Ele retirava sua oferenda de dentro do cesto egípcio e a colocava dentro de um vaso de serviço, e a punha sobre a mão dela. E o sacerdote colocava sua mão debaixo da dela e a movia. — O marido trazia a oferenda de farinha de cevada da sotá guardada num cesto trançado de junco, ao estilo egípcio — o recipiente comum para transportar esse tipo de oferenda antes de sua consagração formal. Ao chegar o momento da tenufá, a oferenda era transferida para um vaso sagrado de serviço do Templo e colocada diretamente na mão da mulher, pois a Torá determina que a movimentação ritual da oferenda de ciúmes se faça com a participação ativa dela, não apenas do sacerdote. O sacerdote então colocava sua mão sob a dela, sustentando o vaso, e movia a oferenda para frente e para trás e para cima e para baixo — o gesto da tenufá — à semelhança do que ocorre com a oferenda pacífica, onde o dono também participa fisicamente do movimento junto ao sacerdote.
A tenufá da oferenda de ciúmes está prescrita explicitamente em Bamidbar 5, no versículo que a entrega às mãos do sacerdote a partir da mão da mulher.
Rambam observa que o próprio texto — "tomará da mão da mulher" — é a base para exigir que a tenufá seja feita com as duas mãos entrelaçadas, a do sacerdote sobre a da mulher, à semelhança do que a Torá determina para a oferenda pacífica, onde se lê "suas mãos as trarão" (Vayikrá 7). Essa comparação textual entre os dois tipos de oferenda é o fundamento halachico de todo o procedimento descrito nesta mishná: assim como o dono da oferenda pacífica participa fisicamente da tenufá junto ao sacerdote, também a sotá — dona da oferenda de farinha — participa da tenufá de sua própria oferenda de ciúmes.
Rambam extrai no Perush HaMishná a comparação textual entre a oferenda pacífica e a oferenda de ciúmes; Bartenura detalha por que somente a partir da tenufá a mulher deixa de participar do processo como leiga.
Rambam formula a lei a partir da comparação verbal entre os dois versículos: já que a Torá emprega, tanto para a oferenda pacífica quanto para a oferenda de ciúmes, uma linguagem que aponta para a participação das mãos do próprio dono, conclui-se que em ambos os casos a tenufá se faz em conjunto — mão do dono sob a mão do sacerdote, ou entrelaçadas. Rambam também nota, de passagem, que nesta mishná a lei não segue a opinião de Rabi Shimon, cuja posição diverge na mishná seguinte quanto à ordem do procedimento.
Bartenura esclarece um ponto técnico importante: quem retira a oferenda do cesto no início do processo é o próprio marido — um leigo — e isso é válido porque o serviço exclusivo do sacerdote nas oferendas de farinha só começa a partir da retirada do punhado (kmitsá) para queima, sendo que a aproximação ao altar (hagashá) já é considerada parte inicial dessa etapa reservada ao sacerdote. Tudo o que vem antes — a consagração no vaso, o derramamento e a mistura, nas oferendas que levam óleo — é válido mesmo quando feito por um leigo.
Abrindo o Perek Guimel, perush de Rashi sobre a Guemará (Sotá 19a), Rambam e Bartenura.
Rashi confirma que quem retira a oferenda do cesto é o marido, precisamente porque o serviço exclusivo do sacerdote começa apenas na kmitsá — o punhado retirado para queima — e a hagashá, aproximação ao canto sudoeste do altar, já é considerada parte inicial dessa fase reservada ao sacerdote. Quanto à tenufá, Rashi explica que a Guemará deriva da comparação com a oferenda pacífica que a movimentação ritual exige necessariamente a mão do dono junto à mão do sacerdote — e, no caso da oferenda de ciúmes, quem ocupa o papel de "dona" da oferenda é a própria mulher, e não seu marido.
Rambam abre sua explicação do perek com a base textual da tenufá conjunta, comparando a linguagem de "suas mãos as trarão" (referente à oferenda pacífica) com "tomará da mão da mulher" (referente à oferenda de ciúmes). A conclusão de Rambam é direta: assim como o dono participa fisicamente da tenufá da oferenda pacífica, a mulher participa da tenufá de sua própria oferenda — um ponto que ele já assinala, logo na primeira mishná do perek, como não sendo objeto de disputa entre os sábios.
Abrindo o Perek Guimel, Bartenura descreve com precisão o gesto físico da tenufá conjunta: exatamente como ocorre na oferenda pacífica, onde o sacerdote coloca sua mão sob a mão do dono e move a oferenda, também na oferenda de ciúmes o sacerdote coloca sua mão sob a mão da mulher — que, no caso desta oferenda peculiar, ocupa o lugar que normalmente pertence ao dono do sacrifício — e move o vaso com ela.