Disse Rabi Yehudá: Ben Bucri testemunhou em Yavne que todo sacerdote que paga o shekel não transgride. — Ben Bucri relatou uma tradição segundo a qual, embora os sacerdotes estivessem isentos na prática de pagar o shekel, aquele que decidisse pagá-lo mesmo assim não estaria cometendo nenhuma transgressão ao fazer isso — contrariando a suposição de que sua isenção seria absoluta a ponto de tornar proibido o próprio ato de pagar.
Disse-lhe Rabán Yochanan ben Zakai: não é assim; antes, todo sacerdote que não paga o shekel transgride. — Rabán Yochanan ben Zakai discordou frontalmente: na verdade, os sacerdotes estão sim obrigados ao machatzit hashekel como qualquer outro israelita, e é justamente aquele que deixa de pagar que comete uma transgressão — invertendo por completo o sentido da testemunha de Ben Bucri.
Mas os sacerdotes interpretam este versículo para si mesmos: "e toda oferenda de sacerdote será completamente queimada; não se comerá" — visto que o omer, os dois pães e o pão da proposição são nossos, como se comem? — Rabán Yochanan ben Zakai explica então a origem do costume equivocado dos sacerdotes de se isentarem: eles aplicavam a si mesmos o princípio de que toda oferenda de cereais trazida por um sacerdote deve ser inteiramente queimada, sem que nenhuma parte seja comida — pois esse é o destino normal das minchot oferecidas por sacerdotes. Mas o omer, os dois pães de Shavuot e o pão da proposição são oferendas públicas compradas com o dinheiro da câmara do Templo, das quais os próprios sacerdotes comem uma parte; se eles fossem coproprietários dessas ofertas por terem contribuído com seus shekalim, não poderiam comê-las, já que qualquer parte de uma mincha pertencente a um sacerdote deveria ser queimada por inteiro. Foi esse raciocínio — na verdade equivocado, pois a regra da queima total se aplica apenas à mincha exclusiva de um sacerdote, não a uma oferenda pública em que ele tem participação — que levou os sacerdotes a concluir, erroneamente, que estavam isentos de pagar o shekel.
Este versículo é o centro de todo o debate: estabelece que uma mincha — oferenda de cereais — trazida por um sacerdote deve ser queimada por inteiro sobre o altar, sem que nenhuma parte dela seja comida, ao contrário das minchot de um israelita comum, das quais o sacerdote oficiante come uma porção. Os sacerdotes de Yavne aplicavam esse princípio a si mesmos de forma ampla demais, concluindo que, se contribuíssem com seu shekel para a compra de ofertas públicas de cereais — o omer, os dois pães de Shavuot, o pão da proposição —, essas ofertas se tornariam proibidas ao consumo sacerdotal, já que teriam uma participação de sacerdote nelas. Rabán Yochanan ben Zakai corrige essa leitura: o versículo fala apenas da mincha trazida exclusivamente por um sacerdote, não de uma oferenda pública, comprada com o dinheiro de toda a nação, da qual o sacerdote é apenas um entre milhares de contribuintes.
Todos estão obrigados a dar o meio shekel — sacerdotes, levitas, israelitas, convertidos e escravos libertos — mas não mulheres, escravos e menores. E se estes últimos derem, recebe-se deles.
A oferenda de cereais de um sacerdote — seja de obrigação, seja voluntária — é inteiramente destinada ao Altíssimo, como está dito: "e toda oferenda de cereais de sacerdote será completamente queimada; não se comerá."
"Disse Rabi Yehudá: Ben Bucri testemunhou" etc. — disse Rabán Yochanan ben Zakai que a razão exige que todo Israel esteja obrigado a pagar o shekel, pois é resgate da alma. E como os sacerdotes interpretavam "toda oferenda de cereais de sacerdote" como referindo-se apenas às oferendas de um indivíduo sozinho — pois dizem: "a oferenda de um indivíduo é oferecida por inteiro, mas a oferenda pública não é oferecida por inteiro" —, por isso, se quisessem dar seus shekalim, era permitido, como testemunhou Ben Bucri.
"Todo sacerdote que paga o shekel não transgride" — mesmo não estando obrigado a pagar; e poder-se-ia pensar que, se pagasse, resultaria que um sacrifício público seria oferecido com a contribuição de um indivíduo — por isso nos ensina que ele não transgride.
"Todo sacerdote que não paga transgride" — e o versículo "todo aquele que passar pelo recenseamento" é interpretado assim: todo aquele que passou pelo Mar de Suf ao ser contado — isto é, sacerdotes, levitas e israelitas, que todos passaram o mar ao serem recenseados — dará a oferenda do Eterno.
"Para si mesmos" — para seu próprio benefício; e não é uma interpretação correta, pois o versículo disse "será completamente queimada" apenas a respeito da oferenda de um sacerdote sozinho, e não daquela em que ele tem participação com o público. E a lei é que os sacerdotes estão obrigados a dar o meio shekel, e não se toma penhor deles, por causa dos caminhos da paz.