Seder Moed · Massechet Sucá · Perek Guimel · Mishná 12 de 15

A instituição de Rabán Yochanan ben Zakai

הִתְקִין רַבָּן יוֹחָנָן בֶּן זַכַּאי
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A mishná volta ao tema de quantos dias se toma o lulav, já introduzido no início do capítulo seguinte da Torá, e narra uma das instituições mais conhecidas de Rabán Yochanan ben Zakai após a destruição do Templo.

No princípio, o lulav era tomado no Templo por sete dias, e no resto do país, um dia.Por preceito da Torá, o lulav era tomado por sete dias apenas dentro do recinto do Templo; fora dele, em todo o resto do país, tomava-se apenas no primeiro dia da festa.

Quando o Templo foi destruído, Rabán Yochanan ben Zakai instituiu que o lulav fosse tomado no resto do país por sete dias, em memória do Templo — e que o dia da agitação da gavela do ômer ficasse inteiramente proibido.Após a destruição, temendo que se esquecesse o costume do Templo, Rabán Yochanan ben Zakai decretou que o lulav passasse a ser tomado por sete dias em toda parte, como recordação daquilo que se fazia no Templo. Do mesmo modo, e pela mesma razão, decretou que o grão novo permanecesse proibido durante todo o dezesseis de Nissan — dia em que, quando o Templo existia, se oferecia a gavela do ômer — mesmo já não havendo mais essa oferenda.

בָּרִאשׁוֹנָה הָיָה לוּלָב נִטָּל בַּמִּקְדָּשׁ שִׁבְעָה, וּבַמְּדִינָה יוֹם אֶחָד. מִשֶּׁחָרַב בֵּית הַמִּקְדָּשׁ, הִתְקִין רַבָּן יוֹחָנָן בֶּן זַכַּאי שֶׁיְּהֵא לוּלָב נִטָּל בַּמְּדִינָה שִׁבְעָה, זֵכֶר לַמִּקְדָשׁ. וְשֶׁיְּהֵא יוֹם הָנֵף כֻּלּוֹ אָסוּר:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Vayicrá 23:40
וּלְקַחְתֶּם לָכֶם בַּיּוֹם הָרִאשׁוֹן... וּשְׂמַחְתֶּם לִפְנֵי ה' אֱלֹהֵיכֶם שִׁבְעַת יָמִים.
E tomareis para vós, no primeiro dia... e vos alegrareis perante o Senhor vosso Deus por sete dias.

A Guemará (Sucá 41a) deriva do próprio versículo, que menciona "no primeiro dia" a tomada e "sete dias" a alegria, que a obrigação de tomar o lulav por todos os sete dias vale apenas "perante o Senhor" — isto é, no Templo — enquanto fora dele vale apenas o primeiro dia. Foi exatamente essa distinção entre "Templo" e "resto do país" que Rabán Yochanan ben Zakai revogou na prática após a destruição, estendendo a todo lugar o costume que antes era exclusivo do santuário — em memória dele.

Halachot · הֲלָכוֹת

O Rambam identifica "o resto do país" com toda a Terra de Israel fora de Jerusalém, e explica a razão da proibição do grão novo; Bartenura detalha a fonte talmúdica de cada uma dessas duas instituições.

Rambam · Perush HaMishná, Sucá 3:12
מְדִינָה הִיא כָּל הָעֲיָרוֹת שֶׁבְּאֶרֶץ יִשְׂרָאֵל מִלְּבַד יְרוּשָׁלַיִם. וְיוֹם הָנֵף הוּא יוֹם שִׁשָּׁה עָשָׂר מִנִּיסָן, שֶׁאָמַר בּוֹ הַשֵּׁם "וְהֵנִיף אֶת הָעֹמֶר", וְדָרַשׁ רַבִּי יוֹחָנָן בֶּן זַכַּאי, אַחַר חֻרְבַּן הַבַּיִת, יוֹם שִׁשָּׁה עָשָׂר מִנִּיסָן אָסוּר לֶאֱכֹל חָדָשׁ כָּל הַיּוֹם.

"O resto do país" — são todas as cidades da Terra de Israel exceto Jerusalém. E "o dia da agitação" é o dia dezesseis de Nissan, do qual o Nome disse "e agitará a gavela"; e Rabi Yochanan ben Zakai ensinou, depois da destruição do Templo, que no dia dezesseis de Nissan é proibido comer grão novo durante todo o dia.

Bartenura · Sucá 3:12
בַּמִּקְדָּשׁ שִׁבְעָה. כִּדְדָרְשִׁינַן לִפְנֵי ה' אֱלֹהֵיכֶם שִׁבְעַת יָמִים, וְלֹא בִּגְבוּלִין שִׁבְעַת יָמִים. וְשֶׁיְּהֵא יוֹם הָנֵף. שֶׁל עֹמֶר, דְּהַיְנוּ יוֹם ט"ז בְּנִיסָן. כֻּלּוֹ אָסוּר. וּבִזְמַן שֶׁבֵּית הַמִּקְדָּשׁ קַיָּם, מִשֶּׁקָּרַב הָעֹמֶר הָיוּ אוֹכְלִים חָדָשׁ בּוֹ בַּיּוֹם. וּכְשֶׁחָרַב בֵּית הַמִּקְדָּשׁ מֻתָּר מִן הַתּוֹרָה מִשֶּׁהֵאִיר הַמִּזְרָח, וְאָסַר רַבָּן יוֹחָנָן בֶּן זַכַּאי עֲלֵיהֶם כָּל הַיּוֹם, מִשּׁוּם מְהֵרָה יִבָּנֶה בֵּית הַמִּקְדָּשׁ וְיֹאמְרוּ אֶשְׁתָּקַד מִי לֹא הֲוָה אָכְלִינַן מִשֶּׁהֵאִיר הַמִּזְרָח, הַשְׁתָּא נַמִּי נֵיכוֹל.

"No Templo, sete" — conforme se expõe: "perante o Senhor vosso Deus, sete dias" — e não fora dele, sete dias. "E que o dia da agitação" — do ômer, isto é, o dia dezesseis de Nissan. "Fique inteiramente proibido" — e no tempo em que o Templo existia, desde que se oferecia o ômer, comia-se grão novo naquele mesmo dia. E quando o Templo foi destruído, tornou-se permitido pela Torá desde o amanhecer; mas Rabán Yochanan ben Zakai o proibiu durante todo aquele dia, temendo que, quando o Templo fosse reconstruído rapidamente, dissessem: "no ano passado não comíamos desde o amanhecer? Agora também podemos comer" — confundindo os tempos.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rashi, na Guemará, esclarece o mecanismo da leitura dupla dos versículos sobre o dia proibido para o grão novo, base do decreto.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Sucá 41b
עַד עֶצֶם — עַד עַצְמוֹ שֶׁל יוֹם, כָּל הַיּוֹם קָרוּי עֶצֶם הַיּוֹם. וְקָסָבַר עַד וְעַד בִּכְלָל — וְלֹא דָּרֵישׁ עַד וְלֹא עַד בִּכְלָל לְהַתִּירוֹ בְּהֵאִיר מִזְרָח, כִּי לֵיכָּא עֹמֶר; וְהָכִי מִתּוֹקְמָא קְרָאֵי: אֵין עֹמֶר, עַד עֶצֶם וְעַד בִּכְלָל; יֵשׁ עֹמֶר, עַד הֲבִיאֲכֶם.

"Até 'etzem'" — até o próprio dia, pois o dia inteiro é chamado "etzem hayom". "E ele entende que 'até' inclui o próprio limite" — e não interpreta que "até" excluiria o limite, para permitir desde o amanhecer, pois não há mais oferenda do ômer; e assim se conciliam os versículos: quando não há ômer, "até etzem" e o limite se inclui; quando há ômer, "até que tragais" a oferenda.