחוֹזְרִים לְבָתֵּיהֶן, וְלֹא יַפְסִיקוּם הַגְּשָׁמִים.

"No terceiro de Marcheshvan se pede a chuva" — diz-se "e dá orvalho e chuva" na bênção dos anos. E isso vale para Eretz Yisrael; mas na diáspora não se pede até sessenta dias após a equinócio de Tishrei, e no próprio sexagésimo dia já se começa a pedir chuva. "Ao último de Israel, ao rio Eufrates" — refere-se àqueles que subiram para a peregrinação e estão voltando para suas casas, para que a chuva não os interrompa no caminho.

Rambam · Perush HaMishná, Taanit 1:3
בשלשה במרחשון שואלין את הגשמים כו': וכל זה בארץ ישראל ובארצות הדומות לה. וכל מה שיגיע לידך מן הדבר בזמני התעניות הוא בארץ ישראל ומה שהוא קרוב לאוירה. אבל בשאר ארצות, השאלה בזמן שהמטר טוב והגון באותו המקום, ונתן אותו הזמן כאילו הוא שבעה במרחשון.

Tudo isto se refere a Eretz Yisrael e às terras semelhantes a ela em clima; e tudo o que te chegar sobre os tempos das taanyot refere-se a Eretz Yisrael e ao que é próximo dela em clima. Mas nas demais terras, o pedido de chuva se faz no momento em que a chuva é boa e apropriada naquele lugar — tratando aquele momento como equivalente ao sétimo de Marcheshvan, de modo que cada região ajusta o calendário de suas orações e jejuns às condições climáticas locais, e não ao calendário fixo da terra de Israel.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rashi identifica a mishná no texto da Guemará e explica a razão pela qual a Babilônia, embora distante, não necessita de tanta chuva quanto a terra de Israel.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Taanit 10a
מתני' בשלשה במרחשון שואלין את הגשמים וכו' רבן גמליאל אומר בשבעה בו בט"ו יום אחר החג – כלומר בשבעה במרחשון הוא ט"ו אחר החג. כדי שיגיע האחרון – כלומר קודם ביאת מים לנהר פרת שהוא רחוק יותר.

"Nossa mishná: no terceiro de Marcheshvan se pede a chuva... Rabán Gamliel diz: no sétimo dele, quinze dias após a Festa" — isto é, o sétimo de Marcheshvan corresponde a quinze dias após o fim da Festa. "Para que chegue o último" — isto é, antes que as águas cheguem ao rio Eufrates, que fica mais distante — Rashi explica que Rabán Gamliel calcula o tempo necessário até mesmo para o peregrino mais remoto, cuja jornada de volta é a mais longa de todas.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Taanit 10a — sobre a diferença entre Eretz Yisrael e a Babilônia
ובגולה ששים – ובגולה אין שואלין עד ששים בתקופה, לפי שהוא מקום נמוך ואין צריכים מטר כל כך.

"E na diáspora, sessenta" dias — na diáspora não se pede chuva até o sexagésimo dia após a equinócio, porque a Babilônia é uma região baixa, irrigada naturalmente pelos rios, e por isso seus habitantes não necessitam de tanta chuva quanto os de Eretz Yisrael, uma terra montanhosa que depende diretamente da chuva do céu para suas plantações.