Quebra-se um barril para comer dele figos secos — com uma faca ou espada, para chegar aos figos que estão dentro, sem que isso constitua nenhuma proibição, pois quebrar um recipiente é um ato de estrago, não de melachá construtiva — desde que não se tenha a intenção de fazer um utensílio — de dar ao barril, ao quebrá-lo, uma abertura bem-feita, pois isso equivaleria a fabricar um novo utensílio, uma forma de makê bepatish — e não se perfura o tampão de um barril — a rolha de barro ou madeira fixada na boca do barril; segundo Rabi Yehudá, deve-se removê-la inteira, pois perfurá-la equivaleria a consertar uma abertura, um ato construtivo — palavras de Rabi Yehudá; e os Sábios permitem — pois consideram que não é costume fazer uma abertura de barril dessa maneira, perfurando o tampão — mas não se perfura pela lateral — mesmo os Sábios que permitem perfurar o tampão por cima concordam que não se deve perfurá-lo pela lateral, pois ali sim seria evidente a intenção de criar uma nova abertura permanente — e se já estava perfurado, não se põe cera sobre ele — para vedar o furo — pois isso é alisar — a melachá de memarêach, espalhar uma substância mole sobre uma superfície para alisá-la, aparentada a mimachek — disse Rabi Yehudá: um caso veio perante Rabban Yochanan ben Zakai em Arav — nome de um lugar — e ele disse: temo por ele, por causa de um chatat — a oferenda de expiação obrigatória para quem transgride uma melachá por engano; Rabban Yochanan temia que aquele que vedara o furo com cera, aderindo-a às paredes do recipiente ao redor do buraco, tivesse de fato realizado a melachá de alisar de modo pleno e consciente.
Estrago versus construção. Este trecho, introdutório à construção do Mishkan (Tabernáculo), estabelece a gravidade da melachá em Shabat — a pena capital para a transgressão intencional. Mas a mishná ensina uma distinção essencial: quebrar um recipiente para alcançar seu conteúdo, sem qualquer intenção de fabricar um novo utensílio, é um ato de mekalkel (estrago), isento de toda proibição de melachá, pois as trinta e nove categorias derivam das obras construtivas do Mishkan. Já vedar um furo com cera, alisando-a sobre a superfície do barril, aproxima-se perigosamente de um ato genuinamente construtivo — e é por isso que Rabban Yochanan ben Zakai temia, no caso relatado, que ali se tivesse cruzado a linha para uma transgressão que exigiria expiação (Rambam, Hilchot Shabat 22:16).
Como o Rambam codifica, em Hilchot Shabat, a permissão para resgatar de um barril quebrado o necessário ao Shabat.
Os comentadores explicam por que quebrar o barril é permitido como estrago, e por que vedar o furo com cera se torna a melachá de alisar.
"Quebra-se um barril para comer dele figos secos etc." — "não se perfura pela lateral" quer dizer, pela lateral do barril. "Cera" é a cera de abelha. "Alisar" quer dizer suavizar; e quase que Rabi Yochanan obrigaria um chatat a quem pôs cera sobre o furo. E a halachá segue Rabi Yossê.
"Quebra-se um barril" — porque é um ato de estrago. "Desde que não se tenha a intenção de fazer um utensílio" — de dar-lhe uma abertura bem-feita. "Não se perfura o tampão" — a rolha grudada na boca do barril; mas remove-se ela por inteiro, pois, ao perfurá-la, está consertando uma abertura. "Rabi Yossê permite" — pois não é costume fazer a abertura do barril dessa forma. E a halachá segue Rabi Yossê.
"Mas não se perfura pela lateral" — ou seja, o que Rabi Yossê permite, perfurar o tampão, só é permitido por cima, na parte superior do tampão, pois ali não é costume fazer uma abertura, mas remover o tampão inteiro; mas pela lateral, às vezes se faz o furo propositalmente ali, como uma nova abertura.
"Alisar" — e há aqui também o aspecto de mimachek (raspar/suavizar). "Em Arav" — nome de um lugar. "Temo por ele, por causa de um chatat" — se alisou a cera para aderi-la às paredes do recipiente ao redor do furo.
Na mishná: "quebra-se um barril" — cheio de figos secos, com uma faca ou espada, para comer dele figos secos, pois não há em estrago nenhuma proibição em Shabat. "Desde que não se tenha a intenção de fazer um utensílio" — de perfurá-lo bem, com uma abertura bonita. "Não se perfura o tampão" — a rolha grudada na boca do barril, para fazer um furo, mas remove-se ela por inteiro; pois, ao perfurá-la, está consertando uma abertura.
"E os Sábios permitem" — pois não é costume fazer a abertura do barril dessa forma. "Mas não se perfura pela lateral" — a Guemará explica adiante. "Pois é alisar" — e há aqui também o aspecto de mimachek. "Em Arav" — nome de uma cidade. "Por causa de um chatat" — talvez tenha alisado a cera para aderi-la às paredes do recipiente ao redor do furo.