Seder Moed · Massechet Shekalim · Perek ה׳ · Mishná 2 de 6

O número mínimo de tesoureiros e amarcalim

אֵין פּוֹחֲתִין מִשְּׁלֹשָה גִּזְבָּרִין וּמִשִּׁבְעָה אֲמַרְכָּלִין
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Estabelece o número mínimo de funcionários graduados do Templo — três tesoureiros e sete amarcalim — e o princípio geral de que nenhuma autoridade sobre dinheiro público se estabelece com menos de dois responsáveis, com duas exceções aceitas pelo consenso da maioria do público.

Não se reduz a menos de três tesoureiros e sete amarcalim.A administração superior do Templo exigia, no mínimo, três gizbarim (tesoureiros) e sete amarcalim — um posto hierarquicamente acima dos tesoureiros —, número que não podia ser reduzido, garantindo que decisões sobre o dinheiro consagrado nunca dependessem de poucas mãos.

E não se estabelece autoridade sobre o público, em matéria de dinheiro, com menos de dois — exceto Ben Achiyá, que estava sobre as doenças do intestino, e Elazar, que estava sobre as cortinas, pois esses a maioria do público os aceitou sobre si.Como regra geral, nenhum indivíduo é nomeado sozinho para posição de autoridade sobre o dinheiro da comunidade — sempre são necessários ao menos dois, para que haja verificação mútua. As duas exceções da lista de encarregados do capítulo anterior — o médico responsável pela saúde intestinal dos sacerdotes e o encarregado das cortinas — não lidavam diretamente com fundos públicos da mesma forma, e por isso o público, por consenso, aceitou que servissem sozinhos.

אֵין פּוֹחֲתִין מִשְּׁלֹשָה גִּזְבָּרִין וּמִשִּׁבְעָה אֲמַרְכָּלִין, וְאֵין עוֹשִׂין שְׂרָרָה עַל הַצִּבּוּר בְּמָמוֹן פָּחוּת מִשְּׁנַיִם, חוּץ מִבֶּן אֲחִיָּה שֶׁעַל חוֹלֵי מֵעַיִם וְאֶלְעָזָר שֶׁעַל הַפָּרוֹכוֹת, שֶׁאוֹתָן קִבְּלוּ רוֹב הַצִּבּוּר עֲלֵיהֶן:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Shemot 28:5
וְהֵם יִקְחוּ אֶת־הַזָּהָב וְאֶת־הַתְּכֵלֶת וְאֶת־הָאַרְגָּמָן וְאֶת־תּוֹלַעַת הַשָּׁנִי וְאֶת־הַשֵּׁשׁ׃
E eles tomarão o ouro, e o azul, e a púrpura, e o carmesim, e o linho fino.

O versículo, ao mandar confeccionar as vestes sacerdotais, emprega o verbo no plural — "וְהֵם יִקְחוּ", "e eles tomarão" — referindo-se aos artesãos que recebiam os materiais preciosos para a obra sagrada. Os sábios derivam daí que o mínimo de uma expressão no plural é dois; e desse "eles" no plural aplicado ao manuseio de bens valiosos consagrados ao Templo, a tradição extrai o princípio de que nenhuma autoridade sobre o dinheiro do público jamais deve ser confiada a um único indivíduo, mas sempre a pelo menos dois, para que haja controle mútuo.

Halachot · הֲלָכוֹת

Bartenura · Shekalim 5:2
אֵין עוֹשִׂין שְׂרָרָה פָּחוֹת מִשְּׁנַיִם — דִּכְתִיב וְהֵם יִקְּחוּ אֶת הַזָּהָב, מִעוּט רַבִּים שְׁנַיִם:

"Não se estabelece autoridade com menos de dois" — pois está escrito "e eles tomarão o ouro", e o mínimo de uma expressão no plural é dois.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rambam · פֵּרוּשׁ הַמִּשְׁנָה
Comentário à Mishná, Shekalim 5:2
אֵין פּוֹחֲתִין מִג׳ גִּזְבָּרִין וּמִז׳ אֲמַרְכּוֹלִין כוּ׳: גִּזְבָּרִים נִקְרָאִים אוֹתָם הָאֲנָשִׁים הַמְּמֻנִּים עַל הַמִּקְדָּשׁ, וְהֵם מִתְעַסְּקִים בְּמָמוֹן הֶקְדֵּשׁ וּבְכָל הַהֶקְדֵּשׁוֹת. וַאֲמַרְכּוֹל, מַעֲלָתוֹ גְּדוֹלָה מִן הַגִּזְבָּר, תַּרְגּוּם "וּנְשִׂיא נְשִׂיאֵי הַלֵּוִי" — "וַאֲמַרְכְּלָא דְּמָמְנָא עַל רַבְרְבֵי לֵוָאֵי". וְיֵשׁ שָׁם מַעֲלָה לְמַעְלָה מִמַּעֲלַת הָאֲמַרְכָּל, וְנִקְרָא מִי שֶׁהוּא בְּזוֹ הַמַּעֲלָה "קְתִילָק"; וְלֹא יִהְיוּ בָּזוֹ הַמַּעֲלָה פָּחוֹת מִשְּׁנַיִם. נִמְצָא הַסְּגָן תַּחַת נְשִׂיאוּת כֹּהֵן גָּדוֹל, וְהַקְּתִילוֹקִין תַּחַת נְשִׂיאוּת הַסְּגָן, וְהָאֲמַרְכּוֹלִין תַּחַת נְשִׂיאוּת הַקְּתִילוֹקִין, וְהַגִּזְבָּרִין תַּחַת נְשִׂיאוּת הָאֲמַרְכּוֹלִין. וְאָמְרוּ, שִׁבְעָה אֲמַרְכּוֹלִין מַה הֵן עוֹשִׂין — שִׁבְעָה מַפְתְּחוֹת הָעֲזָרָה בְּיָדָם, רָצָה אֶחָד מֵהֶן לִפְתֹּחַ אֵינוֹ יָכוֹל עַד שֶׁיִּכָּנְסוּ כָּל הָאֲמַרְכּוֹלִין וּפוֹתְחִין, וְגִּזְבָּרִין נִכְנָסִין. וְהֵבִיאוּ רְאָיָה שֶׁלֹּא יִהְיוּ פָּחוֹת מֵאֵלּוּ, מִיָּמִים קַדְמוֹנִים בְּדוֹרוֹת הַנְּבִיאִים, וְלֹא הָיוּ פָּחוֹת מִמַּה שֶּׁהִתְנָה בְּכָאן. וְהֵבִיאוּ אַסְמַכְתָּא שֶׁלֹּא יִהְיוּ מְמֻנִּין עַל מָמוֹן הַקָּהָל פָּחוֹת מִשְּׁנַיִם, מִפָּסוּק "וְהֵם יִקְּחוּ אֶת הַזָּהָב", וּמִעוּט כָּל לָשׁוֹן רַבִּים שְׁנַיִם:

"Não se reduz a menos de três tesoureiros e sete amarcalim etc.": chamam-se gizbarim (tesoureiros) os homens encarregados do Templo, que lidam com o dinheiro consagrado e com todas as consagrações. E o amarcal tem posto superior ao do tesoureiro — tradução de "e o príncipe dos príncipes dos levitas" (Bemidbar 3:32) é "o amarcal que preside os grandes dos levitas".

Havia ainda um posto acima do amarcal, chamado "ketilak", e nesse posto também não podia haver menos de dois. Assim, o segundo do sumo sacerdote estava sob a presidência do sumo sacerdote; os ketilokin, sob a presidência do segundo; os amarcalim, sob a presidência dos ketilokin; e os tesoureiros, sob a presidência dos amarcalim.

E ensinaram: o que faziam os sete amarcalim? Traziam consigo as sete chaves do átrio; se um deles quisesse abrir, não podia, até que todos os amarcalim se reunissem e abrissem juntos — e então os tesoureiros entravam. E trouxeram prova de que, desde os tempos antigos, nas gerações dos profetas, esse número mínimo já era observado. E trouxeram apoio, do versículo "e eles tomarão o ouro", de que nenhuma autoridade sobre o dinheiro da comunidade se estabelece com menos de dois, pois o mínimo de qualquer expressão no plural é dois.

Bartenura · בַּרְטְנוּרָא
Comentário à Mishná, Shekalim 5:2
גִּזְבָּרִים. הֵן שֶׁמָּמוֹן הַהֶקְדֵּשׁ תַּחַת יָדָם, וְהֵן פּוֹדִים הָעֳרָכִין וְהַחֲרָמִין וְהַהַקְדָּשׁוֹת, וְכָל מְלֶאכֶת הַקֹּדֶשׁ בָּהֶם נַעֲשִׂים: אֲמַרְכָּלִין. לְמַעְלָה מִן הַגִּזְבָּרִים. וּ"נְשִׂיא נְשִׂיאֵי הַלֵּוִי" (בְּמִדְבָּר ג) מְתַרְגְּמִינַן "וַאֲמַרְכָּלַיָּא דִּמְמוֹנָא". וּלְשׁוֹן אֲמַרְכָּל, אָמַר עַל כֹּל; וּבְעַרְבִי קוֹרִים לְגָדוֹל "אֱמִיר". מֶה הָיוּ שִׁבְעָה אֲמַרְכָּלִין עוֹשִׂין — שִׁבְעָה מַפְתְּחוֹת הָעֲזָרָה בְּיָדָם, רָצָה אֶחָד מֵהֶן לִפְתֹּחַ אֵינוֹ יָכוֹל עַד שֶׁיִּכָּנְסוּ כֻּלָּם וְיִפְתְּחוּ, וְהַגִּזְבָּרִים נִכְנָסִים אַחֲרֵיהֶם וּמוֹצִיאִים מַה שֶּׁהֵן צְרִיכִין. וְעוֹד מַעֲלָה אַחֶרֶת לְמַעְלָה מִן הָאֲמַרְכָּלִים הָיְתָה שָׁם, שֶׁלֹּא נִזְכְּרָה בַּמִּשְׁנָה וּמַיְתֵי לַהּ בַּתּוֹסֶפְתָּא, וְהֵן שְׁנֵי קְתִילוֹקִין. וְנִמְצְאוּ שָׁם חָמֵשׁ מַדְרֵגוֹת: כֹּהֵן גָּדוֹל, סְגָן, קְתִילוֹקִין, אֲמַרְכָּלִין, גִּזְבָּרִים: אֵין עוֹשִׂין שְׂרָרָה פָּחוֹת מִשְּׁנַיִם. דִּכְתִיב (שְׁמוֹת כח) וְהֵם יִקְּחוּ אֶת הַזָּהָב, מִעוּט רַבִּים שְׁנַיִם:

"Tesoureiros" — são aqueles sob cuja mão está o dinheiro consagrado, e são eles que resgatam as avaliações votivas, os anátemas e as consagrações, sendo por eles feito todo trabalho relativo ao sagrado.

"Amarcalim" — postos acima dos tesoureiros. "O príncipe dos príncipes dos levitas" (Bemidbar 3) traduzimos como "e os amarcalim encarregados do dinheiro sobre os grandes dos levitas". A palavra amarcal significa "que fala sobre tudo"; e em árabe chamam o grande de "amir". O que faziam os sete amarcalim? Traziam consigo as sete chaves do átrio; se um deles quisesse abrir, não podia, até que todos entrassem e abrissem juntos, entrando então os tesoureiros atrás deles e retirando o que precisavam.

Havia ainda outro posto acima dos amarcalim, não mencionado na Mishná mas trazido na Tosefta — os dois ketilokin. Encontram-se assim cinco níveis: o Sumo Sacerdote, o Segundo, os ketilokin, os amarcalim e os tesoureiros.

"Não se estabelece autoridade com menos de dois" — pois está escrito (Shemot 28) "e eles tomarão o ouro", e o mínimo de uma expressão no plural é dois.

Massechet Shekalim não possui Guemará no Talmud Bavli — este tratado só tem Guemará no Talmud Yerushalmi, restando no Bavli apenas a Mishná e a Tosefta. Por isso, o comentário de Rashi é omitido nesta e em todas as demais mishnayot deste tratado.