Aquele que transporta a cesta dos mascates — vendedores de perfumes para adorno feminino, que carregam pequenas cestas com sortimentos de aromas — ainda que haja nela muitas espécies, não é responsável senão por uma única oferenda pelo pecado — pois todo o conteúdo é considerado um único ato de transporte. Sementes de horta — que não servem para alimento humano — menos que a medida de um figo seco — já torna responsável, por serem destinadas ao plantio. Rabi Yehudá ben Beteirá diz: cinco — sementes, sem necessidade da medida do figo seco. Semente de pepino, duas. Semente de abóbora, duas. Semente de feijão-egípcio, duas. Gafanhoto vivo puro, qualquer quantidade — mesmo o menor deles. Morto, a medida de um figo seco — como qualquer outro alimento. Mosca-das-vinhas, seja viva seja morta, qualquer quantidade — por ser guardada para fins medicinais. Rabi Yehudá diz: também aquele que transporta gafanhoto vivo impuro, qualquer quantidade — é responsável, mesmo em pequena porção — pois se guarda para uma criança brincar com ele.
Esta última mishná não traz nenhuma fonte bíblica — encerra o capítulo com o mesmo estilo enumerativo de medidas mínimas que dominou a segunda metade do Perek Tet, dando continuidade direta ao Perek Yud, que abrirá com mais medidas de transporte.
O fio que une o capítulo. O Perek Tet começou com quatro ensinamentos de Rabi Akiva e outros sábios apoiados em versículos proféticos e poéticos (impureza da idolatria, pureza do navio, canteiro de sementes, sêmen impuro, banho da mila, fita escarlate, unção em Yom Kipur), e terminou com três mishnayot (9:5, 9:6 e esta) que retomam sem transição explícita o tema técnico das medidas mínimas de transporte no Shabat — o mesmo assunto que ocupou os Perakim Zayin e Chet inteiros. A Guemará explica essa organização pelo princípio de que a Mishná, ao tratar de "de onde se aprende" halachot semelhantes por método (ainda que distantes por assunto), aproveitou o ensejo para reunir todas de uma vez, e depois retornou ao curso normal da matéria. O Perek Yud, que se seguirá, continuará precisamente de onde o Perek Zayin havia parado.
Como o Rambam codifica estas medidas finais em Hilchot Shabat, capítulo dezoito.
Por que a halachá não segue nenhuma das duas opiniões adicionais. A halachá não segue Rabi Yehudá ben Beteirá quanto à medida de cinco grãos para sementes de horta em geral, mantendo a medida padrão de "menos que um figo seco" para o primeiro sábio anônimo — critério que o Rambam codifica sem alteração. Também não segue Rabi Yehudá quanto ao gafanhoto vivo impuro: a opinião do primeiro sábio, de que apenas o gafanhoto puro vivo tem medida de "qualquer quantidade" (por ser guardado como alimento, mesmo pequeno), é a que prevalece — pois teme-se que o gafanhoto impuro guardado para uma criança morra antes que ela perceba, e a criança acabe por comê-lo, sendo proibido.
Os comentadores explicam a lógica de cada medida, e encerram, com esta mishná, o comentário ao Perek Tet.
"Mascates" vendem perfumes. "Sementes de horta" são as sementes não próprias para alimento, como semente de pepino, cebola, nabo e semelhantes; e quem transportou de uma delas próximo à medida de um figo seco é responsável...
E o sentido de "gafanhoto vivo, qualquer quantidade" é dizer que mesmo que fosse extremamente pequeno já basta para gerar responsabilidade. E a halachá não é como Rabi Yehudá ben Beteirá, nem como Rabi Yehudá.
"Os mascates" — vendedores de perfumes para adorno de mulheres, que têm pequenas cestas para os pacotinhos de perfumes.
"Não é responsável senão por uma única oferenda" — pois tudo isso é considerado um único ato de transporte.
"Gafanhoto vivo, qualquer quantidade" — pois se guarda para uma criança brincar com ele. "Gafanhoto vivo impuro, qualquer quantidade" — opinião de Rabi Yehudá; mas o primeiro sábio entende que, sendo impuro, não se guarda para uma criança, pois teme-se que ele morra e ela acabe comendo-o. E a halachá não é como Rabi Yehudá.
"A Mishná: mascates" — vendedores de perfumes para adorno de mulheres, que têm pequenas cestas para os pacotinhos de perfumes. "Não é responsável senão por uma única oferenda" — pois tudo isso é considerado um único ato de transporte.
"Menos que a medida de um figo seco" — ainda que todos os alimentos tenham sua medida fixada em um figo seco, estas sementes, por se destinarem ao plantio, já geram responsabilidade mesmo em quantidade menor que a de um figo seco.
"A medida suficiente para adubar" — expressão da Guemará, ao explicar a medida de duas sementes de pepino e afins: logo se vê que a semente proveniente de um único grão já é considerada significativa. "Isto quando plantadas" — pois uma vez que são plantadas, cada uma delas se torna significativa, e a pessoa se dá ao trabalho de adubar mesmo uma única planta; mas quando não plantadas, ninguém se dá ao trabalho de plantar um único grão isolado, e por isso a medida mínima de responsabilidade é maior nesse caso — duas sementes, não uma.
Encerrando o Perek Tet. Com esta mishná se fecha o nono capítulo do tratado de Shabat — um capítulo de caráter duplo, que abriu com uma coleção de ensinamentos exegéticos de Rabi Akiva e outros sábios apoiados em versículos de Yeshayahu, Mishlei, Shemot, Bereshit e Tehilim, e que se encerrou retomando o fio técnico das medidas mínimas de transporte que atravessa os Perakim Zayin, Chet e Tet como um todo. O Perek Yud, a seguir, continuará exatamente esse mesmo assunto, com novas categorias de objetos e novas medidas.