A mulher prende seu manto sobre a pedra, e sobre a noz, e sobre a moeda — inserindo uma pequena pedra, noz ou moeda e envolvendo o manto ao redor dela, como se fosse um botão — desde que não o prenda pela primeira vez no Shabat — esta condição refere-se especificamente à moeda, pois é proibido movimentar uma moeda no Shabat.
Esta Mishná breve conecta o tema do vestir com outra categoria de restrição de Shabat: o muktzê, objetos que não têm função de Shabat e por isso não podem ser movimentados livremente — aqui aplicado especificamente à moeda usada como botão improvisado.
Por que esta Mishná gira em torno deste princípio. A permissão de prender o manto sobre pedra ou noz decorre diretamente do princípio de que vestir-se com o que já está preso ao corpo não constitui "carregar" no sentido proibido pela Torá. Mas a moeda é excepcional: embora sirva à mesma função de botão, os Sábios a excluíram do costume de "prender pela primeira vez no Shabat", pois seu status primário como instrumento comercial a torna muktzê — reservada e proibida de manuseio no Shabat, um decreto que visa lembrar o dia de descanso das transações materiais do restante da semana.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam — a permissão geral de prender o manto sobre objetos duros, e a exceção da moeda por causa do muktzê.
O que os grandes comentadores dizem sobre o significado de "prender" e por que a proibição se aplica apenas à moeda, não à pedra ou à noz.
Esta ação de "prender" ocorre no Shabat, pois nela não há amarrar propriamente dito, senão apenas enrolar o fio ao redor do objeto.
E o que disseram "desde que não prenda pela primeira vez no Shabat" refere-se de volta à última cláusula mencionada — isto é, "sobre a moeda" — pois é proibido movimentar a moeda no Shabat.
"Prende": isto é, une. Traduzido no Targum como equivalente ao termo hebraico para "colchetes" — "porfin".
"Desde que não prenda pela primeira vez": esta condição refere-se apenas à moeda, que não deve prendê-la pela primeira vez sobre a moeda, porque é proibido movimentá-la.
Rashi comenta esta mishná no mesmo local do daf onde comenta a mishná anterior sobre a sela e a tsinit, pois ambas aparecem na Guemará no mesmo trecho, distinguindo o uso da moeda como remédio (permitido, já preso) do uso da moeda como fecho novo no Shabat (proibido, por muktzê) — a mesma moeda gravada, com funções e status diferentes conforme o contexto.