Aquele que advertiu sua esposa e ela se recluiu — mesmo que ele tenha ouvido apenas da ave que voa, deve divorciá-la e pagar-lhe a ketubá, palavras de Rabi Eliezer. Rabi Yehoshua diz: até que as fiandeiras comentem sobre ela ao luar. — A mishná retoma o fio da massechet depois do longo desvio das quatro derashot ditas "naquele dia" que encerraram o Perek Hei, voltando ao procedimento central da sotá: depois que o marido advertiu formalmente sua esposa a não se recluir com determinado homem, e ela mesmo assim se recluiu com ele, ela se torna proibida para o marido — mas ele ainda não pode aplicá-la às águas amargas, pois a bebida das águas exige a confirmação da própria reclusão por duas testemunhas, e ninguém viu se algo de fato aconteceu durante ela. Rabi Eliezer sustenta sua posição, já expressa no Perek Alef, de que a reclusão em si não exige testemunhas formais para ser estabelecida — mesmo um boato vago e informal, comparado à "ave que voa" (uma expressão idiomática para um rumor sem fonte identificável, quase como se tivesse vindo do nada), basta para que o marido saiba da reclusão e, por precaução, seja obrigado a se separar dela, divorciando-a e pagando integralmente sua ketubá, já que não há evidência formal de traição que a desqualificaria desse pagamento. Rabi Yehoshua, que exige dois depoimentos concordantes para validar juridicamente a bebida das águas, aplica um padrão de prova mais rigoroso também aqui: só quando o caso se tornar de conhecimento público, a ponto de ser tema de conversa entre as fiandeiras que trabalham à luz da lua — um cenário de exposição social extrema e vergonhosa —, é que o marido fica obrigado a agir, pois nesse ponto, mesmo que as águas já não sirvam mais para testá-la (já que o caso se tornou público demais para o ritual discreto da sotá), a desonra pública torna insustentável a continuidade do casamento.
A disputa entre Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua nesta mishná decorre de posições já fixadas por ambos no Perek Alef, sobre o grau de prova exigido para estabelecer a reclusão.
A Torá distingue expressamente entre a "reclusão" (הִסָּתְרוּת) e a "contaminação" (טֻמְאָה): a primeira é a condição que basta para tornar a esposa proibida ao marido e sujeita ao procedimento da sotá; a segunda, caso comprovada por testemunha, elimina de vez a possibilidade do teste das águas, pois a mulher já estaria irremediavelmente proibida. Esta mishná abre o Perek Vav voltando exatamente à primeira etapa — a reclusão — e perguntando quanto boato ou rumor basta para que ela seja considerada estabelecida aos olhos do marido, retomando a disputa entre Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua já apresentada no Perek Alef sobre o padrão de prova exigido para a própria reclusão, em contraste com o padrão de duas testemunhas exigido para a bebida das águas.
Rambam resume a halachá decidida a favor de Rabi Yehoshua; Bartenura detalha a lógica de cada posição, ligando-as às posições já conhecidas desses dois sábios sobre o número de testemunhas exigido.
Rambam esclarece o alcance da posição de Rabi Eliezer: mesmo que o marido tenha apenas o equivalente a uma "prova do canto do pássaro" — ou seja, um sinal indireto e quase intangível — de que sua esposa se envolveu com outro homem, ele não pode dar-lhe de beber as águas nem permanecer casado com ela, mas fica isento apenas na medida em que deve divorciá-la, pagando-lhe a ketubá integralmente. Rambam registra que a halachá segue Rabi Yehoshua, que exige que o assunto se torne de conhecimento extremamente público antes de o marido ser obrigado a agir.
Bartenura conecta cada posição desta mishná a um princípio já estabelecido pelo mesmo sábio no Perek Alef: Rabi Eliezer, que ali ensinou que a reclusão em si não exige testemunhas formais, aplica aqui a mesma lógica — mesmo um boato tênue como "a ave que voa" basta, pois se equipara à condição de reclusão comprovada, tornando a esposa proibida. Rabi Yehoshua, que ali exigiu que a bebida das águas fosse validada por dois depoimentos, aplica aqui um padrão de exposição pública tão extremo que a expressão vira quase um idiomatismo: as mulheres que fiam lã à luz da lua — trabalho noturno, sinal de conversas informais e disseminadas — precisam já estar comentando o caso. Bartenura fecha registrando que a halachá segue Rabi Yehoshua.
Abrindo o Perek Vav, perush de Rashi sobre a Guemará (Sotá 31a), Rambam e Bartenura.
Rashi vincula cada posição da mishná a fundamentos já expostos no Perek Alef: Rabi Eliezer sustentou ali que a reclusão não exige testemunhas formais para ser estabelecida — mesmo um escravo ou uma escrava, normalmente desqualificados para testemunho, são aceitos para atestá-la — porque a reclusão fica equiparada à própria contaminação quanto ao grau de prova exigido, e por isso qualquer boato, por mais informal, já basta para proibir a esposa a seu marido. Rabi Yehoshua, que exige dois depoimentos formais para autorizar a bebida das águas, entende que uma reclusão baseada em boato fraco não chega a proibi-la de fato — mas quando o escândalo se torna público a ponto de ser tema das fiandeiras noturnas, a situação já é tão vergonhosa que nem mesmo as águas amargas mais servem para testá-la, pois o ritual pressupõe um caso ainda discreto e não decidido pela opinião pública.
Rambam esclarece o significado prático da expressão "ouviu da ave que voa": Rabi Eliezer considera que basta ao marido um indício mínimo, comparável a um sinal captado no canto de um pássaro — algo quase impossível de rastrear ou verificar formalmente —, para que ele já esteja proibido de manter relação com sua esposa, embora ainda não possa submetê-la ao teste das águas, sendo obrigado apenas a divorciá-la com a ketubá completa. Já para Rabi Yehoshua, o caso precisa alcançar tal nível de notoriedade que as próprias mulheres que fiam à luz da lua estejam comentando nominalmente o caso — dizendo explicitamente que fulana, advertida por seu marido quanto a fulano, recluiu-se com ele e já cometeu adultério — só então o marido é obrigado a agir. Rambam conclui que a halachá segue Rabi Yehoshua.
Abrindo o Perek Vav, Bartenura conecta a disputa desta mishná a posições já conhecidas de ambos os sábios: Rabi Eliezer, fiel à sua visão de que a reclusão dispensa testemunhas formais — aceitando até escravos e escravas como fonte válida —, trata o menor boato como suficiente. Rabi Yehoshua, que só permite a bebida das águas com base em dois depoimentos concordantes, exige aqui que o caso se torne assunto das fiandeiras que trabalham à luz da lua — imagem de fofoca noturna generalizada — antes de considerar o marido obrigado a agir; e mesmo nesse ponto extremo, nota Bartenura, a publicidade do escândalo já torna as águas amargas inúteis como teste, pois seu propósito discreto foi ultrapassado pela vergonha pública. Bartenura fecha confirmando que a halachá segue Rabi Yehoshua.