E estas estão proibidas de comer da teruma: a que diz "sou impura para ti"; e aquela sobre quem vieram testemunhas de que é impura; e a que diz "não bebo"; e aquela cujo marido não quer fazê-la beber; e aquela cujo marido teve relações com ela no caminho. Como se procede com ela? Levam-na ao tribunal daquele lugar, e lhe entregam dois estudiosos, para que não tenha relações com ela no caminho. Rabi Yehudá diz: o marido é confiável a respeito dela. — A mishná passa a enumerar situações em que a esposa fica proibida da teruma de modo definitivo, sem sequer chegar a beber as águas: se ela mesma confessa impureza, se há testemunhas diretas de sua impureza, se ela se recusa a beber, se o próprio marido desiste de submetê-la ao procedimento, ou se ele tem relações com ela depois da reclusão suspeita — pois, nesse último caso, a Torá exige que o marido esteja "livre de culpa" para que as águas tenham efeito, e ele próprio já não está. No processo de levá-la ao tribunal para o procedimento, o cuidado prático é evitar que o marido, no caminho, tenha relações com ela antes da hora — o que anularia todo o procedimento —, e por isso o tribunal designa dois estudiosos da Torá para acompanhá-los. Rabi Yehudá dispensa essa escolta, confiando na palavra do próprio marido de que nada ocorreu no caminho.
A exigência de que o marido esteja "livre de culpa" para que as águas façam efeito é explícita no próprio texto da parashá.
Bartenura explica que esse versículo é a base para excluir do procedimento a mulher cujo marido teve relações com ela depois da reclusão suspeita: as águas só têm efeito "quando o homem está livre de culpa" — ou seja, quando ele mesmo não se relacionou com ela após a reclusão —, e, se ele o fez, as águas já não têm poder de testar a esposa. A mesma passagem da Torá também é a fonte do princípio de que testemunhas de impureza real, mesmo vindas de terras distantes, anulam o efeito das águas: elas foram concebidas apenas para o caso em que ninguém sabe a verdade, não para substituir um testemunho já existente.
Rambam, no Perush HaMishná, explica por que testemunhas de infidelidade anulam as águas, e por que a lei segue os sábios contra Rabi Yehudá.
Rambam explica que as águas amargas só têm poder de julgamento — e, portanto, só poderiam causar a morte da culpada — quando não existe testemunho algum de sua infidelidade; havendo testemunhas, mesmo distantes, o caso sai da esfera do julgamento divino e passa a ser resolvido normalmente, pelo testemunho, com o divórcio da esposa. Quanto à exigência de dois estudiosos na escolta, Rambam nota que eles servem para reconhecer e aplicar a advertência devida caso algo indevido ocorra no caminho; a halachá segue os sábios, não Rabi Yehudá, pois, por ser essa uma proibição relativamente leve, a inclinação do próprio marido poderia prevalecer sobre seu testemunho interessado.
Perush de Rambam e Bartenura. Rashi não foi localizado com um comentário claramente ancorado nesta mishná específica — segue-se, honestamente, apenas com os dois primeiros comentadores.
Rambam esclarece um ponto sutil: a frase "vieram testemunhas de que é impura" se refere a testemunhas que aparecem mesmo depois de ela já ter bebido as águas amargas — pois, antes da bebida, o caso já é evidente por si mesmo, sem necessidade de esclarecimento. E, sobre a escolta, explica que os dois estudiosos são escolhidos justamente por saberem reconhecer e aplicar a advertência necessária, capazes de impedir qualquer aproximação indevida entre o marido e a esposa no trajeto até o tribunal.
Bartenura esclarece que a proibição desta lista é permanente — mesmo que ela seja filha de sacerdote —, diferente das demais suspeitas de infidelidade, que ficam proibidas apenas até beberem e serem consideradas íntegras. Sobre o caso do marido que teve relações com ela no caminho, explica que as águas deixam de ter qualquer poder de teste, pois a Torá condiciona seu efeito a que "o homem esteja livre de culpa" — e, tendo ele se relacionado com ela após a reclusão suspeita, essa condição já não se cumpre. Quanto à disputa final, nota que a halachá não segue Rabi Yehudá: se o marido já é considerado confiável sobre sua esposa mesmo na proibição grave da nidá, ainda assim os sábios preferiram não confiar apenas em sua palavra aqui, pois, sendo esta uma proibição mais leve, a inclinação pessoal do marido poderia pesar contra a verdade.