A bênção sacerdotal, como? No país dizem-na como três bênçãos, e no Templo, como uma só bênção. No Templo, pronuncia-se o Nome tal como está escrito; e no país, por seu apelido. No país, os cohanim levantam suas mãos à altura de seus ombros; e no Templo, acima de suas cabeças — exceto o Sumo Sacerdote, que não levanta suas mãos acima da lâmina frontal. Rabi Yehudá diz: também o Sumo Sacerdote levanta suas mãos acima da lâmina frontal, como está dito: "e Aharon levantou suas mãos em direção ao povo e os abençoou". — A mishná contrasta a prática da bênção sacerdotal — que os cohanim proferem diariamente sobre o povo — em dois contextos: fora do Templo, onde os três versículos que compõem a bênção são recitados separadamente, com pausas para que a congregação responda "amém" após cada um; e dentro do Templo, onde, por não haver essa resposta interposta, os três versículos formam uma única unidade contínua. Da mesma forma, o Tetragrama — o Nome inefável de quatro letras — só é pronunciado tal como escrito dentro do recinto sagrado do Templo; fora dele, os cohanim usam um substituto reverencial. A altura das mãos também varia: mais baixa, à altura dos ombros, fora do Templo; mais alta, acima da cabeça, dentro dele — com a exceção notável do Sumo Sacerdote, que evita erguer as mãos acima da lâmina de ouro (tzitz) que traz na testa, gravada com o Nome divino, por reverência a essa inscrição sagrada. Rabi Yehudá discorda apenas neste último ponto, entendendo que mesmo o Sumo Sacerdote deve seguir o precedente bíblico de Aharon, que ergueu as mãos plenamente ao abençoar o povo.
O texto da própria bênção sacerdotal está em Bemidbar 6; a fonte para pronunciar o Nome apenas no Templo vem de Shemot; e o versículo sobre Aharon fundamenta a opinião de Rabi Yehudá.
A Guemará (Sotá 38a) inverte a ordem das palavras do versículo de Shemot — "em todo lugar onde eu fizer lembrar Meu Nome, virei a ti" torna-se, por essa leitura invertida (מְסֹרָס), "onde Eu vier a ti, ali farei lembrar Meu Nome" — indicando que a pronúncia plena do Nome só ocorre onde a Presença divina efetivamente reside, isto é, o Templo. A obrigação de erguer as mãos deriva de uma gezerá shavá entre "abençoar" aqui e o "servir" sacerdotal descrito em outro versículo de Devarim. A lâmina frontal (tzitz) do Sumo Sacerdote trazia gravado o próprio Tetragrama, conforme Shemot 28:36.
Rambam explica a base do Nome pronunciado e por que não se responde amém no Templo; Bartenura detalha a fonte para a altura das mãos e conclui que a halachá não segue Rabi Yehudá.
Rambam identifica o "Nome tal como escrito" com o Tetragrama de quatro letras — yud, heh, vav, heh —, alertando explicitamente contra o uso mágico e supersticioso que amuletistas e pessoas ignorantes fazem dessa informação. Ele explica ainda por que os três versículos formam uma única bênção no Templo: como regra geral, não se responde "amém" dentro do recinto sagrado; em vez disso, a congregação responde com a fórmula "Bendito seja o Eterno, Deus de Israel, de eternidade a eternidade" — o que dispensa qualquer pausa entre os versículos, permitindo que sejam recitados como um bloco contínuo.
Bartenura explica que a exigência mínima de "levantar as mãos" — sem a qual não há bênção sacerdotal válida — vem diretamente do exemplo de Aharon, e que a mesma continuidade se estende a seus descendentes "por todos os dias", como reza outro versículo. Sobre a divergência final, Bartenura confirma o motivo da posição anônima: o Sumo Sacerdote se abstém de levantar as mãos acima da lâmina frontal porque o próprio Nome divino está gravado nela, e ele evita, por reverência, elevar as mãos acima dessa inscrição. Bartenura conclui de forma direta: a halachá não segue Rabi Yehudá — prevalece a visão de que mesmo o Sumo Sacerdote mantém as mãos abaixo do tzitz.
Perush de Rashi sobre a Guemará (Sotá 37b-38a), Rambam e Bartenura.
Rashi confirma que "כִּכְתָבוֹ" refere-se à pronúncia exata das letras yud-heh, enquanto "בְּכִנּוּיוֹ" refere-se ao substituto alef-dalet. Ele acrescenta uma explicação teológica marcante para a diferença de altura das mãos no Templo: como os cohanim ali abençoam o povo com o próprio Nome pronunciado por completo, e a Presença divina (Shechiná) repousa acima das articulações de seus dedos ao erguerem as mãos, faz sentido que a elevação das mãos seja máxima — acima da cabeça — nesse contexto de proximidade sagrada intensificada, em contraste com a elevação mais modesta praticada fora do Templo.
Rambam faz questão de sublinhar, com firmeza incomum em seu comentário, que o conhecimento da pronúncia exata do Tetragrama não deve alimentar práticas mágicas de amuletos ou superstições populares — advertência que reflete sua conhecida postura racionalista contra toda forma de misticismo instrumental envolvendo o Nome divino. Ele reafirma que a pronúncia completa e explícita das quatro letras é permitida exclusivamente dentro do recinto do Templo, nunca fora dele, restringindo geograficamente o uso do Nome mais sagrado ao espaço onde a Presença divina residia de forma manifesta.
Bartenura sintetiza a lógica das três diferenças em conjunto: a pausa entre versículos, que gera três bênçãos separadas fora do Templo, existe precisamente para permitir a resposta "amém" da congregação — resposta ausente dentro do Templo, onde por isso os versículos se fundem numa única bênção contínua. Esse mesmo padrão de maior formalidade e proximidade sagrada dentro do Templo explica tanto a pronúncia plena do Nome quanto a elevação máxima das mãos, unificando as três diferenças da mishná sob um só princípio: o Templo intensifica cada elemento da cerimônia em razão da presença manifesta da Shechiná.