No terceiro de Marcheshvan se pede a chuva. — A mishná fixa a data em que o pedido explícito por chuva começa a ser inserido na Amidá: o terceiro dia do mês de Marcheshvan, quinze dias após o fim da Festa de Sucot.
Rabán Gamliel diz: no sétimo dele, quinze dias após a Festa, para que chegue o último de Israel ao rio Eufrates. — Rabán Gamliel discorda e adia o início do pedido para o sétimo de Marcheshvan, explicando o motivo: era preciso dar tempo suficiente para que mesmo os peregrinos mais distantes, que haviam subido a Jerusalém para a Festa e agora regressavam a suas casas na Babilônia, na região do rio Eufrates, completassem a longa viagem de volta antes que a chuva começasse a cair e atrapalhasse o caminho.
O pano de fundo desta mishná é o mandamento da Torá de subir a Jerusalém três vezes por ano, entre elas em Sucot. É precisamente porque a Torá obriga "todo varão" de Israel, mesmo os que vivem nas comunidades mais distantes da Babilônia, a peregrinar a Jerusalém para a Festa, que Rabán Gamliel se preocupa em dar tempo para que esses peregrinos completem a viagem de volta antes que se comece a pedir chuva — pois um pedido bem-sucedido poderia fazer cair chuvas que dificultassem ou atrasassem ainda mais o já longo caminho até o rio Eufrates. A opinião anônima da mishná, por sua vez, fixa a data no terceiro de Marcheshvan, calculando que oito dias — e não quinze — já bastariam para o retorno de um peregrino comum.
Bartenura esclarece que esta data vale para Eretz Yisrael, com regra diferente para a diáspora, e identifica quem são os peregrinos mencionados por Rabán Gamliel; Rambam generaliza o princípio para todas as regiões do mundo.
"No terceiro de Marcheshvan se pede a chuva" — diz-se "e dá orvalho e chuva" na bênção dos anos. E isso vale para Eretz Yisrael; mas na diáspora não se pede até sessenta dias após a equinócio de Tishrei, e no próprio sexagésimo dia já se começa a pedir chuva. "Ao último de Israel, ao rio Eufrates" — refere-se àqueles que subiram para a peregrinação e estão voltando para suas casas, para que a chuva não os interrompa no caminho.
Tudo isto se refere a Eretz Yisrael e às terras semelhantes a ela em clima; e tudo o que te chegar sobre os tempos das taanyot refere-se a Eretz Yisrael e ao que é próximo dela em clima. Mas nas demais terras, o pedido de chuva se faz no momento em que a chuva é boa e apropriada naquele lugar — tratando aquele momento como equivalente ao sétimo de Marcheshvan, de modo que cada região ajusta o calendário de suas orações e jejuns às condições climáticas locais, e não ao calendário fixo da terra de Israel.
Rashi identifica a mishná no texto da Guemará e explica a razão pela qual a Babilônia, embora distante, não necessita de tanta chuva quanto a terra de Israel.
"Nossa mishná: no terceiro de Marcheshvan se pede a chuva... Rabán Gamliel diz: no sétimo dele, quinze dias após a Festa" — isto é, o sétimo de Marcheshvan corresponde a quinze dias após o fim da Festa. "Para que chegue o último" — isto é, antes que as águas cheguem ao rio Eufrates, que fica mais distante — Rashi explica que Rabán Gamliel calcula o tempo necessário até mesmo para o peregrino mais remoto, cuja jornada de volta é a mais longa de todas.
"E na diáspora, sessenta" dias — na diáspora não se pede chuva até o sexagésimo dia após a equinócio, porque a Babilônia é uma região baixa, irrigada naturalmente pelos rios, e por isso seus habitantes não necessitam de tanta chuva quanto os de Eretz Yisrael, uma terra montanhosa que depende diretamente da chuva do céu para suas plantações.