A partir de quando se menciona os poderes da chuva? — A mishná pergunta a partir de que momento se insere na segunda bênção da Amidá, a bênção das potências divinas, a fórmula "que faz soprar o vento e descer a chuva" — chamada "poderes da chuva" porque a descida da chuva é contada entre os grandes feitos de D'us.
Rabi Eliezer diz: a partir do primeiro dia festivo da Festa. — Rabi Eliezer opina que a menção começa já no primeiro dia de Sucot, ligando-a ao início da festa em que a colheita é concluída e a estação chuvosa se aproxima.
Rabi Yehoshua diz: a partir do último dia festivo da Festa. — Rabi Yehoshua discorda, e situa o início da menção apenas no oitavo dia — Shemini Atzeret —, o último dia festivo ligado a Sucot.
Disse-lhe Rabi Yehoshua: já que a chuva não é senão sinal de maldição na Festa, por que mencioná-la? — Rabi Yehoshua justifica sua posição perguntando a Rabi Eliezer: se a chuva, durante os sete dias em que se mora na sucá, é recebida como um sinal desfavorável — pois interrompe a alegria da festa —, por que começar já então a mencioná-la na oração?
Disse-lhe Rabi Eliezer: também eu não disse para pedi-la, mas para mencionar "que faz soprar o vento e descer a chuva" em sua estação. — Rabi Eliezer responde que não propôs pedir a chuva — o que de fato seria impróprio durante a festa —, mas apenas mencionar, de passagem, que D'us é Aquele que faz descer a chuva na estação apropriada, sem que isso implique um pedido para que ela caia justamente ali.
Disse-lhe: se assim, que a mencione sempre. — Rabi Yehoshua replica que, se a menção não é um pedido e apenas descreve um atributo geral de D'us, não haveria razão para restringi-la à estação chuvosa — deveria ser recitada o ano inteiro, inclusive no verão —, o que mostra que a data de início de fato importa, e reforça sua própria posição de que a menção só deve começar quando a chuva já é bem-vinda, no oitavo dia.
Bartenura explica que este verso é a origem da expressão "poderes da chuva" que dá nome à nossa mishná. O livro de Iyov associa explicitamente "faz grandes coisas insondáveis" — expressão que descreve os atos de poder de D'us — com "dá chuva sobre a face da terra", de modo que a queda da chuva é contada entre as manifestações da força divina no mundo, ao lado da própria criação. É por isso que a fórmula "que faz soprar o vento e descer a chuva", inserida na segunda bênção da Amidá — a bênção que trata precisamente dos atos de poder de D'us —, recebe o nome de "gevurot geshamim", os poderes da chuva: não se trata de um pedido, mas de um reconhecimento de que a chuva, como a ressurreição dos mortos mencionada na mesma bênção, revela o domínio de D'us sobre forças que escapam ao controle humano.
Bartenura explica a ligação editorial com o fim de Rosh Hashaná e fixa a halachá conforme Rabi Yehoshua; Rambam remete ao ensinamento já dado em Sucá sobre a chuva como sinal desfavorável na festa.
"A partir de quando se menciona os poderes da chuva" — como o tratado anterior, Rosh Hashaná, terminava tratando de Sucot, dizendo que nessa festa o mundo é julgado quanto à água, a mishná ensina aqui, em continuidade, a partir de quando se menciona os poderes da chuva. E como a chuva é um dos poderes do Santo, bendito seja, conforme está escrito "que faz grandes coisas insondáveis, que dá chuva sobre a face da terra", por isso a chamam de "poderes da chuva". Concluindo a réplica de Rabi Yehoshua a Rabi Eliezer: se assim é — que a menção não é um pedido, mas apenas indica que a chuva cai em sua estação — dirias que se deve mencioná-la mesmo quando não se pede, e então mesmo no verão se deveria mencioná-la; e por que davas então o sinal do primeiro dia festivo? E a halachá segue Rabi Yehoshua.
Já te foi ensinado antes, ao final do segundo perek de Sucá, que a descida da chuva em Sucot não é sinal de bênção — remetendo o leitor ao princípio, já estabelecido naquele tratado, de que a chuva durante os sete dias da festa é recebida como interrupção indesejada da alegria de habitar na sucá. E a halachá segue Rabi Yehoshua, isto é, a menção começa apenas no oitavo dia, Shemini Atzeret.
Rashi, na Guemará, explica por que a chuva em Sucot é recebida como sinal desfavorável e o sentido preciso de "em sua estação" na réplica de Rabi Eliezer.
"Nossa mishná: a partir de quando se menciona os poderes da chuva" — refere-se à inserção da fórmula "que faz soprar o vento e descer a chuva"; e a Guemará explica adiante por que a chamam "poderes da chuva": porque a chuva desce com poder, conforme está dito "que faz grandes coisas" etc.
"É sinal de maldição na Festa" — como já dissemos em Massechet Sucá, no capítulo "Hayashen": é semelhante a um servo que veio misturar uma taça para seu senhor, e o senhor derramou-lhe um jarro de água no rosto, dizendo-lhe: "não quero teu serviço" — assim também a chuva caindo sobre a sucá é lida como um sinal de que D'us, por assim dizer, rejeitou naquele momento o serviço oferecido por Israel ao habitar a cabana.
"Em sua estação" — isto é, em seu tempo próprio, a estação chuvosa. "Se assim" — a objeção final de Rabi Yehoshua questiona: se a menção é apenas descritiva e não um pedido, por que então Rabi Eliezer haveria de interromper a menção na Páscoa, quando a estação chuvosa termina? A resposta implícita é que, mesmo sendo descritiva, a menção só faz sentido dentro da estação em que a chuva de fato ocorre — o que é precisamente o ponto que Rabi Yehoshua explora para sustentar sua própria opinião.