A medida da terra é a de um selo de sacos grandes — palavras de Rabi Akiva. E os Sábios dizem: a medida é a de um selo de cartas. A medida do esterco e da areia fina é a medida de adubar um pé de couve — palavras de Rabi Akiva. E os Sábios dizem: a medida é a de adubar um alho-poró. A medida da areia grossa é a medida de colocar sobre uma colher cheia de cal. A medida da cana é a medida de fazer uma pena de escrever. E se a cana estava grossa ou esmagada — imprópria para escrita — sua medida é a de cozinhar nela o ovo mais leve entre os ovos, batido e colocado na panela.
A Mishná passa dos materiais de artesanato para os elementos ligados à terra e à agricultura, mantendo o mesmo princípio de medida pelo uso costumeiro.
Por que esta Mishná gira em torno deste versículo. A menção ao "teu animal" no mandamento do Shabat lembra que também a atividade agrícola e pastoril — adubar plantações, cuidar do rebanho, transportar terra e esterco — está sujeita à proibição da melachá. A Guemará (Shabat 80a-80b) discute longamente a disputa entre Rabi Akiva e os Sábios: Rabi Akiva fixa medidas maiores porque considera o uso comercial mais significativo (selar grandes sacos de mercadoria, adubar uma planta maior como a couve), enquanto os Sábios fixam medidas menores, referentes a usos mais modestos (selar cartas pessoais, adubar um alho-poró). A halachá segue os Sábios, cuja medida menor é mais rigorosa para quem transporta — pois quanto menor a quantidade que já gera obrigação, maior o cuidado exigido. A cana, por fim, ilustra como uma mesma substância pode ter duas medidas diferentes conforme sua qualidade: fina e reta, serve para pena de escrever; grossa ou quebrada, serve apenas como combustível para cozinhar.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam, que decide a halachá conforme os Sábios contra Rabi Akiva.
O que os grandes comentadores dizem sobre a lógica que fixa cada medida destes materiais ligados à terra.
"Adamá" — barro vermelho — dele se fazem selos para os sacos nos quais os comerciantes colocam seu dinheiro, chamados martzufim, e da mesma forma se fazem selos para os documentos.
E "kelach" significa raiz. E "kereshá" é o alho-poró, em hebraico chatzir... E "areia grossa" é a areia espessa. "Grossa" — que o próprio corpo da cana seja espesso, a ponto de não servir para escrever. E disseram "leve" para dizer que cozinha mais rápido, referindo-se ao ovo de galinha...
E não é a halachá como Rabi Akiva.
"Terra" — barro vermelho. "Martzufin" — sacos grandes nos quais se transporta mercadoria em navios, e se selam do mesmo modo que se selam as cartas. E a medida dos Sábios é menor que a de Rabi Akiva, e a halachá é como os Sábios.
"A medida de adubar um alho-poró" — sua medida é menor que a de um pé de couve, e a halachá é como os Sábios.
"A medida de fazer uma pena" — que alcance os nós do meio dos dedos. "Ovo leve" — ovo de galinha... e a medida é a de cozinhar dele o equivalente a uma guerogueret.
"Duas letras em tinta" — refere-se a tinta seca já preparada. "Duas letras por meio do cálamo" — isto é, todo aquele que a transporta, sua medida é a de duas letras. "Kalmarin" — o estojo do escriba.
"Uma letra em tinta, uma letra por meio do cálamo" — a Guemará debate se se somam ou não; e se disseres que a obrigação decorre apenas do cálamo, não haveria obrigação, pois este seria secundário a algo menor que a medida mínima — e este mesmo princípio de que os utensílios auxiliares seguem a substância principal explica por que também aqui, na cana usada como pena, sua medida se define pelo produto final — a escrita —, e não pelo tamanho físico da cana em si.