A medida do caco de barro é a medida de colocá-lo entre um patzim e outro — entre uma fileira de tijolos e outra, para nivelá-las — palavras de Rabi Yehudá. Rabi Meir diz: a medida é a de recolher com ele o fogo — como uma pá. Rabi Yosei diz: a medida é a de conter nele um reviit — um quarto de log de líquido. Disse Rabi Meir: ainda que não haja prova cabal para o assunto, há uma alusão ao assunto, como está dito (Yeshayahu 30): "e não se achará em seus fragmentos um caco para recolher fogo do braseiro." Disse-lhe Rabi Yosei: dali mesmo há prova — a meu favor, pois o versículo prossegue: "e para tirar água de uma cisterna" (ali mesmo) — demonstrando que o caco é considerado significativo quando serve para conter água, confirmando a medida de um reviit.
O Perek Chet se encerra com uma disputa que remete diretamente a um versículo profético, ilustrando como a tradição oral dialoga com o texto bíblico para fixar as medidas práticas do Shabat.
Por que esta Mishná gira em torno deste versículo. Yeshayahu descreve a destruição total de Israel por sua rebeldia, usando a imagem de um vaso de barro tão completamente estilhaçado que nem um único caco resta para os usos mais elementares: recolher brasas do fogão ou tirar água de uma cisterna. A Guemará (Shabat 82a) traz esse versículo como uma "alusão" (zecher, não uma prova bíblica formal — daí o cuidado de Rabi Meir em dizer "ainda que não haja prova cabal") para sustentar que um caco de barro é significativo, e portanto sujeito à obrigação de transporte no Shabat, quando serve para uma dessas duas funções: recolher fogo ou conter líquido. Rabi Yosei inverte o argumento de Rabi Meir: se o versículo menciona as duas funções juntas, a prova favorece sua própria opinião — que a medida do caco se define pela capacidade de conter um reviit de água, não apenas pela função de pá para brasas. Esta última mishná do Perek Chet fecha o ciclo iniciado no Perek Zayin com o mesmo tipo de material — o barro — que ali abriu a discussão dos shiurim, e a lógica final é clara: a Torá pune apenas o que é significativo, e a tradição oral, apoiando-se até em versículos proféticos, refina essa significância objeto por objeto.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam, que decide a halachá conforme Rabi Yosei.
O que os grandes comentadores dizem sobre a disputa que encerra o Perek Chet, e sobre a leitura do versículo de Yeshayahu.
Patzim são metades de tijolos; quando há um vão entre duas metades de tijolo, preenche-se esse vão com cacos e pedras finas. E a halachá é como Rabi Yosei.
"Entre um patzim e outro" — quando se organizam vigas, colunas e traves, e se fazem fileiras de traves sobre o chão, e há um vão entre uma e outra, apoia-se por baixo delas para que não se torçam.
"Alusão ao assunto" — pois o versículo considera o caco significativo por sua utilidade em recolher fogo. "Tirar" — extrair, retirar. "De uma cisterna" — um pequeno poço onde a água se acumula; logo, o versículo considera o caco significativo também por conter água. E a halachá é como Rabi Yosei.
"Que não vos limpais com um caco" — o contexto da Guemará, ao aproximar-se do fim do capítulo, traz avisos práticos atribuídos a Abaye em nome de sua ama, listando costumes que evitam feitiçaria — entre eles, não usar um caco para higiene pessoal, "para que eu não possa fazer-vos feitiçaria".
"E não matais um piolho em vossas roupas" — em público, por respeito. "E não comeis verdura de um molho que o jardineiro amarrou" — sem primeiro desatar o molho, separando alho, alho-poró e cebola do feixe original — sinal de que tudo isso é considerado prejudicial contra a feitiçaria.
Esta digressão final da Guemará, embora não trate diretamente da medida do caco, mostra como o caco de barro — objeto humilde que abriu e fecha os shiurim do Perek Chet — permanece presente na vida cotidiana muito além de seu uso material, encerrando assim, com um toque quase folclórico, o longo percurso das medidas mínimas de transporte no Shabat que os Perakim Zayin e Chet dedicaram, juntos, a esse tema.