Todos os utensílios encontrados em Jerusalém no caminho de descida à casa de imersão são impuros; no caminho de subida, são puros, pois sua descida não é igual à sua subida, palavras de Rabi Meir. — Havia em Jerusalém dois caminhos distintos que levavam ao local de imersão pública, um para quem descia impuro e outro para quem subia já purificado, de modo a evitar que os impuros esbarrassem nos puros; segundo Rabi Meir, um utensílio achado no caminho de descida presume-se ter caído de alguém ainda impuro, enquanto um achado no caminho de subida presume-se de alguém já purificado.
Rabi Yosei diz: todos são puros, exceto o cesto, o rastelo e a picareta destinados a sepulturas. — Rabi Yosei discorda da distinção geográfica de Rabi Meir: para ele, a maioria dos utensílios achados em qualquer um dos caminhos presume-se pura, com a única exceção dos instrumentos especificamente usados para reunir e transportar ossos humanos em sepulturas, que continuam presumidos impuros por sua função específica.
O mesmo princípio de seguir a maioria — אחרי רבים להטת — que orientou a mishná anterior sobre a saliva encontrada nas ruas orienta também esta mishná sobre os utensílios achados nos caminhos do mikveh. A diferença entre Rabi Meir e Rabi Yosei não está no princípio em si, mas em como aplicá-lo: Rabi Meir enxerga duas populações distintas — a que desce impura e a que sobe pura — cada uma dominando fisicamente seu próprio caminho; Rabi Yosei, por sua vez, entende que a pureza é a condição predominante em Jerusalém como um todo, prevalecendo em ambos os caminhos, exceto para utensílios cuja função específica — recolher ossos de sepulturas — torna improvável que tenham vindo de mãos puras.
"Rabi Yosei diz: todos são puros" — porque os sábios não decretaram impureza sobre utensílios de status duvidoso encontrados em Jerusalém; a cidade, por sua santidade e pela maioria de seus habitantes e visitantes puros, recebe um tratamento mais leniente do que outros lugares quanto a essas dúvidas. E a lei segue a opinião de Rabi Yosei.
"Todos os utensílios encontrados" etc.: "sua descida não é igual à sua subida" — porque, quando os descem para a imersão, eles ainda são impuros; e quando os sobem, já são puros. E isso se percebe pelo local do utensílio e sua condição, conforme tenha caído no momento da descida ou no momento da subida.
"Caminho de descida à casa de imersão" — havia dois caminhos até o mikveh, um para descer e outro para subir, de modo que os impuros não tocassem os puros ao se cruzarem. "O rastelo" — o utensílio com que se recolhem e juntam ossos de mortos quando estão espalhados. "A picareta" — o utensílio com que se esmagam e quebram os ossos do morto, quando se deseja colocá-los no cesto para transportá-los de um lugar a outro.