A medida do osso é a medida de fazer um tarvad — uma colher. Rabi Yehudá diz: a medida é a de fazer dele um chaf — um dente de chave. A medida do vidro é a medida de raspar com ele a ponta do carcar — o fuso do tecelão. A medida de um seixo ou uma pedra é a medida de jogar contra um pássaro — para espantá-lo. Rabi Eliezer bar Yaakov diz: a medida é a de jogar contra um animal — maior que a do pássaro, pois é preciso mais força e, portanto, uma pedra maior.
A Mishná passa aos objetos de uso doméstico e artesanal mais simples — osso, vidro e pedra — sempre medidos pelo uso mais comum.
Por que esta Mishná gira em torno deste versículo. A menção explícita ao boi e ao jumento neste versículo de Devarim conecta-se ao tema desta mishná: mesmo o gesto de espantar um animal ou um pássaro com uma pedra é considerado uma ação de melachá quando envolve transportar essa pedra de um domínio a outro. A Guemará (Shabat 81a) explica que a medida do seixo para espantar um pássaro é menor que a exigida para um animal maior, porque basta um objeto pequeno — ou até mesmo um som — para afugentar uma ave, enquanto animais maiores exigem mais força e, portanto, uma pedra de maior porte para realmente cumprir sua função. O mesmo princípio de "uso mínimo real" que rege todo o perek aparece aqui aplicado aos objetos mais triviais do cotidiano: um caco de osso vira colher, um caco de vidro vira ferramenta de tecelagem, uma pedra vira instrumento de defesa da lavoura.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O que os grandes comentadores dizem sobre a lógica que fixa cada medida destes objetos simples do cotidiano.
Tarvad é uma colher pequena, como as dos médicos, e também a chamam tarvor, e muitos fazem-na entre nós. E chaf é um dente entre os dentes de uma chave de madeira. E carcar é conhecido, e em língua estrangeira chama-se tortir, sendo o fuso do tecelão.
"Tarvad" — colher. "Chaf" — um dente entre os dentes da chave com que se abrem as portas. E não é a halachá como Rabi Yehudá.
"Carcar" — ferramenta dos tecelões, que se passa sobre a urdidura quando ela está esticada diante deles, e com ela se ajeitam os fios.
"A medida de jogar contra um animal" — pois ninguém se dá ao trabalho de pegar um seixo apenas para espantar um pássaro, já que basta um simples som para afugentá-lo — por isso a medida da pedra usada contra o pássaro é a menor de todas, bastando o gesto mínimo para cumprir sua função.
"Nossa Mishná: 'tarvad'" — é a colher de um cirurgião. "Chaf" — havia-se pensado inicialmente que se tratava da própria fechadura do dente da chave, e sua medida seria maior que a do tarvad — mas a conclusão da Guemará é que se trata apenas do dente, não da fechadura inteira.
"Carcar" — é um pedaço de madeira que têm os tecelões, de ponta afiada.
"A medida de jogar contra um animal" — pois ninguém se dá ao trabalho de pegar um seixo apenas para espantar um pássaro, já que basta simplesmente lançar um som qualquer contra ele, e ele já vai embora — encerrando, com esta distinção entre pássaro e animal, o conjunto de objetos triviais do cotidiano antes que a última mishná do perek retome o tema do caco de barro com que o Perek Zayin já havia insinuado.