E estes são ditos apenas em língua sagrada: a leitura dos primeiros frutos, a chalitzá, as bênçãos e as maldições, a bênção sacerdotal, e a bênção do Sumo Sacerdote, e a porção do rei, e a porção da novilha decapitada, e o discurso do sacerdote ungido para a guerra quando ele fala ao povo. — Diferentemente da lista de textos flexíveis quanto à língua, esta mishná reúne oito cerimônias cuja validade depende estritamente do hebraico. A leitura dos primeiros frutos é a declaração que o agricultor faz ao trazer os bikurim ao Templo; a chalitzá é o ritual verbal pelo qual a cunhada libera o cunhado da obrigação do levirato; as bênçãos e maldições são as proferidas no Har Guerizim e no Har Eival, detalhadas na quinta mishná deste perek; a bênção sacerdotal é a fórmula de bênção que os cohanim pronunciam sobre o povo; a bênção do Sumo Sacerdote refere-se às orações que ele recita em Yom Kipur; a porção do rei é a leitura pública que o monarca faz a cada sete anos na festa de Sucot, descrita ao final deste perek; a porção da novilha decapitada é a declaração dos anciãos da cidade mais próxima de um cadáver encontrado sem assassino identificado; e o discurso do sacerdote ungido para a guerra é a exortação que ele dirige às tropas antes da batalha.
As duas mishnayot seguintes explicarão em detalhe a derivação do hebraico obrigatório para bikurim e chalitzá; aqui bastam os versículos centrais de cada cerimônia listada.
O padrão comum a quase todos os itens desta lista é o verbo "responder" (עָנָה) associado à fala — construção que a Guemará compara, por gezerá shavá (analogia verbal), à "resposta" dos levitas no Har Guerizim, que a Torá explicita ser em hebraico. Assim, cada vez que a Torá emprega "וְעָנָה... וְאָמַר" para descrever a fórmula de uma cerimônia, a tradição deriva que ela deve ser pronunciada na língua sagrada. As duas próximas mishnayot desenvolverão essa derivação para os bikurim e para a chalitzá especificamente.
Rambam liga o hebraico obrigatório à mesma raiz verbal "responder"; Bartenura identifica brevemente cada uma das oito cerimônias listadas.
Rambam explica a fonte comum a toda a lista: como os levitas "responderam e disseram" no Har Guerizim em hebraico — comparando-se essa "resposta" à revelação no Sinai, onde "Deus lhe responderia com voz" —, a analogia verbal estende o hebraico obrigatório a todas as cerimônias cuja fórmula bíblica usa o mesmo padrão de "responder e dizer". Rambam antecipa também a opinião de Rabi Yehudá, que deriva a exigência de hebraico na chalitzá não da analogia verbal, mas da palavra "assim" (כָּכָה): sempre que a Torá emprega essa palavra, ela indica uma fórmula exata, fixa nesses termos precisos, sem que se possa acrescentar ou subtrair — o que, segundo essa opinião, obriga o hebraico por si só.
Bartenura identifica cada uma das oito cerimônias com precisão prática: a leitura dos bikurim vai desde "um arameu perambulante era meu pai" até o fim da passagem; a chalitzá envolve uma troca ritual de falas — a cunhada declara que o cunhado se recusa a construir a casa do irmão, ele responde que não deseja tomá-la, e após o ato da chalitzá ela conclui dizendo "assim se faz ao homem". Bartenura esclarece ainda que a "porção do rei" mencionada aqui é a mesma "porção do Hakhel" — a grande assembleia septenal — que será detalhada na última mishná deste perek, unificando a terminologia entre as duas passagens.
Perush de Rashi sobre a Guemará (Sotá 32a), Rambam e Bartenura.
Rashi explica por que se pode considerar que estas oito cerimônias exigem especificamente o hebraico, e não simplesmente que a mishná anterior não as tenha mencionado: para os textos da lista precedente, a própria escrita bíblica já organiza toda a "mitzvá de sua fala" de tal forma que não se depreende exigência de língua alguma; já para os itens desta segunda lista, a Torá emprega uma formulação que indica um requisito de validade — ou seja, "está escrito neles um impedimento" —, tornando o hebraico condição sem a qual o ato não se cumpre corretamente, e não mera preferência estilística.
Rambam volta a enfatizar a analogia verbal central: assim como a revelação no Sinai — descrita como "Deus lhe responderia com voz" — ocorreu em hebraico, e assim como os levitas "responderam" em voz alta no Har Guerizim também em hebraico, qualquer outra cerimônia cuja fórmula bíblica emprega esse mesmo padrão de "responder e dizer" herda a mesma exigência. Esse raciocínio unifica as bênçãos e maldições, a leitura dos bikurim e — segundo a maioria dos sábios — a chalitzá sob uma única derivação textual comum.
Bartenura completa a identificação das cerimônias restantes: a bênção sacerdotal é o próprio ato de "levantar as mãos"; as bênçãos do Sumo Sacerdote ocorrem em Yom Kipur, após o serviço mais sagrado do ano no Santo dos Santos, quando ele lê a passagem da Torá e recita as oito bênçãos que a mishná detalhará adiante; a porção da novilha decapitada é a declaração "nossas mãos não derramaram este sangue... perdoa a teu povo Israel"; e o discurso do sacerdote ungido para a guerra corresponde à passagem "e será, quando vos aproximardes... ouve, Israel, vós vos aproximais hoje", dirigida ao exército antes do combate — cada uma dessas fórmulas, por empregar o padrão verbal de "responder", exige o hebraico.