A medida da cola é a medida de colocar na ponta do shavshevet — a vara de caça de aves. A medida do piche e do enxofre é a medida de fazer um furo — num vaso, para extrair mercúrio. A medida da cera é a medida de colocar sobre a boca de um furo pequeno — para vedá-lo. A medida da chearssit — argila de tijolo triturado — é a medida de fazer a boca do cadinho dos ourives de ouro. Rabi Yehudá diz: a medida é a de fazer a pitput — a base do cadinho. A medida do farelo é a medida de colocar sobre a boca do cadinho dos ourives de ouro. A medida da cal é a medida de untar a menor das meninas — para acelerar sua puberdade. Rabi Yehudá diz: a medida é a de fazer o kilkul — as têmporas. Rabi Nechemyá diz: a medida é a de fazer as andifê — as têmporas inferiores.
A Mishná volta a percorrer materiais de artesanato — caça, ourivesaria e cosmética — sempre aplicando o mesmo princípio: cada substância se mede pelo uso mais comum que se faz dela.
Por que esta Mishná gira em torno deste versículo. Esta segunda formulação do mandamento do Shabat, em Devarim, acrescenta a dimensão do descanso como libertação — lembrando a saída do Egito — e reforça a mesma proibição de melachá. A Guemará (Shabat 80a-80b) detalha cada um dos ofícios mencionados aqui: a caça de pássaros com vara e cola, comum na época; a ourivesaria, que empregava argila e farelo para vedar e proteger o cadinho durante a fundição do ouro; e a cosmética feminina, na qual a cal era usada como depilatório para acelerar a puberdade das meninas. Cada substância recebe sua medida mínima conforme o uso mais discreto e realista que dela se faz — mesmo entre os Sábios há disputa sobre qual seria esse uso mais comum, como se vê nas opiniões divergentes de Rabi Yehudá e Rabi Nechemyá sobre a cal.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O que os grandes comentadores dizem sobre a lógica que fixa cada medida destes materiais de caça, ourivesaria e cosmética.
Devek — cola — é algo feito pelas mãos do homem; tudo que nele toca, gruda. E o shavshevet é o junco em cuja ponta se coloca a cola; amarram-no numa vara e o introduzem nos ninhos das aves, retirando os filhotes. E charssit é barro de terra, conhecido entre os médicos.
"Boca do cadinho" é a borda do cadinho onde se funde o metal. E pitput é o pé do cadinho, pois lhe fazem pés quando é grande...
E sid — cal — é termo hebraico... E era costume delas untar com ela as jovens em todo o corpo, como uma veste, com a intenção de trazer-lhes a menstruação e acelerar a puberdade, e amaciar a pele. Kilkul são as têmporas. E andifê é a testa. E não é a halachá nem como Rabi Yehudá, nem como Rabi Nechemyá.
"Shavshevet" — os caçadores colocam uma pequena tábua na ponta da vara e nela põem cola, e o pássaro pousa nela e fica grudado...
"Charssit" — tijolo triturado. "Fazer a boca do cadinho" — por onde entra o fole. "Pitput" — a base onde se assenta o cadinho...
"Untar a menor das meninas" — meninas que chegaram à idade da puberdade e ainda não lhes veio a menstruação; as filhas dos pobres eram untadas com cal, e a menstruação vinha mais rápido... "Kilkul" — as têmporas... "Andifê" — um pouco abaixo das têmporas. E não é a halachá nem como Rabi Yehudá, nem como Rabi Nechemyá.
"Sear" — o pelo é bom para o barro — usado como reforço na argamassa dos ourives, o que explica por que a Guemará debate a diferença entre "charssit" e "chol", relacionando-os ao mesmo ofício.
"Esta é a versão correta" — a Guemará observa que a leitura precisa do texto é "barro, a medida de fazer a boca do cadinho dos ourives de ouro" — confirmando, com esse ajuste textual, a mesma medida que a nossa Mishná registra para a chearssit, e assim encerrando o conjunto de materiais de ourivesaria antes que a próxima mishná passe ao debate sobre terra, esterco e areia.