Seder Moed · Massechet Shekalim · Perek ג׳ · Mishná 4 de 4

Cobrindo os cofres e as três regiões da teruma

תָּרַם אֶת הָרִאשׁוֹנָה וּמְחַפֶּה בִּקְטַבְלָאוֹת
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Encerra o Perek Guimel com dois detalhes finais do procedimento da teruma: o costume de cobrir com couros o dinheiro restante na câmara após cada uma das duas primeiras separações, para evitar erro na terceira, e a atribuição simbólica de cada teruma a uma região geográfica diferente, conforme a distância dos doadores.

Separou a primeira e cobre com couros; a segunda e cobre com couros; a terceira não cobria, para que não esquecesse e separasse do que já havia sido separado.Depois de retirar a primeira porção da câmara para comprar os sacrifícios da festa de Pêssach, o tesoureiro cobria com couros curtidos o restante do dinheiro, para que, ao longo dos meses seguintes, novos shekalim recém-chegados de regiões mais distantes fossem depositados por cima da cobertura — evitando confundi-los com o dinheiro já separado. O mesmo se repetia após a segunda separação, na época de Shavuot. Mas depois da terceira e última separação, na época de Sucot, não havia mais necessidade de cobrir, pois não restava mais nenhuma teruma futura naquele ano a temer confundir.

Separou a primeira em nome da Terra de Israel, e a segunda em nome das cidades circunvizinhas a ela, e a terceira em nome da Babilônia, em nome da Média e em nome das regiões distantes.Ainda que cada teruma sempre fosse separada em nome de todo o povo de Israel — sobre o já coletado e sobre o que ainda estava por coletar —, a mishná associa simbolicamente cada uma das três terumot à origem geográfica predominante dos shekalim já reunidos naquele momento: a primeira, mais próxima da data de Pêssach, corresponde aos moradores da própria Terra de Israel, que enviavam seus shekalim primeiro; a segunda, às cidades vizinhas que levavam mais tempo para enviar; e a terceira, aos judeus da diáspora mais distante — Babilônia, Média e regiões ainda mais remotas —, cujos shekalim demoravam mais a chegar.

תָּרַם אֶת הָרִאשׁוֹנָה וּמְחַפֶּה בִּקְטַבְלָאוֹת, שְׁנִיָּה וּמְחַפֶּה בִּקְטַבְלָאוֹת. שְׁלִישִׁית לֹא הָיָה מְחַפֶּה, שֶׁמָּא יִשְׁכַּח וְיִתְרֹם מִן הַדָּבָר הַתָּרוּם. תָּרַם אֶת הָרִאשׁוֹנָה לְשֵׁם אֶרֶץ יִשְׂרָאֵל, וּשְׁנִיָּה לְשׁוּם כְּרַכִין הַמֻּקָּפִין לָהּ, וְהַשְּׁלִישִׁית לְשׁוּם בָּבֶל וּלְשׁוּם מָדַי וּלְשׁוּם מְדִינוֹת הָרְחוֹקוֹת:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Shemot 30:15-16
הֶעָשִׁיר לֹא יַרְבֶּה וְהַדַּל לֹא יַמְעִיט מִמַּחֲצִית הַשָּׁקֶל... וְלָקַחְתָּ אֶת כֶּסֶף הַכִּפֻּרִים מֵאֵת בְּנֵי יִשְׂרָאֵל, וְנָתַתָּ אֹתוֹ עַל עֲבֹדַת אֹהֶל מוֹעֵד.
O rico não pagará mais e o pobre não pagará menos do que meio shekel... e tomarás o dinheiro das expiações dos filhos de Israel, e o darás para o serviço da tenda do encontro.

A frase "dos filhos de Israel" (בְּנֵי יִשְׂרָאֵל), sem qualquer distinção geográfica entre os que moram na terra e os que vivem na diáspora, sustenta o entendimento de que cada uma das três terumot é separada em nome de todo o povo — "sobre o já coletado e sobre o que ainda está por coletar", conforme já explicado nas mishnayot anteriores deste perek. A atribuição simbólica de cada teruma a uma região específica — Terra de Israel, cidades circunvizinhas, ou Babilônia e regiões distantes — não altera esse princípio unificador, mas apenas reflete a ordem natural em que os shekalim de cada região tendiam a chegar a Jerusalém, conforme a distância percorrida.

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Mishné Torá, Hilchot Shekalim 2:6
תָּרַם אֶת הָרִאשׁוֹנָה מְכַסֶּה אֶת הַשְּׁיָרִים בְּעוֹרוֹת, וְכֵן בַּשְּׁנִיָּה, וּבַשְּׁלִישִׁית אֵינוֹ מְכַסֶּה, שֶׁלֹּא יָבֹא לִתְרֹם פַּעַם רְבִיעִית מִדָּבָר שֶׁכְּבָר נִתְרַם.

Separou a primeira, cobre os restos com couros; e assim na segunda; e na terceira não cobre, para que não venha a separar uma quarta vez algo já separado.

Rambam · Mishné Torá, Hilchot Shekalim 2:7
בְּכָל תְּרוּמָה וּתְרוּמָה מִשָּׁלֹשׁ הַתְּרוּמוֹת, תּוֹרֵם עַל דַּעַת כָּל יִשְׂרָאֵל, בֵּין הַקָּרוֹב בֵּין הָרָחוֹק, בֵּין הַגָּבוּי בֵּין הֶעָתִיד לִגָּבוֹת.

Em cada uma das três terumot, separa-se em nome de todo o Israel — tanto o próximo quanto o distante, tanto o já coletado quanto o que ainda está por ser coletado.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rambam · פֵּרוּשׁ הַמִּשְׁנָה
Comentário à Mishná, Shekalim 3:4
הַשָּׁלֹשׁ קֻפּוֹת הַגְּדוֹלוֹת שֶׁבָּהֶן כָּל הַמָּמוֹן, שֶׁבֵּאַרְנוּ שֶׁהֵן מַחֲזִיקוֹת שִׁבְעָה וְעֶשְׂרִים סְאָה, הָיוּ מְכֻסּוֹת בְּשָׁלֹשׁ מִטְפָּחוֹת, וְהָיָה נִכְנָס הַתּוֹרֵם בְּשָׁלֹשׁ קֻפּוֹת קְטַנּוֹת הַמַּחֲזִיקוֹת תִּשְׁעָה סְאִין, וְהָיָה מְמַלֵּא הַקֻּפָּה הַכָּתוּב עָלֶיהָ אָלֶ"ף מֵאַחַת מִן הַשָּׁלֹשׁ קֻפּוֹת הַגְּדוֹלוֹת, וְאַחַר כָּךְ מְכַסֶּה אוֹתָהּ בְּמִטְפַּחְתָּהּ. וְזֶהוּ עִנְיַן אָמְרָם שֶׁמָּא יִתְרֹם מִן הַתָּרוּם, וּכְשֶׁמַּנִּיחָהּ מְגֻלָּה תִּהְיֶה נִכֶּרֶת.

Os três cofres grandes onde estava todo o dinheiro, que já explicamos que continham vinte e sete seá, eram cobertos com três panos, e o tesoureiro entrava com três cofres pequenos, cada um com capacidade de nove seá, e enchia o cofre em que estava escrito alef a partir de um dos três cofres grandes, e depois o cobria com seu pano. E este é o significado do que disseram "para que não separasse do que já foi separado" — pois quando o deixa descoberto, ficará reconhecível.

Bartenura · בַּרְטְנוּרָא
Comentário à Mishná, Shekalim 3:4
תָּרַם אֶת הָרִאשׁוֹנָה וּמְחַפֶּה בִקְטַבְלָאוֹת: תְּרוּמָה רִאשׁוֹנָה שֶׁהָיְתָה בִּפְרֹס הַפֶּסַח, לְאַחַר שֶׁתָּרַם אוֹתָהּ הָיָה מְכַסֶּה כָּל הַשְּׁקָלִים הַנִּשְׁאָרִים בַּלִּשְׁכָּה בִקְטַבְלָאוֹת, דְּהַיְנוּ עוֹר שָׁלוּק, כְּדֵי שֶׁיִּתְּנוּ עָלָיו הַשְּׁקָלִים שֶׁיָּבִיאוּ מִמְּדִינוֹת שֶׁסְּבִיב אֶרֶץ יִשְׂרָאֵל שֶׁלֹּא יָכְלוּ לְהָבִיא קֹדֶם הַפֶּסַח, וּמְבִיאִים מִפֶּסַח וְעַד עֲצֶרֶת. הָרִאשׁוֹנָה לְשֵׁם אֶרֶץ יִשְׂרָאֵל: שֶׁהֵם שָׁלְחוּ שִׁקְלֵיהֶם תְּחִלָּה, שֶׁהָאֲחֵרִים עֲדַיִן לֹא הֵבִיאוּ. לְשׁוּם כְּרַכִּים הַמֻּקָּפִים: הַסְּמוּכִים, כְּמוֹ עַמּוֹן וּמוֹאָב וְכַיּוֹצֵא בָהֶן. וּמִכָּל מָקוֹם, בְּכָל פַּעַם וּפַעַם הָיוּ תּוֹרְמִין עַל שֵׁם כָּל יִשְׂרָאֵל, עַל הַגָּבוּי וְעַל הֶעָתִיד לִגְבּוֹת. וְלֹא הִזְכִּיר הַתַּנָּא חִלּוּקֵי מְקוֹמוֹת הַלָּלוּ אֶלָּא לְהוֹדִיעֲךָ שֶׁתִּקְּנוּ שְׁלֹשָׁה פְּרָקִים אֵלּוּ לְפִי שֶׁאָז יִתְקַבְּצוּ כָּל שִׁקְלֵי יִשְׂרָאֵל.

"Separou a primeira e cobre com couros" — a primeira teruma, que era na véspera de Pêssach; depois de separá-la, cobria todos os shekalim restantes na câmara com "ketavlaot", isto é, couro curtido, para que colocassem sobre ele os shekalim que trouxessem das regiões ao redor da Terra de Israel, que não puderam trazer antes de Pêssach, e trazem entre Pêssach e Shavuot.

"A primeira em nome da Terra de Israel" — pois eles enviaram seus shekalim primeiro, já que os demais ainda não os haviam trazido. "Em nome das cidades circunvizinhas" — as próximas, como Amon, Moav e semelhantes. Mas de qualquer forma, em cada vez separavam em nome de todo o Israel, sobre o já coletado e sobre o que ainda estava por ser coletado; e o Tana não mencionou essas divisões de lugares senão para te informar que instituíram esses três momentos porque então se reuniam todos os shekalim de Israel.

Massechet Shekalim não possui Guemará no Talmud Bavli — este tratado só tem Guemará no Talmud Yerushalmi, restando no Bavli apenas a Mishná e a Tosefta. Por isso, o comentário de Rashi é omitido nesta e em todas as demais mishnayot deste tratado.
סְלִיקָא לֵיהּ פֶּרֶק שְׁלִישִׁי

Aqui termina o Perek Guimel de Massechet Shekalim.