Aquele que transporta palha de cereais, é obrigado na medida do bocado de uma vaca. A medida da etzá — palha de leguminosas — é a medida do bocado de um camelo. A medida do amir — talo de espigas — é a medida do bocado de um cordeiro. A medida das ervas é a medida do bocado de um cabrito. A medida das folhas de alho e folhas de cebola, se estiverem úmidas — e próprias para consumo humano — é a medida de uma guerogueret — um figo seco; se estiverem secas, é a medida do bocado de um cabrito. E não se somam umas às outras — estas medidas distintas — porque não se equivalem em suas medidas. Aquele que transporta alimentos próprios para consumo humano, na medida de uma guerogueret, é obrigado, e os alimentos se somam uns aos outros, porque se equivalem em suas medidas — exceto suas cascas, e seus caroços, e seus talos, e seu farelo grosso, e seu farelo fino. Rabi Yehudá diz: exceto as cascas de lentilhas, que se somam, pois se cozinham junto com elas.
O Perek Zayin se encerra aplicando, em detalhe prático, o princípio estabelecido na mishná anterior: a medida mínima de "hotzaá" — transportar de um domínio a outro — varia conforme o uso costumeiro de cada substância, pois a melachá proibida pela Torá é definida pela significância do ato, não por sua quantidade absoluta.
Por que esta Mishná gira em torno deste versículo. A oferta de pecado só é devida quando a transgressão constitui verdadeiramente uma "melechet machashevet" — um trabalho com propósito e significância, e não um gesto vazio. Por isso, a Guemará (Shabat 76a-76b) explica que cada substância transportada no Shabat tem sua própria medida mínima de obrigação, calibrada pelo uso real que se faz dela: o que serve de alimento a um animal maior, como o boi, exige uma quantidade maior de palha grosseira para se tornar "significativo"; já o que serve de alimento humano, mais valioso e usado em quantidades menores, basta uma guerogueret — o tamanho de um figo seco, medida padrão para todo alimento humano na Torá do Shabat. Este refinamento das medidas é o toque final do Perek Zayin, que começou com o princípio geral das ofertas (7:1), passou pela lista das trinta e nove categorias (7:2), estabeleceu o critério do que vale a pena guardar (7:3), e agora fecha com a aplicação prática mais minuciosa dessas leis.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam — as medidas mínimas de cada substância, no capítulo dedicado inteiramente aos shiurim de hotzaá.
O que os grandes comentadores dizem sobre a lógica que fixa cada medida mínima, encerrando o Perek Zayin.
Etzá é a palha de leguminosas, como o feijão e a ervilha e o tremoço e semelhantes, entre as sementes. Suas cascas são a casca superior, semelhante à pele de um animal. Seus caroços são os caroços duros que estão dentro do fruto. Seus talos são aqueles pelos quais o fruto se prende à árvore, como os talos dos figos, uvas, pêssegos e cidras e semelhantes. E seu farelo fino é o farelo intermediário. E seu farelo grosso é a casca externa espessa que sai primeiro na peneira.
E disse que todos os alimentos se somam uns com os outros, e sua medida para o transporte em Shabat é de uma guerogueret — que é um figo médio. E entre os alimentos há os que têm casca, e os que têm caroços e talos e farelo. E ensinou que nenhuma dessas coisas se conta junto com o alimento, e o que se mede como guerogueret é apenas do alimento propriamente dito, purificado de todos esses tipos de refugo.
E disse Rabi Yehudá que apenas as lentilhas se medem incluindo a casca fina que têm sobre si, porque se cozinham inteiras em sua casca e se comem junto com ela. E não é a halachá como Rabi Yehudá.
"Etzá" — palha de tipos de leguminosas. "A medida do bocado de um camelo" — sua medida é maior que a do bocado de uma vaca, e a medida do bocado de uma vaca não gera obrigação para etzá, pois esta não serve para a vaca.
"Amir" — talos de espigas. "Bocado de cordeiro" — é maior que o bocado de cabrito; por isso, o amir que não serve ao cabrito não gera obrigação na medida do bocado de cabrito, até haver a medida do bocado de cordeiro; mas as ervas, por servirem tanto ao cabrito quanto ao cordeiro, geram obrigação mesmo na medida do bocado de cabrito.
"Úmidas" — próprias para o homem. "Medida de guerogueret" — pois esta é a medida para todo alimento humano em Shabat; mas a medida do bocado de cabrito não se aplica, pois folhas úmidas não servem ao cabrito.
"E se somam" — todos os alimentos humanos uns com os outros. "Exceto suas cascas" — que não são alimento e não completam a medida. "E seus talos" — o rabo do fruto, que é mera madeira. "E seu farelo grosso" — a casca do trigo que cai por causa da moagem. "E seu farelo fino" — o que resta na peneira; e o Rambam explicou ao contrário, que o mursán é o mais espesso e inferior ao subán.
"Exceto as cascas de lentilhas [que se somam]" — "porque se cozinham junto com elas" — excluindo as cascas externas, que caem quando se faz delas uma eira; e as cascas do feijão, quando úmidas e cozidas junto com sua casca — segundo Rabi Yehudá, somam-se aos alimentos para a medida de guerogueret; mas secas, não, pois não se comem com sua casca, já que parecem moscas no prato. E não é a halachá como Rabi Yehudá.
"Nossa Mishná: 'etzá'" — a Guemará explica o que é. "Medida do bocado de um camelo" — sua medida é maior que a do bocado de vaca, mas a medida do bocado de vaca não gera obrigação, pois a etzá não serve à vaca.
"Amir" — talos de espigas. "Bocado de cordeiro" — maior que bocado de cabrito; por isso, amir que não serve ao cabrito não gera obrigação na medida do bocado de cabrito, até haver a medida do bocado de cordeiro; mas ervas, por servirem tanto ao cordeiro quanto ao cabrito, geram obrigação mesmo na medida do bocado de cabrito.
"Úmidas" — próprias para o homem, na medida de uma guerogueret, pois esta é a medida para todo alimento humano em Shabat; mas a medida do bocado de cabrito não, pois folhas úmidas não servem ao cabrito — fechando, assim, o Perek Zayin com o refinamento último das medidas de transporte, tema que a Guemará continuará a desenvolver no capítulo seguinte, "HaBoné".