Ainda que tenham dito que não se penhoram mulheres, escravos e menores, se pagaram, recebe-se de sua mão. — A isenção de mulheres, escravos e menores mencionada na terceira mishná é apenas quanto à cobrança coercitiva; se, por iniciativa própria, algum deles pagar o meio shekel, a câmara do Templo aceita normalmente essa contribuição.
O gentio e o cuteu que pagaram — não se recebe de sua mão. — Já os não-judeus estão totalmente fora do sistema: mesmo que desejassem contribuir com o machatzit hashekel para as ofertas públicas, sua contribuição não é aceita, pois essas ofertas devem representar exclusivamente o povo de Israel.
E não se recebe de sua mão ninhos de zavim, ninhos de zavot, ninhos de parturientes, nem chatot e ashamot; mas votos e doações voluntárias, recebe-se de sua mão. — Da mesma forma, não se aceitam de não-judeus os pares de aves trazidos por quem sofreu impurezas específicas de Israel — como o zav, a zavá ou a parturiente —, nem sacrifícios expiatórios obrigatórios, pois essas categorias pressupõem uma condição ou transgressão exclusivamente ligada à condição de israelita. Mas ofertas voluntárias — um voto ou uma doação espontânea, como uma oferenda de subida (olá) — essas sim se aceitam de um gentio, pois qualquer pessoa pode trazer esse tipo de sacrifício.
Esta é a regra: tudo que é objeto de voto ou de doação, recebe-se de sua mão; tudo que não é objeto de voto ou de doação, não se recebe de sua mão. E assim está explicado por meio de Ezra, como está dito: "não é para vós nem para nós edificar casa ao nosso D'us." — A regra geral, então, é que a aceitação de contribuições de não-judeus depende inteiramente de sua natureza: se é algo voluntário, como um voto ou uma doação, é aceito; se pressupõe pertencimento ao povo de Israel — como o shekel comunitário ou uma expiação obrigatória —, é recusado. Esse princípio já estava implícito na resposta dada pelos líderes judeus na época de Ezra aos samaritanos que se ofereceram para ajudar a reconstruir o Templo: recusaram a parceria, afirmando que a construção da Casa do Eterno era tarefa exclusiva do povo de Israel.
Quando os samaritanos se ofereceram para ajudar na reconstrução do Segundo Templo, os líderes de Israel recusaram categoricamente a parceria — não por hostilidade pessoal, mas por princípio: a construção e a manutenção da Casa do Eterno pertencem exclusivamente ao povo com quem D'us fez a aliança. A Mishná generaliza esse episódio numa regra que rege toda contribuição de um não-judeu ao Templo: tudo o que decorre de um vínculo pessoal e voluntário — um voto, uma doação espontânea — é aceito de qualquer pessoa, pois nesses casos o doador está simplesmente exercendo um direito universal de se aproximar de D'us; mas tudo o que decorre de pertencimento à comunidade de Israel — o shekel comunitário, as expiações obrigatórias — é reservado exclusivamente aos filhos de Israel.
E se as mulheres, os escravos e os menores derem o shekel, recebe-se deles; mas os cuteus que derem o meio shekel, não se recebe deles.
Dos gentios recebe-se sacrifício por voto ou por doação voluntária, como de Israel, como está dito: "cada homem da casa de Israel, e do convertido em Israel, que trouxer sua oferenda." Mas não se recebe deles oferenda de pecado (chatat) nem oferenda de culpa (asham).
"Ainda que tenham dito que não se penhoram" etc. — disseram: "não se recebe de sua mão ninhos de zavim, ninhos de zavot, ninhos de parturientes" — refere-se à mão dos cuteus; mas o gentio não conhece essas leis e não se ocupa delas. Sempre a última cláusula da mishná se refere ao cuteu, e por isso se recebem dele chatot e ashamot, pois, tendo tido a intenção de se expiar, talvez ele se arrependa. Mas dos gentios não se recebem chatot e ashamot, pois não são objeto de voto ou doação. E a lei decidida é que não se recebe dos gentios nenhum sacrifício, exceto a oferenda de subida (olá) trazida por voto ou por doação voluntária.
"Recebe-se de sua mão" — com a condição de que o entreguem inteiramente ao público, para que não resulte um sacrifício público sendo oferecido com a contribuição de um indivíduo isolado.
"Ninhos de zavim e zavot" — pombos e rolinhas que os que sofrem de fluxo (zav) e as que sofrem de fluxo (zavá) trazem; e fala-se aqui apenas dos cuteus, pois não há a condição de zav e zavá entre os idólatras.
"Tudo que é objeto de voto ou de doação, recebe-se de sua mão" — pois se ensina: "cada homem" — para incluir os convertidos que fazem votos e doações como Israel.
"E assim está explicado por meio de Ezra" — quando os cuteus quiseram ajudá-los e lhes enviaram a mensagem "construiremos convosco, pois como vós buscamos o vosso D'us", o que lhes responderam? "Não é para vós e para nós construir casa em sociedade para o nosso D'us" — e "para vós não há parte, nem justiça, nem memória em Jerusalém".