Ele moveu e aproximou, tirou o punhado e queimou, e o restante era comido pelos sacerdotes. Ele dava de beber e depois oferecia sua oferenda; Rabi Shimon diz: ele oferecia sua oferenda e depois dava de beber, pois está dito: "e depois fará a mulher beber as águas." Se ele deu de beber e depois ofereceu sua oferenda, é válida. — Depois da tenufá conjunta descrita na mishná anterior, o sacerdote aproximava a oferenda do canto sudoeste do altar, retirava um punhado dela e o queimava — o restante, não queimado, cabia aos sacerdotes como alimento, à semelhança de toda oferenda de farinha comum. Quanto à ordem entre dar as águas amargas e oferecer a oferenda, os sábios sustentam que primeiro se dava de beber e só depois se oferecia a oferenda no altar; Rabi Shimon inverte essa ordem, fundamentando-se no próprio texto da Torá, que menciona a queima do punhado antes de mencionar "e depois fará a mulher beber as águas" — sequência que, para ele, é normativa e não apenas descritiva. Rabi Shimon reconhece, porém, que se na prática o sacerdote inverteu a ordem e deu de beber primeiro, o procedimento continua válido.
A disputa entre os sábios e Rabi Shimon gira em torno da sequência exata em que Bamidbar 5 descreve a queima da oferenda e a bebida das águas.
Bartenura explica que há, na realidade, três menções à bebida das águas na passagem da sotá — uma antes desta, referente à etapa em que o pergaminho é apagado, e uma depois, no versículo seguinte — e que a expressão específica "e depois fará beber", vinda logo após a menção da queima, é o que fundamenta a posição de Rabi Shimon de que a queima precede necessariamente a bebida. Os sábios, por sua vez, entendem que os versículos redundantes servem para ensinar outras leis do procedimento, e não fixam uma ordem obrigatória entre queima e bebida — sendo por isso que, na prática, mesmo a ordem invertida é considerada válida.
O Perush HaMishná de Rambam não chegou completo a esta mishná específica; por isso, a halachá é apresentada aqui com base em Bartenura, que detalha a leitura das três menções da bebida no versículo bíblico — rotulado honestamente como fonte principal nesta mishná.
Bartenura explica que há três menções da bebida das águas no texto bíblico, cada uma ensinando uma lei distinta: a primeira, referente à bebida logo após apagar o pergaminho e antes da queima da oferenda; a expressão "e depois fará beber", que aparentemente indica que a bebida vem sempre depois da queima; e uma terceira menção, que ensina que, se o pergaminho já foi apagado e a mulher se recusa a beber, ela é forçada a fazê-lo contra sua vontade. Como o primeiro versículo já fixa seu próprio ensinamento independente, os sábios concluem que o segundo versículo, "e depois fará beber", não precisa ser lido como fixando uma ordem obrigatória — permitindo, na prática, que a bebida preceda a oferenda. A lei segue os sábios, não Rabi Shimon.
Perush de Rashi sobre a Guemará (Sotá 19a) e Bartenura; o Perush HaMishná de Rambam não foi localizado para esta mishná específica, e por isso não é citado nesta seção.
Rashi nota uma dificuldade textual explorada na Guemará: se a mishná já disse "queimou", que sentido faz dizer em seguida "e depois oferecia sua oferenda" — não haveria mais nada a oferecer após a queima do punhado? A Guemará resolve a dificuldade explicando que a expressão final da mishná se refere não à oferenda em si, mas à ordem entre a bebida e o conjunto do serviço da oferenda como um todo. Rashi remete à Guemará para o desenvolvimento completo da disputa entre os sábios e Rabi Shimon a partir dos versículos.
Bartenura explica a lógica de Rabi Shimon: para ele, a expressão "e depois fará beber" deve necessariamente ser lida em sua ordem literal, já que a Torá a escreveu deliberadamente depois da menção à queima do punhado — não haveria razão para o texto adotar essa sequência específica se a ordem não fosse normativa. Ainda assim, mesmo Rabi Shimon concorda que, se na prática a bebida veio primeiro, o procedimento continua válido — pois o versículo final, "e fará beber", ensina justamente que a bebida pode ocorrer mesmo depois de a mulher já ter se recusado, sendo então forçada. A lei prática, porém, segue os sábios.