Se antes de apagado o pergaminho ela disse "não bebo", seu pergaminho é guardado, e sua oferenda se espalha sobre as cinzas, e seu pergaminho não é válido para dar de beber a outra sotá. Se apagado o pergaminho ela disse "sou impura", as águas se derramam e sua oferenda se espalha sobre as cinzas. Se apagado o pergaminho ela disse "não bebo", ela é contestada e forçada a beber contra sua vontade. — A mishná traça a linha divisória exata entre o momento em que a mulher ainda pode recuar do procedimento e o momento em que já não pode. Enquanto o pergaminho — que contém o texto da maldição escrito especificamente para ela — ainda não foi dissolvido na água, uma recusa dela em beber é respeitada: o processo simplesmente é interrompido, o pergaminho é guardado por não poder mais ser reaproveitado, e a oferenda de farinha, já santificada no vaso, é queimada nas cinzas do altar sem ser comida pelos sacerdotes. Mas uma vez apagado o pergaminho, a situação muda radicalmente: se ela então confessa sua impureza, não há mais razão para dar-lhe de beber — a água só serve para esclarecer uma dúvida real, e ela mesma acabou de eliminar a dúvida — de modo que as águas são derramadas e a oferenda igualmente queimada. Mas se, depois de apagado o pergaminho, ela simplesmente recusa-se a beber sem confessar nada, a recusa já não é respeitada: contesta-se sua hesitação, presumindo que o medo é que a faz vacilar e não uma culpa real, e ela é forçada a beber contra sua vontade.
O próprio apagamento do pergaminho na água amarga é uma ordem explícita da Torá em Bamidbar 5, sendo o eixo em torno do qual gira toda a distinção temporal desta mishná.
Bartenura nota que a exigência de que o pergaminho seja escrito "para ela" — especificamente para aquele caso — está por trás de dois detalhes desta mishná: por que o pergaminho já iniciado não pode ser reaproveitado para outra sotá, e por que, antes de sua dissolução completa na água, o processo ainda pode ser interrompido pela vontade da própria mulher. A dissolução física das letras na água é o ponto de não retorno ritual: a partir daquele momento, o texto sagrado que constituía o pergaminho já não existe mais como objeto separado, e a mulher está processualmente comprometida com a bebida, não podendo mais recuar por mera recusa.
O Perush HaMishná de Rambam não chegou completo a esta mishná específica; a halachá é apresentada aqui com base em Bartenura, rotulado honestamente como fonte principal.
Bartenura explica cada uma das três leis: o pergaminho não pode ser reaproveitado porque toda a escrita e todo o processo devem ser feitos especificamente para aquela mulher — exigência derivada da expressão bíblica "e o sacerdote fará para ela". As águas se derramam quando a mulher confessa impureza depois de apagado o pergaminho, porque, uma vez confessada a impureza, ela já está comprovadamente proibida ao marido, e as águas amargas só existem para esclarecer dúvidas — não há mais dúvida a esclarecer. E quando ela recusa beber sem confessar, depois de já apagado o pergaminho, ela é contestada e persuadida a beber, porque talvez seja pura e sua recusa venha apenas do medo — não de culpa real — e por isso, ao final, é forçada a beber contra sua vontade.
Perush de Rashi sobre a Guemará (Sotá 20a) e Bartenura; o Perush HaMishná de Rambam não foi localizado para esta mishná específica, e por isso não é citado nesta seção.
Rashi acrescenta um detalhe prático: o pergaminho guardado, por ser um escrito sagrado que já não é apto para uso ritual, não pode simplesmente ser descartado — é depositado num compartimento lateral do Templo, junto com outros textos sagrados fora de uso, para que não seja tratado com desrespeito. Quanto à recusa depois de apagado o pergaminho, Rashi explica com precisão a lógica de "contestá-la": talvez ela seja realmente pura, e o tremor visível de sua recusa venha apenas do pavor natural do momento — do próprio ritual solene diante do altar — e não de uma consciência de culpa. Por isso ela é persuadida com palavras antes de, ao final, ser forçada a beber.
Bartenura esclarece que "espalhar-se sobre as cinzas" é uma forma de dizer que a oferenda era queimada no local da עזרה reservado à queima de oferendas sagradas desqualificadas — pois, tendo já sido santificada dentro de um vaso de serviço do Templo, a oferenda não pode simplesmente ser descartada ou redimida como se fosse leiga: sua santidade exige que seja consumida pelo fogo dentro do próprio recinto sagrado, ainda que não sirva mais ao seu propósito original de ser oferecida no altar e comida pelos sacerdotes.