A mulher sai com uma sela — uma moeda com gravura — que amarra sobre a tsinit — uma ferida sob a planta do pé, tratada por costume com uma moeda gravada. As meninas pequenas saem com fios, e até com lascas de madeira que estão em suas orelhas — pois furam as orelhas das meninas pequenas, mas não colocam argolas nelas até que cresçam, e colocam fios ou lascas para que os furos não se fechem. Mulheres árabes saem veladas — envoltas, com o rosto coberto, à maneira das árabes, e mulheres medas saem com capas presas por broche com pedra ou moeda. E qualquer pessoa — em qualquer lugar — pode sair vestida assim; porém, os Sábios falaram do costume presente, referindo-se às situações mais comuns de sua época.
A Mishná encerra a seção sobre roupas femininas afirmando um princípio universal: a halachá não é restrita a uma etnia ou costume regional, mas se aplica a todos, com base no que é habitual em cada lugar.
Por que esta Mishná gira em torno deste princípio. A menção explícita de "tua filha" no mandamento do Shabat abrange tanto a mulher adulta quanto a menina pequena, e a Mishná aplica a mesma lógica de vestimenta legítima às meninas: assim como o fio ou a lasca de madeira na orelha perfurada de uma menina é parte de seu cuidado corporal, e não carga, também os costumes regionais de vestir — o véu árabe, a capa presa das medas — são reconhecidos como formas legítimas e universais de vestir-se, não limitadas a um povo específico. A frase final, "os Sábios falaram do presente", estabelece o princípio hermenêutico de que exemplos específicos na Mishná ilustram uma regra geral, sem restringi-la.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam — a regra de que o costume de vestir de cada povo é válido para todos, e a permissão da moeda medicinal sobre a ferida.
O que os grandes comentadores dizem sobre a doença chamada tsinit, o costume de furar as orelhas das meninas, e o significado dos termos "veladas" e "presas por broche".
Tsinit é uma doença chamada em árabe por um nome equivalente, e os Sábios a chamam "filha da terra", por causa da espessura de sua crosta e da dureza da própria ferida. E sela é como uma moeda gravada — um objeto aberto e trabalhado, de prata ou cobre ou outro material, pois a virtude do benefício está na gravura.
Em outro contexto, "fios" são fios amarrados no pescoço, desde que não sejam tingidos. Aqui, "veladas" é como usar sinos ou campânulas, pois as mulheres árabes saíam com campânulas, sendo esse seu costume constante de vestir-se assim publicamente.
E "lascas em suas orelhas" são pequenas madeiras redondas que colocavam nos furos de suas orelhas, para que o furo não se fechasse. E "presas" é como "enroladas" — isto é, que as mulheres reuniam as bordas e as pontas do manto juntas sobre algo duro, como uma pedra ou madeira, e amarravam por cima.
"Com uma sela": moeda que tem uma gravura sobre ela. "Sobre a tsinit": ferida sob a planta do pé, e amarram sobre ela uma moeda que tem gravura, para cura.
"As meninas saem com fios": as pequenas furam suas orelhas e não fazem argolas para elas até que cresçam, e colocam fios ou lascas em suas orelhas para que os furos não se fechem.
"Árabes": filhas de Israel que vivem na Arábia. "Saem veladas": envoltas na cabeça, com o rosto coberto exceto os olhos, à maneira das árabes.
"Medas": filhas de Israel que vivem na Média. "Presas": que se envolvem com um manto, e penduram uma tira em uma ponta dele em direção ao pescoço, e na outra ponta enrolam uma pedra ou noz, e amarram a tira ao redor, e o manto não cai delas.
"Nossa Mishná: 'sela'" — é uma moeda. "Tsinit" — este termo é explicado na Guemará como uma ferida específica do pé.
"As meninas pequenas" — que furam suas orelhas e não fazem argolas para elas até que cresçam, e colocam fios ou lascas em suas orelhas para que os furos não se fechem — tradução para o francês medieval do termo.