Seder Moed · Massechet Sucá · Perek Guimel · Mishná 13 de 15

Cada um reconhece o seu

כָּל אֶחָד וְאֶחָד מַכִּיר אֶת שֶׁלּוֹ
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A mishná descreve o procedimento adotado quando o primeiro dia da festa cai em Shabat — dia em que não se pode carregar o lulav de casa até a sinagoga — e, a partir disso, estabelece uma diferença fundamental entre o primeiro dia da festa e os demais.

O primeiro dia da festa que cai em Shabat: todo o povo leva seus lulavim à sinagoga.Como não é permitido carregar objetos de um domínio a outro em Shabat, todos levavam seus lulavim à sinagoga já na véspera, sexta-feira, para poder cumprir o preceito no dia seguinte sem transgredir a proibição de carregar.

No dia seguinte, madrugam e vêm; cada um reconhece o seu, e o toma — pois disseram os Sábios: ninguém cumpre sua obrigação no primeiro dia da festa com o lulav de seu companheiro. Mas no resto dos dias da festa, cumpre-se a obrigação com o lulav do companheiro.No dia seguinte — o próprio Shabat, primeiro dia da festa — cada pessoa vinha cedo à sinagoga, identificava seu próprio lulav entre os que haviam sido deixados ali e o tomava para cumprir o preceito. A razão para essa insistência em usar exatamente o próprio lulav é que, especificamente no primeiro dia da festa, a Torá exige que o lulav pertença a quem o toma — e por isso ninguém cumpre sua obrigação com o lulav emprestado de outra pessoa. Já nos demais dias da festa, quando a obrigação é de origem rabínica, pode-se cumpri-la mesmo com um lulav emprestado.

יוֹם טוֹב הָרִאשׁוֹן שֶׁל חָג שֶׁחָל לִהְיוֹת בְּשַׁבָּת, כָּל הָעָם מוֹלִיכִין אֶת לוּלְבֵיהֶן לְבֵית הַכְּנֶסֶת. לַמָּחֳרָת מַשְׁכִּימִין וּבָאִין, כָּל אֶחָד וְאֶחָד מַכִּיר אֶת שֶׁלּוֹ, וְנוֹטְלוֹ. מִפְּנֵי שֶׁאָמְרוּ חֲכָמִים, אֵין אָדָם יוֹצֵא יְדֵי חוֹבָתוֹ בְּיוֹם טוֹב הָרִאשׁוֹן שֶׁל חָג בְּלוּלָבוֹ שֶׁל חֲבֵרוֹ. וּשְׁאָר יְמוֹת הֶחָג, אָדָם יוֹצֵא יְדֵי חוֹבָתוֹ בְּלוּלָבוֹ שֶׁל חֲבֵרוֹ:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Vayicrá 23:40
וּלְקַחְתֶּם לָכֶם בַּיּוֹם הָרִאשׁוֹן פְּרִי עֵץ הָדָר.
E tomareis para vós, no primeiro dia, fruto de árvore formosa.

A palavra "לָכֶם" (lachem, "para vós") é lida pela Guemará (Sucá 41b) como exigindo que o lulav do primeiro dia pertença efetivamente a quem o toma — "משלכם", do que é vosso. Dessa leitura decorre que, no primeiro dia da festa, não se cumpre o preceito com um lulav emprestado ou roubado, ao contrário dos demais dias, em que a obrigação, sendo de origem rabínica, pode ser cumprida mesmo com o lulav de outra pessoa — o que explica por que cada um precisava reconhecer e recuperar exatamente o seu próprio lulav entre os deixados na sinagoga.

Halachot · הֲלָכוֹת

Bartenura explica por que se levavam os lulavim já na véspera, e detalha, a partir do versículo "לכם", a exigência de propriedade sobre o lulav do primeiro dia — incluindo o caso de um lulav recebido de presente.

Bartenura · Sucá 3:13
יוֹם טוֹב רִאשׁוֹן וְכוּ'. דְּאָמְרִינַן לְקַמָּן דְּמִצְוַת לוּלָב דּוֹחָה אֶת הַשַּׁבָּת בְּיוֹם טוֹב רִאשׁוֹן לְבַדּוֹ, לְפִיכָךְ הָיוּ מוֹלִיכִין שָׁם לוּלְבֵיהֶן מֵעֶרֶב שַׁבָּת. אֵין אָדָם יוֹצֵא וְכוּ'. דִּכְתִיב וּלְקַחְתֶּם לָכֶם בַּיּוֹם הָרִאשׁוֹן, לָכֶם מִשֶּׁלָּכֶם. וְאִם נְתָנוֹ לוֹ חֲבֵרוֹ בְּמַתָּנָה אֲפִלּוּ עַל מְנָת לְהַחְזִיר שְׁמָהּ מַתָּנָה, וְנוֹטְלוֹ וְיוֹצֵא בּוֹ וְאַחַר כָּךְ מַחֲזִירוֹ. וְאִם לֹא הֶחְזִירוֹ אִיגַּלַּאי מִילְּתָא לְמַפְרֵעַ דְּגָזוּל הָיָה בְּיָדוֹ מֵעִקָּרָא, וְלֹא יָצָא יְדֵי חוֹבָתוֹ.

"O primeiro dia da festa" etc. — pois dizemos adiante que o preceito do lulav suplanta o Shabat apenas no primeiro dia da festa; por isso levavam ali seus lulavim desde a véspera de Shabat. "Ninguém cumpre sua obrigação" etc. — pois está escrito "e tomareis para vós, no primeiro dia" — "para vós", do que é vosso. E se seu companheiro lhe deu de presente, mesmo com a condição de devolver, ainda assim se chama presente — ele o toma, cumpre sua obrigação com ele e depois o devolve. Mas se não o devolveu, revela-se retroativamente que estava roubado em suas mãos desde o início, e não cumpriu sua obrigação.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rashi, na Guemará, discute o princípio de que o próprio ato de levantar o lulav já cumpre a obrigação da tomada — base para a distinção entre casos em que a proibição de carregar em Shabat é ou não considerada uma transgressão cometida "com permissão".

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Sucá 42a
לֹא שָׁנוּ — דְּפָטוּר, אֶלָּא שֶׁלֹּא יָצָא יְדֵי חוֹבַת נְטִילָה קֹדֶם שֶׁהוֹצִיאוֹ, דְּהַשְׁתָּא טָרוּד בְּמִצְוָה וְטָעָה בְּדָבָר מִצְוָה. אֲבָל יָצָא בּוֹ קֹדֶם שֶׁהוֹצִיאוֹ, תּוּ לָא טָעָה בְּדָבָר מִצְוָה הוּא וְלָא טָרוּד מֵהַשְׁתָּא בְּמִצְוָה לַעֲשׂוֹתָהּ.

"Não ensinaram" que está isento senão quando ainda não havia cumprido a obrigação da tomada antes de carregá-lo para fora — pois nesse caso estava ocupado com o preceito e errou por causa do preceito. Mas se já havia cumprido a obrigação antes de carregá-lo, então não mais errou por causa de um preceito, nem estava, a partir daquele momento, ocupado em cumpri-lo.