A medida do couro é a de fazer um amuleto — ou seja, envolver com ele um amuleto já pronto. A medida do klaf — pergaminho — é a medida de escrever nele a porção pequena que está nos tefilin, que é a passagem de Shemá Yisrael. A medida da tinta é a medida de escrever duas letras. A medida do kachol — maquiagem escura para os olhos — é a medida de pintar um olho.
Esta mishná breve conecta o tema geral das medidas de transporte à mitzvá dos tefilin, cuja porção mínima — Shemá Yisrael — define a medida do pergaminho.
Por que esta Mishná gira em torno deste versículo. A passagem de Shemá Yisrael, a mais curta das quatro porções escritas nos tefilin, serve aqui como a unidade de medida para o pergaminho: transportar uma quantidade de klaf suficiente para escrever nele essa porção já gera obrigação, precisamente porque o klaf é caro e não se desperdiça em usos menores — só se faz dele objetos sagrados como tefilin e mezuzot. A Guemará (Shabat 79b) explica que essa é a razão pela qual o klaf, ao contrário do papel comum da mishná anterior, não tem sua medida definida por um recibo comercial, mas por seu uso mais nobre e mais valioso. A tinta e o kachol seguem a mesma lógica: a tinta mede-se pela menor unidade de escrita útil — duas letras — e o kachol, cosmético usado com moderação, mede-se pela aplicação em um único olho, prática comum entre mulheres recatadas que cobriam o rosto e deixavam apenas um olho à mostra.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O que os grandes comentadores dizem sobre a lógica que fixa cada medida destes objetos ligados à escrita sagrada.
"Fazer um amuleto" — quer dizer cobrir com ele um amuleto já existente. E klaf é conhecido, e sobre o pergaminho se escrevem os tefilin, e isso é halachá transmitida a Moshé no Sinai. E as porções dos tefilin são quatro: Kadesh Li, Vehayá Ki Yeviacha, Shemá e Vehayá Im Shamoa.
"Fazer um amuleto" — cobrir com ele o amuleto. "Pergaminho, a medida de escrever nele a porção pequena" — como seu preço é caro, não se faz dele recibo de cobrador de impostos, mas apenas tefilin e mezuzot, e por isso não se aplica a ele a medida pequena do papel comum.
"Tinta, a medida de escrever duas letras" — para marcar duas peças de um utensílio, ou duas tábuas, a fim de emparelhá-las.
"A medida de pintar um olho" — pois as mulheres recatadas que saem cobertas não descobrem senão um olho, e é esse que pintam.
"Pergaminho, a medida de escrever a porção pequena" — como seu preço é caro, não se faz dele recibo de cobrador de impostos, mas apenas tefilin e mezuzot, e por isso não se aplica a ele a medida pequena.
"Tinta, duas letras" — para marcar duas peças de um utensílio, ou duas tábuas, a fim de emparelhá-las.
"Duchsustus" — é o pergaminho do qual foi removida sua camada superior — usado para a mezuzá, que contém as porções de Shemá e Vehayá Im Shamoa. "Que está nos tefilin" — pois ali há quatro compartimentos para as quatro porções, e a Mishná mediu por uma delas, que é a menor entre elas, a saber, o Shemá pequeno — fechando assim o elo entre a medida física do pergaminho e o valor espiritual da porção que nele se escreve, tema que a próxima mishná deixará para trás ao voltar aos materiais de artesanato.