O amputado — que teve a perna cortada — sai no Shabat com sua perna de pau — um bloco de madeira esculpido em forma de perna — palavras de Rabi Meir, que a considera como um sapato dele. E Rabi Yossi proíbe sair com ela ao domínio público, pois não a considera com status de sapato. E se a perna de pau tem receptáculo para forros — um espaço côncavo no topo, onde se colocam forros acolchoados para amortecer o coto — é impura — assumindo o status de utensílio de madeira, capaz de contrair impureza. Seus suportes — de couro, para quem tem ambas as pernas amputadas e caminha sobre os cotos e os joelhos — são impuros por pisar — caso um zav os use, pois são feitos para sustentar o corpo — e com eles se sai no Shabat, e com eles se entra na azará — o pátio do Templo, apesar de normalmente ser proibido entrar calçado, pois estes não têm o status de sapato. A cadeira e seus suportes — para quem não pode nem apoiar-se nos joelhos e se move sentado numa cadeira baixa, impulsionando-se com pequenos apoios de mão — são impuros por pisar, e com eles não se sai no Shabat, e com eles não se entra na azará. Os anketamin — explicados na Guemará — são puros — não podendo contrair impureza — e com eles não se sai no Shabat.
Esta Mishná estende a lógica de "vestimenta legítima versus carga" ao caso extremo da pessoa com deficiência física, definindo com precisão o que conta como sapato — e portanto parte do corpo vestido — e o que conta como mero suporte externo.
Por que esta Mishná gira em torno deste princípio. O critério decisivo em toda esta Mishná é se o objeto tem o "status de sapato" (permitido, como vestimenta do corpo) ou é mera "carga externa" (proibido). A perna de pau do amputado, segundo Rabi Meir, substitui o pé ausente e por isso é vestimenta legítima; os suportes de couro presos diretamente aos cotos das pernas mantêm esse status; mas a cadeira com rodinhas e os pequenos apoios de mão do paralítico total já não se relacionam diretamente com o "andar" — tornando-se instrumentos de locomoção, não vestimenta, e por isso proibidos de sair com eles no Shabat.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam — a halachá segue Rabi Yossi contra a perna de pau, e a distinção entre suportes de joelho e cadeira com apoios.
O que os grandes comentadores dizem sobre a diferença entre o receptáculo de forros e o mero encaixe do coto, os dois tipos de amputação total, e o que são os anketamin.
"Receptáculo para forros" significa que, naquela madeira que é a perna de pau do amputado, haja uma cavidade onde entrem as pontas da carne, até que sequem, permanecendo saliente a parte de quem teve amputada sua mão ou sua perna.
E porque mencionou a perna de pau — que é a perna que o amputado faz — mencionou também seus suportes, que é permitido sair com eles no Shabat, pois são estáveis e fortes, e ele pode entrar com eles na azará, e não é forma de desonra como a sandália e o sapato proibidos ali.
Falou também dos suportes da cadeira, seja qual for a cadeira, e disseram que recebem impureza; e pela forma destes suportes, que eram conhecidos entre eles, sabe-se o motivo pelo qual não se sai com eles no Shabat: é porque, na maioria das vezes, se desprendem da perna, e quem caminha com eles pareceria como se os estivesse carregando ou arrastando.
Ankatmin é como um sapato de madeira; e como não é apto para deitar-se ou sentar-se, e não recebe o caminhar sobre eles, não recebem impureza por pisar. E a halachá segue Rabi Yossi.
"O amputado": que teve sua perna cortada. "Sai com sua perna de pau": fazem para ele uma espécie de molde de perna e escavam nele um pouco, para colocar a ponta de seu coto dentro, e ele não se apoia nela completamente. E é permitido sair com ela, pois é como um sapato para ele. E Rabi Yossi proíbe, pois não é adorno. E a halachá segue Rabi Yossi.
"Seus suportes": há amputado das duas pernas que caminha sobre seus cotos e seus joelhos, e faz suportes de couro em seus cotos.
"Cadeira": há amputado cujos tendões dos cotos secaram e se contraíram, e nem sobre os joelhos consegue caminhar, e faz uma espécie de cadeira baixa e senta-se sobre ela; e quando caminha, apoia-se em suas mãos com pequenos banquinhos, e ergue seu corpo do chão e se impulsiona para frente, e volta a repousar sobre trás, e a cadeira está amarrada às suas costas.
"Ankatmin": uma espécie de máscara com rosto humano deformado que se coloca sobre o rosto para assustar as crianças.
"Nossa Mishná: 'o amputado'" — aquele que teve sua perna cortada.
"Sai com sua perna de pau" — pois é o sapato dele, substituindo funcionalmente o membro que falta, e portanto integrado à categoria de vestimenta permitida.