E estas não bebem nem recebem a ketubá: a que diz "impura sou", e aquela contra quem vieram testemunhas de que é impura, e a que diz "não bebo". Se o marido disse "não a farei beber", ou se o marido se deitou com ela no caminho, ela recebe sua ketubá e não bebe. Se os maridos morreram antes de elas beberem, Bet Shamai diz: recebem a ketubá e não bebem. E Bet Hilel diz: não bebem nem recebem a ketubá. — A mishná distingue com precisão entre razões que anulam também a ketubá e razões que apenas cancelam a bebida. Se a própria mulher confessa sua impureza, ou se testemunhas comprovam que ela se contaminou, ou mesmo se ela simplesmente recusa beber por vontade própria, ela perde tanto a bebida quanto a ketubá — pois em todos esses casos foi ela quem, de um modo ou de outro, impediu o procedimento de se completar. Mas se é o próprio marido quem desiste de fazê-la beber, ou se ele mesmo, no caminho até o Templo, tem relações com ela — anulando com seu próprio ato a condição de "oculta" que gerou a suspeita —, então a culpa pela bebida não realizada é dele, não dela, e ela recebe sua ketubá integralmente. O último caso, dos maridos que morrem antes da bebida, gera uma disputa: para Bet Shamai, um documento de ketubá pendente de cobrança equivale a dinheiro já recebido, de modo que a viúva recebe sua ketubá mesmo sem ter bebido; para Bet Hilel, porém, já que ela não chegou a beber, ela também não recebe a ketubá, pois as duas coisas — a bebida e a ketubá — permanecem ligadas mesmo quando a interrupção não foi culpa dela.
Bet Hilel funda sua posição no próprio versículo que introduz o procedimento — o sujeito da ação é sempre o marido vivo, trazendo sua esposa até o sacerdote.
Bet Hilel lê "e o homem trará sua esposa" como condição indispensável: sem o marido vivo trazendo-a ativamente ao sacerdote, o procedimento nunca se completa, e por isso a viúva cujo marido morreu antes de bebê-la também não bebe. Bet Shamai concorda quanto à bebida em si — nesse ponto não há disputa —, mas entende que, por outro princípio, um documento de dívida ainda não cobrado (como a ketubá) já se considera, na prática, como se tivesse sido pago, o que basta para garantir à viúva o direito de recebê-la mesmo sem ter passado pelo procedimento completo.
Rambam resume o fundamento da disputa entre as duas escolas; Bartenura detalha cada uma das cláusulas da mishná.
Rambam resume em uma frase o princípio de Bet Shamai: um documento de dívida que ainda está apenas pendente de cobrança já é tratado, para efeitos legais, como se o dinheiro já tivesse chegado às mãos da credora. Aplicado à ketubá da viúva cujo marido morreu antes de ela beber, esse princípio basta para lhe garantir o pagamento — mesmo que, estritamente, ela nunca tenha passado pelo procedimento que determinaria se o merecia ou não.
Bartenura sublinha o princípio que une os dois primeiros casos da segunda metade da mishná: em ambos, é o marido — desistindo da advertência ou tendo ele mesmo relações com ela no caminho — quem causa a não realização da bebida, e por isso a mulher não é penalizada com a perda da ketubá. Já o caso dos maridos que morrem trata especificamente das mulheres que, tendo sido advertidas e ocultado, já estavam prontas para beber, mas cuja bebida não pôde se realizar a tempo por causa da morte do marido.
Perush de Rashi sobre a Guemará (Sotá 24a), Rambam e Bartenura.
Rashi confirma que, nos dois primeiros casos, é o marido quem provoca a não realização da bebida — seja desistindo de fazê-la beber, seja tendo ele mesmo relações com ela pelo caminho — e por isso ela recebe a ketubá integralmente. Sobre a disputa das viúvas cujos maridos morreram, Rashi explica que Bet Hilel se apoia diretamente no versículo "e o homem trará sua esposa", que exige a ação ativa de um marido vivo para que o procedimento sequer se inicie; a fundamentação completa do debate, nota Rashi, é desenvolvida na própria Guemará.
Rambam explica que a disputa entre as duas escolas gira em torno de um único princípio: se um documento de dívida ainda não cobrado equivale, na prática, a dinheiro já recebido. Bet Shamai aplica esse princípio à ketubá da viúva, considerando-a como já paga mesmo sem o procedimento completo; Bet Hilel, ao contrário — como a Guemará desenvolve —, exige que a bebida efetivamente ocorra, ou ao menos que a mulher esteja pronta para ela sem impedimento por parte do marido, para que a ketubá seja devida.
Bartenura resume a disputa em sua formulação mais direta: os dois lados concordam que, sem o marido vivo trazendo-a ao sacerdote, a bebida não pode ocorrer. A diferença está apenas na ketubá — Bet Shamai a concede, tratando o documento pendente como já pago; Bet Hilel a nega, considerando que, sem a bebida efetiva, também não há direito à ketubá, pois um documento pendente de cobrança não equivale, para eles, a dinheiro já recebido.