Pimenta, qualquer quantidade — por servir para perfumar o hálito. E alcatrão, qualquer quantidade — por servir de remédio para dor de cabeça. Diversos tipos de especiarias e diversos tipos de metais, qualquer quantidade — as especiarias por seu aroma, os metais por servirem, mesmo em pedaço pequeno, para fabricar um pequeno instrumento pontiagudo. Das pedras do altar e do pó do altar, dos fragmentos apodrecidos de livros sagrados e dos fragmentos apodrecidos de seus panos, qualquer quantidade — pois se guardam para serem sepultados ritualmente (genizá), sendo objetos sagrados. Rabi Yehudá diz: também aquele que transporta objetos usados no serviço da idolatria, qualquer quantidade, é responsável, mesmo em pequena porção — como está dito (Devarim 13): "e não se apegue à tua mão nada do que for consagrado à destruição."
Apenas a última opinião desta mishná, a de Rabi Yehudá, traz um versículo — e não como base para a proibição em si, mas como reforço retórico de uma cautela já estabelecida.
Por que Rabi Yehudá cita este versículo. A Torá, ao ordenar a destruição total de uma cidade que se voltou para a idolatria, adverte que nem mesmo um fragmento mínimo dos bens condenados deve permanecer em posse de alguém. Rabi Yehudá lê nessa advertência um princípio mais amplo: qualquer objeto associado ao serviço idólatra é tratado pela Torá como significativo em qualquer quantidade, por menor que seja — e por isso ele estende a regra "qualquer quantidade" (já aplicada nesta mishná a pimenta, alcatrão, especiarias, metais e objetos sagrados) também aos utensílios de idolatria. Como observa o Bartenura, isso mostra "um grande reparo" que a pessoa realiza ao remover de sua casa qualquer resquício de idolatria — mas a halachá não segue Rabi Yehudá nesta opinião adicional.
Como o Rambam codifica a medida de "qualquer quantidade" para objetos preciosos e para objetos sagrados.
Dois tipos de "qualquer quantidade". O Rambam distingue implicitamente duas categorias reunidas nesta mishná: objetos preciosos por sua função concentrada — pimenta, alcatrão, especiarias e metais, cujo valor está em que mesmo uma quantidade mínima já cumpre integralmente sua função (perfumar, curar, fabricar um pequeno instrumento) — e objetos sagrados que, tendo caído em desuso ou se deteriorado, ainda assim retêm sua santidade em qualquer fragmento e exigem sepultamento ritual (genizá), nunca podendo ser descartados como lixo comum. É esta segunda razão — a santidade residual — que torna qualquer fragmento de pedra do altar, pó do altar, ou de livros e panos sagrados deteriorados, digno da mesma medida mínima de responsabilidade no transporte em Shabat.
Os comentadores explicam a razão prática de cada item da lista, e por que a opinião de Rabi Yehudá não prevalece.
"Alcatrão" é conhecido, e em árabe se chama katran. E "tipos de metais" são utensílios metálicos com que se trituram especiarias, pois são materiais duros e resistentes, e mesmo um pequeno pedaço deles é apto para se fabricar um pequeno instrumento pontiagudo ou semelhante. E "mekek" (fragmento apodrecido) é a coisa que se deteriora, que apodreceu e da qual não resta senão um vestígio — palavra hebraica relacionada a "convosco eles se consumirão" (Zacarias 14).
"Pimenta, qualquer quantidade" — pois serve para perfumar o hálito. "Alcatrão, qualquer quantidade" — pois com ele se cura quem tem dor de cabeça (dor de meia-cabeça, enxaqueca).
"Que se guardam para serem sepultados" — pois todo objeto sagrado exige sepultamento ritual.
"Nada" — o versículo mostra que a Torá considera significativa a proibição de manter qualquer resquício de idolatria, e é um grande reparo que a pessoa realiza quando remove idolatria de sua casa. E a halachá não é como Rabi Yehudá.
"Para tzalachata" — termo aramaico para dor de meia-cabeça. "Mau odor" — substâncias com que se defuma doentes e crianças, como chiltit, para afastar delas os espíritos nocivos.
"Púrpura" — tinta com que se tinge de púrpura; sua razão para estar incluída entre os "qualquer quantidade" não foi explicada na Guemará, mas a mim parece que também ela é apta para ser cheirada como perfume, justificando sua inclusão entre as substâncias aromáticas.