A mulher ou o homem sai no Shabat com ovo de gafanhoto, e com dente de raposa, e com prego do homem crucificado — pendurados no corpo — por motivo de cura — o ovo de gafanhoto pendurado no ouvido cura sua dor; o dente de raposa serve tanto para quem dorme demais quanto para quem sofre de insônia, conforme o tipo de dente usado; o prego retirado de uma execução por enforcamento, pendurado no pescoço, cura a febre terçã — palavras de Rabi Meir. E os Sábios dizem: mesmo em dia de semana é proibido usar estes remédios, por serem caminhos do emorreu — crenças supersticiosas e costumes dos povos gentios, dos quais é preciso se distanciar.
A última Mishná do Perek Vav encerra o tema do vestir e do carregar com uma disputa que ultrapassa a hilchot Shabat: até que ponto remédios populares, herdados de práticas gentias, são compatíveis com a fé de Israel.
Por que esta Mishná gira em torno deste versículo. A proibição de "caminhos do emorreu" é derivada deste versículo, que probe seguir os costumes das nações — especialmente aqueles fundados em superstição e magia, sem base racional ou eficácia comprovada. A disputa entre Rabi Meir e os Sábios não é, no fundo, sobre o Shabat, mas sobre o status desses três remédios populares: Rabi Meir os classifica como medicina legítima — e portanto permitidos mesmo no domínio público em Shabat, como qualquer outro remédio — enquanto os Sábios os classificam como superstição pura, proibida em qualquer dia da semana por violar "em seus costumes não andareis". A halachá, notavelmente, não segue nenhum dos dois extremos de forma simples, mas estabelece o princípio de que tudo que tem eficácia médica comprovada — ainda que pareça estranho — não é considerado caminho do emorreu.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam — o princípio geral de que remédio comprovado não é caminho do emorreu, encerrando o Perek Vav.
O que os grandes comentadores dizem sobre a função específica de cada um dos três remédios, e o princípio final que resolve a disputa entre Rabi Meir e os Sábios.
Chargol é um tipo de gafanhoto, como está escrito: "o gafanhoto conforme sua espécie" (Vayikrá 11:22); e este ovo ajuda contra a fraqueza dos nervos das coxas, por virtude tradicional.
E o dente de raposa se usa para o sono: quem toma um dente de raposa viva e o pendura sobre quem dorme demais, o desperta; e se toma o dente de uma raposa morta, faz o contrário — induz o sono em quem sofre de insônia. E assim, da mesma forma, ensinaram os detentores de virtudes tradicionais: que quando se toma um prego da madeira do enforcado e se pendura sobre o pescoço de quem tem febre terçã, ajuda-o.
E a halachá segue Rabi Yossi [ou seja, os Sábios, na maioria das versões], pois o princípio para nós é que tudo que tem nele motivo de cura não tem nele caminhos do emorreu; e por isso a Escritura não disse "e não andareis nos costumes das nações" de forma absoluta, mas apenas quanto aos costumes desprovidos de fundamento.
"O chargol": um tipo de gafanhoto, como está escrito: "o gafanhoto conforme sua espécie"; e o penduram na orelha, e curam com ele a dor de ouvido.
"E com dente de raposa": pois servem para questões de sono. Para quem dorme demais, para despertá-lo, penduram sobre ele um dente de raposa viva; e para quem não dorme, para que durma, penduram sobre ele um dente de raposa morta.
"E com o prego do enforcado": prego que estava na madeira do enforcado; se o colocarem sobre um inchaço na ferida, removerá o inchaço. E o Rambam explicou que o colocam no pescoço de quem tem febre terçã, e o cura.
"E Rabi Meir diz: mesmo em dia de semana é proibido": e a halachá não segue Rabi Meir, pois estabelecemos que tudo que tem nele motivo de cura não tem nele caminhos do emorreu, e não se aplica a eles o versículo "e em seus costumes não andareis".
"Nossa Mishná: 'caminhos do emorreu'" — estes remédios, quando desprovidos de eficácia comprovada, constituem superstição, e sobre eles está escrito: "e em seus costumes não andareis" (Vayikrá 18:3) — encerrando assim o Perek Vav com o princípio que distingue medicina legítima de crença vã, tema que retornará ao longo do tratado.