Aquele que transporta vinho — de domínio a domínio, no Shabat, é obrigado na medida da mistura do copo — o copo de vinho puro que se costuma diluir com água para a Bircat HaMazon. Aquele que transporta chalav — leite — é obrigado na medida de um gole. A medida do mel é a medida de aplicar sobre uma katit — uma ferida de atrito. A medida do óleo é a medida de untar um membro pequeno — de um recém-nascido. A medida da água é a medida de amolecer nela o kilor — um colírio. E todos os demais líquidos, na medida de um reviit — um quarto de log. E todas as águas de despejo, na medida de um reviit. Rabi Shimon diz: todos os líquidos se medem na medida de um reviit, e não disseram todas essas medidas senão para aqueles que os guardam — pois quem reserva uma quantidade pequena de um líquido demonstra que, para ele, aquela quantidade já é significativa; mas quem não a reserva não se torna obrigado senão na medida geral de um reviit.
O Perek Chet abre um novo ciclo dentro do mesmo tema do Perek Zayin — a melachá de hotzaá, transportar de um domínio a outro no Shabat — mas agora concentrado nos líquidos e, adiante, em objetos de uso doméstico e artesanal.
Por que esta Mishná gira em torno deste versículo. A proibição geral de "melachá" no Shabat inclui, entre as trinta e nove categorias derivadas da construção do Mishkan, a melachá de hotzaá — transportar um objeto de domínio privado para domínio público, ou vice-versa. Mas, como toda melechet machashevet (trabalho com propósito e significância), essa proibição só se consuma quando a quantidade transportada tem valor real de uso. A Guemará (Shabat 76b e adiante) explica que o critério não é uma medida fixa e universal, mas sim o uso costumeiro de cada substância: o vinho, bebida forte que se dilui, mede-se pela porção de um copo de bênção; o leite, que se bebe puro, mede-se por um gole; o mel e o óleo, usados em pequenas quantidades com fins medicinais, medem-se por essas aplicações. Assim, o Perek Chet aplica à esfera dos líquidos o mesmo princípio que o Perek Zayin já havia estabelecido para sólidos: a Torá não pune o gesto vazio, mas apenas o transporte de uma quantidade que tenha significância real para quem a transporta.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam, no capítulo dedicado às medidas mínimas de transporte de líquidos e objetos diversos.
O que os grandes comentadores dizem sobre a lógica que fixa cada medida de líquido, abrindo o Perek Chet.
O copo ao qual esta Mishná alude é o copo da bênção, cuja medida é um reviit — um quarto de log... E costumavam diluir o vinho, uma parte de vinho para três partes de água; assim, a medida da mistura do copo é um quarto do reviit em vinho puro.
E "gole" é o quanto se engole de uma só vez, se for leite de animal puro, próprio para beber; mas leite de animal impuro, sua medida de transporte no Shabat é a medida de pintar um olho. E katit é a borda da ferida...
E disseram "membro pequeno" — referem-se ao membro pequeno de uma criança recém-nascida, e o membro menor do corpo humano é o dedo mínimo do pé. "Amolecer o kilor" — a medida na qual se dissolve o remédio para o olho...
E não é a halachá como Rabi Shimon.
"Aquele que transporta vinho, a medida da mistura do copo" — do copo da Bircat HaMazon, que é um quarto de reviit de vinho puro, na proporção habitual de mistura, de modo que renda a medida de um reviit — a medida do copo de bênção.
"A medida de um gole" — o que uma pessoa engole de uma só vez. E leite de animal impuro, que não serve para beber, sua medida é a de pintar um olho.
"Todos na medida de um reviit" — incluindo o próprio vinho, o leite e o mel: pois as medidas especiais desta Mishná só foram ditas para quem os guarda especificamente; mas para qualquer outra pessoa, não há obrigação senão na medida de um reviit... E não é a halachá como Rabi Shimon.
"Aprendemos isso" — também de nossa Mishná se depreende esse mesmo princípio: dado que se ensina que os demais líquidos têm sua medida no reviit, daí se aprende que não há transporte com obrigação em líquido próprio para beber em quantidade menor que um reviit. Por isso, forçosamente, quando a Mishná mediu o vinho pela mistura de um copo de bênção, referiu-se à medida própria para beber, que resulta, no fim, em um reviit — demonstrando que a lógica de todas essas medidas específicas converge para o mesmo padrão mínimo de significância que rege os demais líquidos, abrindo assim o percurso do Perek Chet pelas medidas de cada substância transportada no Shabat.