Não se pede a chuva senão perto da chuva. — Diferentemente da mera menção, que já começa no oitavo dia, o pedido explícito por chuva — a fórmula "e dá orvalho e chuva" inserida na bênção dos anos — só é dito quando a estação chuvosa está de fato próxima, pois pedir chuva fora de tempo seria pedir algo indesejado naquele momento.
Rabi Yehuda diz: aquele que passa diante da arca no último dia festivo da Festa, o último menciona, o primeiro não menciona. — Quando dois oficiantes se revezam nas orações do oitavo dia — um na Shacharit da manhã, outro no Musaf —, Rabi Yehuda ensina que apenas o oficiante posterior, o de Musaf, já insere a menção da chuva; o oficiante anterior, de Shacharit, ainda não a menciona, pois a mudança de fórmula, de orvalho para chuva, é feita apenas a partir do momento em que a estação chuvosa formalmente começa, no Musaf daquele dia.
No primeiro dia festivo de Pessach, o primeiro menciona, o último não menciona. — Simetricamente, na transição inversa, quando a menção de chuva deixa de ser dita e a estação chuvosa termina, é o primeiro oficiante — o de Shacharit — que ainda menciona a chuva, enquanto o último — o de Musaf — já não a menciona mais, pois a partir daquele Musaf a estação seca formalmente começa.
Até quando se pede a chuva? Rabi Yehuda diz: até que passe Pessach. — Quanto ao pedido ativo por chuva, e não apenas sua menção, Rabi Yehuda opina que ele continua sendo dito até o fim da festa de Pessach, pois a chuva ainda é bem-vinda para as plantações até esse momento.
Rabi Meir diz: até que saia Nissan, pois está dito: "e fez descer para vós chuva, o primeiro orvalho e a chuva tardia, no primeiro" mês. — Rabi Meir discorda e estende o pedido até o fim de todo o mês de Nissan, apoiando-se no verso de Yoel que fala da chuva tardia caindo ainda "no primeiro" mês — interpretado por ele como referência ao próprio mês de Nissan, o primeiro do calendário bíblico.
A mishná cita este verso como fonte de Rabi Meir para estender o pedido de chuva até o fim de Nissan. O verso de Yoel menciona a chuva tardia — o malkosh, que normalmente cai ao final da estação chuvosa, em Adar — caindo ainda "no primeiro" mês, isto é, em Nissan; Rabi Meir lê essa referência como prova de que a chuva tardia podia legitimamente estender-se até o final do próprio Nissan, justificando manter o pedido por chuva na Amidá durante todo esse mês. Rabi Yehuda, por sua vez, entende que o pedido deve cessar já ao término de Pessach, no meio de Nissan, pois a partir daí a chuva deixa de ser necessária para a colheita que já se aproxima.
Bartenura distingue precisamente a menção do pedido e explica a regra dos dois oficiantes; Rambam nota que dois tanaim diferentes transmitiram o nome de Rabi Yehuda de formas distintas.
"Não se pede a chuva" — aqui, "pedir" tem o mesmo sentido de "mencionar a chuva" — Bartenura esclarece que, apesar da diferença de verbo entre esta mishná e a anterior, ambas tratam essencialmente do mesmo ato. "Senão perto da chuva" — isto é, o oitavo dia da Festa, pois a partir de Sucot em diante é a estação da chuva. "O último" — aquele que reza a Amidá de Musaf já menciona "que faz descer a chuva". "E o primeiro" — aquele que reza a Amidá de Shacharit ainda não menciona a chuva, mas sim o orvalho. E a halachá segue Rabi Yehuda.
"Não se pede a chuva senão perto da chuva" etc. — "perto da chuva" é a Amidá de Musaf do último dia festivo da Festa, conforme explicou Rabi Yehuda. E no primeiro dia festivo de Pessach, o primeiro — aquele que reza Shacharit — diz "que faz descer a chuva", enquanto o último — aquele que reza Musaf — já não menciona chuva, mas diz "que faz descer o orvalho". E em nosso tempo, quando fazemos dois dias festivos por costume, diz-se "que faz descer a chuva" no Musaf do primeiro dos últimos dias da Festa, mantendo-se essa fórmula no segundo dia e depois dele. E a halachá segue Rabi Yehuda.
Rashi harmoniza a aparente contradição entre esta mishná e a baraita citada na Guemará sobre até quando se pede chuva, e explica o verso de Yoel citado por Rabi Meir.
Sobre a disputa acerca de quando exatamente começar a menção: uma vez que se começou a mencionar a chuva no oitavo dia — mesmo com a dúvida, própria da diáspora, de qual dia é realmente o sétimo ou o oitavo —, não se interrompe mais. Conta-se assim vinte e um dias a partir de Rosh Hashaná até esse oitavo dia, do mesmo modo que se contam dez dias entre Rosh Hashaná e Yom Kipur — mostrando que a prática de contar dias entre marcos do calendário já era familiar aos Sábios de outras áreas da halachá.
Disse Rav Nachman a Rav Yitzchak, em tom de espanto: "acaso a primeira chuva, o yoreh, cai em Nissan?" — pois está escrito "e fez descer para vós chuva, o primeiro orvalho e a chuva tardia, no primeiro" mês, o que pareceria colocar o yoreh, a primeira chuva da estação, já em Nissan. Mas a primeira chuva cai de fato em Marcheshvan, como se ensina adiante e como está no Sifrei — de modo que o verso de Yoel, segundo essa objeção, não pode ser lido tão literalmente quanto Rabi Meir o lê, e a Guemará prossegue explicando de que modo, excepcionalmente, o verso se cumpriu daquela forma num ano específico de fome.