A chalitzá, como? "E ela responderá e dirá" — e adiante se diz: "e os levitas responderão e dirão". Assim como a resposta dita adiante é em língua sagrada, também aqui é em língua sagrada. Rabi Yehudá diz: "e ela responderá e dirá assim" — até que ela diga nesta mesma língua. — A mishná aplica à chalitzá o mesmo mecanismo de analogia verbal já visto para os bikurim: o versículo que descreve a declaração final da cunhada emprega "e ela responderá e dirá", espelhando a expressão "e os levitas responderão e dirão" do Har Guerizim, e por essa comparação deriva-se que a chalitzá também exige hebraico. Rabi Yehudá, porém, discorda do fundamento — não do resultado. Ele extrai a mesma exigência não da analogia com os levitas, mas de uma palavra adicional no próprio versículo da chalitzá: "assim" (kacha). Para ele, essa palavra sinaliza que a cunhada deve pronunciar a fórmula exatamente nestes termos fixos, sem paráfrase e sem tradução — o que, por si só, já implica que ela fale em hebraico, a língua original em que a fórmula foi dada.
O versículo central desta mishná é o mesmo de Devarim 25:9 já citado na mishná anterior, mas agora com atenção à palavra "assim" (kacha), central para a opinião de Rabi Yehudá.
A palavra "כָּכָה" ("assim") é o ponto de divergência entre os sábios e Rabi Yehudá. Para os sábios (o tanna kamma, cuja opinião abre a mishná), essa palavra é dispensável para a derivação, que se apoia inteiramente na gezerá shavá "responder"/"responder"; para Rabi Yehudá, ao contrário, é precisamente essa palavra que carrega o peso normativo, indicando que a Torá exige uma fórmula fixa e exata — "assim, com estas palavras exatas" — sem qualquer necessidade de recorrer à comparação com os levitas. A Guemará (Sotá 33b) debate longamente qual das duas leituras é mais econômica.
Rambam não comenta esta mishná especificamente; Bartenura explica por que, na visão de Rabi Yehudá, a gezerá shavá se torna desnecessária.
Bartenura resume com precisão a posição de Rabi Yehudá: ele não precisa recorrer à gezerá shavá para chegar à mesma conclusão prática, porque o próprio versículo já se ensina sozinho — a palavra "כָּכָה" ("assim") indica diretamente que a cunhada deve dizer a fórmula "com esta mesma linguagem", isto é, exatamente nestes termos, sem paráfrase. E como a fórmula bíblica está registrada em hebraico, dizer "com esta mesma linguagem" equivale, na prática, a exigir o hebraico — mas a exigência nasce da fixidez da fórmula, não de uma comparação externa com os levitas do Har Guerizim.
Perush de Rashi sobre a Guemará (Sotá 32a e 33b) e Bartenura (Rambam não comenta esta mishná especificamente).
Rashi reconstrói a sequência completa do ritual: a cunhada declara que o cunhado se recusa a construir a casa do irmão falecido, ele responde que não deseja tomá-la em casamento, e — após o ato físico da chalitzá, em que ela retira o sapato dele e cospe diante dele — ela conclui com a fórmula "assim se faz ao homem". Rashi então levanta a pergunta central da sugiá: se Rabi Yehudá deriva a exigência de hebraico diretamente da palavra "assim", o que ele faz com a gezerá shavá de "responder"/"responder" que os sábios usam? A resposta da Guemará é que Rabi Yehudá emprega essa mesma gezerá shavá para outro propósito — derivar a exigência de hebraico na bênção sacerdotal, tratada na sexta mishná deste perek.
Bartenura enfatiza a elegância da posição de Rabi Yehudá: ao contrário da opinião anônima da mishná, que precisa importar a exigência de hebraico de um contexto externo — as bênçãos e maldições do Har Guerizim —, Rabi Yehudá encontra a mesma conclusão dentro do próprio versículo da chalitzá, sem necessidade de comparação. A palavra "assim" já basta para fixar tanto a exatidão da fórmula quanto, por consequência, sua língua original. Essa autossuficiência textual é o que torna, segundo Bartenura, a leitura de Rabi Yehudá mais direta — ainda que a halachá final não dependa dessa escolha, já que ambas as abordagens chegam ao mesmo resultado prático.