A noiva e a que aguarda o levirato não bebem nem recebem a ketubá, pois está dito: que a mulher se desvie sob seu marido — excluindo a noiva e a que aguarda o levirato. A viúva para o sumo sacerdote, a divorciada e a que passou pela chalitzá para o sacerdote comum, a mamzeret e a netiná para um israelita, e a filha de israelita para um mamzer ou para um natin, não bebem nem recebem a ketubá. — A mishná abre o perek explicando quem está fora do alcance do procedimento das águas amargas, e por quê. A noiva ainda não vive sob o mesmo teto que seu futuro marido, e a cunhada que aguarda o levirato ainda não foi tomada por seu cunhado como esposa efetiva — nenhuma das duas está, no sentido pleno da expressão bíblica, "sob seu marido". Por isso, se um destes homens a advertir e ela se ocultar com outro, ela não bebe as águas nem, caso se recuse a beber, perde sua ketubá por essa recusa. A mesma isenção se aplica a seis outras uniões que a Torá já qualifica como proibidas desde o início: a viúva casada com o sumo sacerdote, a divorciada ou a chalutzá casadas com um sacerdote comum, a mamzeret ou a netiná casadas com um israelita comum, e a filha de israelita casada com um mamzer ou com um natin. Em todos esses casos, o casamento em si já carrega uma proibição, e por isso a mulher, mesmo advertida e mesmo tendo se ocultado, não bebe — e também não recebe sua ketubá, pois foi ela mesma quem, ao se ocultar após a advertência, deu causa à proibição que agora recai sobre ela.
A mishná ancora a isenção da noiva e da que aguarda o levirato no versículo que resume toda a lei das águas amargas, ao final da perashá.
A expressão "sob seu marido" (תַּחַת אִישָׁהּ) é lida como referindo-se à mulher que já vive de fato sob a autoridade e o teto de seu marido — excluindo, segundo a leitura de Bartenura, tanto a noiva ainda não desposada quanto a cunhada que ainda aguarda ser tomada pelo levir. As demais seis uniões da mishná — todas proibidas de saída pela Torá em diferentes versículos de Vayikrá e Devarim — são excluídas por outro princípio: o versículo fala de uma mulher "própria para permanecer" com seu marido, e nenhuma dessas seis relações é, desde o início, uma relação que a Torá permite manter.
Rambam explica por que essas mulheres mantêm o direito à ketubá apesar da união proibida; Bartenura detalha o raciocínio por trás da exclusão de cada categoria.
Rambam observa que, sempre que alguém convive maritalmente com uma proibição significativa, as águas amargas simplesmente não têm efeito sobre a mulher — ainda que ela tenha sido advertida e se ocultado. Por isso, a viúva casada com o sumo sacerdote e as demais mulheres desta lista, mesmo quando passam por advertência e ocultação, saem sem receber a ketubá: elas normalmente têm direito a essa ketubá, apesar de seu casamento ser proibido, mas a perdem justamente porque foi sua própria ocultação que causou o problema.
Bartenura esclarece que a mishná trata do caso em que o próprio noivo advertiu sua noiva, ou o próprio cunhado advertiu a cunhada que aguarda dele o levirato, e mesmo assim o versículo as exclui da bebida. Elas também não recebem a ketubá — não porque a bebida as tenha isentado de algo que lhes seria devido, mas porque foi a própria ocultação, depois da advertência, que criou a proibição que agora paira sobre elas, ainda que essa proibição jamais possa ser testada pelas águas.
Abrindo o Perek Dalet, perush de Rashi sobre a Guemará (Sotá 24a), Rambam e Bartenura.
Rashi identifica a netiná como descendente dos guivonitas, um povo que Davi decretou proibido de se integrar ao povo de Israel — daí sua união com um israelita já nascer proibida. Sobre a exclusão geral dessas seis categorias, Rashi cita a baraita dos Sifrei: a perashá das águas amargas só foi dita a respeito de uma mulher "própria para ser mantida" por seu marido — ou seja, cujo casamento é, em si, permitido —, excluindo explicitamente, entre outras, a viúva casada com o sumo sacerdote.
Rambam formula o princípio geral por trás de toda a lista: sempre que um homem vive com sua esposa apesar de uma proibição já estabelecida — qualquer que seja — as águas amargas não têm efeito algum sobre ela, pois a própria instituição do procedimento pressupõe um casamento válido e permitido. Rambam remete ainda ao final do décimo primeiro perek de Ketubot, onde já havia explicado que essas mulheres, apesar do casamento proibido, normalmente têm direito à sua ketubá — o que torna relevante a mishná esclarecer que, neste caso específico, elas a perdem.
Bartenura precisa a leitura de "sob seu marido": o versículo fala da mulher que já se assenta sob a autoridade de seu marido, o que exclui de saída a noiva e a cunhada ainda não tomadas em levirato efetivo. Sobre a netiná, explica que se trata de descendente dos guivonitas, proibidos de se integrar ao povo. E repete, como Rashi, o princípio dos Sifrei: a parashá das águas amargas só se aplica a uma mulher "própria para ser mantida" por seu marido, o que exclui, entre outras, a viúva casada com o sumo sacerdote.