A palha que está sobre a cama — destinada por padrão a servir de combustível, sendo portanto muktzê (separada do uso em Shabat), mas que a pessoa deseja usar como forro para deitar-se — não se move com a mão — diretamente, pois isso constituiria transporte de um item muktzê — mas move-se com o corpo — com os ombros ou o dorso, empurrando-a para acomodá-la; pois esse é um transporte indireto, que não recebe o nome de "transporte" propriamente dito e por isso é permitido — e se era ração animal — se a palha foi originalmente separada como alimento para animais — ou se havia sobre ela travesseiro ou lençol — o que revela que o dono já a havia destinado, desde antes de Shabat, para servir de forro para deitar-se, dando-lhe assim o estatuto de utensílio — move-se com a mão — diretamente, pois em ambos os casos ela deixou de ser muktzê — a prensa do dono de casa — duas tábuas entre as quais se colocam roupas já lavadas e dobradas, apertando-as para que fiquem bem vincadas; usada por um leigo, não por um profissional — solta-se — em Shabat, para retirar as roupas de dentro dela, quando isso é necessário para o próprio Shabat — mas não se prensa — de novo, pois isso seria uma necessidade do dia comum, e não do próprio Shabat — e a do lavandeiro — fabricada especificamente para prensar, e que exige perícia profissional para operá-la — não se toca nela — de forma alguma, pois soltá-la se assemelha a desfazer uma obra bem construída, quase como a melachá de soter (desmanchar) — Rabi Yehudá diz: se foi solta na véspera de Shabat — se o próprio lavandeiro já havia começado a afrouxá-la um pouco antes da entrada de Shabat — solta-se completamente e retira-se as roupas — pode-se terminar de soltá-la em Shabat, já que o processo de desfazer já estava em curso; mas a halachá não segue Rabi Yehudá.
Com esta mishná se conclui o Perek Kaf, dedicado ao ato de coar, filtrar e separar alimentos e forragens sem violar as melachot de borer (selecionar), boneh (construir) e muktzê — do pendurar a coadeira de vinho (mishná 1), passando pela clarificação de líquidos e o anumlin (mishná 2), pela hiltit e os vetches (mishná 3), pelo cocho do boi de engorda (mishná 4), até a palha da cama e a prensa de roupa.
Muktzê e a fronteira de "soter" (desmanchar). Este último caso da mishná combina dois princípios que percorrem todo o capítulo: primeiro, a lei de muktzê — a palha destinada à queima não pode ser movida diretamente, salvo se redesignada como ração animal ou como forro de cama antes de Shabat (Rambam, Hilchot Shabat 25:22), tema já explorado extensamente no Perek Yud-Zayin. Segundo, a assimetria entre a prensa do leigo e a do lavandeiro ilustra como um mesmo ato físico — soltar duas tábuas apertadas — pode ser permitido ou proibido conforme o grau de habilidade e permanência envolvido: desfazer uma obra profissional bem-feita aproxima-se da melachá de soter, derivada também da construção do Mishkan (Shabat 7:2).
Como o Rambam codifica, em Hilchot Shabat, a regra da palha muktzê sobre a cama e as duas exceções que a redesignam como utensílio permitido.
Os comentadores explicam a diferença entre mover com o corpo e com a mão, e a mecânica da prensa de roupa dos dois lavradores — o leigo e o profissional.
"A palha que está sobre a cama, não se move com a mão etc." — "mover" (nianua) é o mesmo que transportar. "Travesseiro" é o que se coloca sob a têmpora e a orelha. "Lençol" é o pequeno véu conhecido entre nós, chamado em árabe alharam.
"Prensa" chama-se em árabe takt, e são duas tábuas entre as quais se colocam as roupas já lavadas e dobradas; depois amarram-se as tábuas e apertam-nas para que as roupas fiquem bem vincadas e a dobra fique bonita. E a halachá não segue Rabi Yehudá.
"A palha que está sobre a cama" — por padrão destinada à queima, e é muktzê; e a pessoa vem deitar-se sobre ela e a move para que fique macia e fofa para deitar. "Não se move com a mão" — pois é muktzê; mas move-se com o corpo, com os ombros, pois isso é um transporte indireto e não recebe o nome de transporte.
"Ou se havia sobre ela travesseiro ou lençol" — pois isso revela que o dono a destinou para deitar-se, e desde então ela tem o estatuto de utensílio. "Prensa" — duas tábuas entre as quais se colocam as roupas depois de lavadas, apertando-se a tábua superior sobre elas para que a dobra fique bonita. "Solta-se" — para necessidade de Shabat, para retirar as roupas, mas não se prensa de novo, pois isso é necessidade de dia comum. "E a do lavandeiro não se toca nela" — pois é feita para consertar roupas e é apertada com mais força, e soltá-la se assemelha a desmanchar. E a halachá não segue Rabi Yehudá.
Na mishná: "a palha que está sobre a cama" — por padrão destinada à queima, e é muktzê; e a pessoa vem deitar-se sobre ela e a move para que fique fofa e macia para deitar. "Não se move com a mão" — pois é muktzê. "Mas move-se com o corpo" — com os ombros, pois é um transporte indireto e não recebe o nome de transporte. "Ou se havia sobre ela travesseiro ou lençol" — pois isso revela que o dono a destinou para deitar-se, e desde então ela tem o estatuto de utensílio.
"Prensa" — presa, duas tábuas longas e pesadas; arrumam-se as roupas sobre a de baixo e desce-se a de cima sobre elas, apertando-as por meio de cavilhas presas a colunas fixas perfuradas nos quatro cantos da tábua inferior; a de cima é perfurada em seus quatro ângulos e sobe e desce pelas colunas, e conforme se deseja apertar, desce-se ela e enfia-se uma cavilha no furo da coluna, e ela não pode subir.
"Solta-se" — a prensa, retirando a cavilha, e ela se solta; e isso é necessidade de Shabat, pois se retiram as roupas. "Mas não se prensa" — pois isso é necessidade de dia comum. "E a do lavandeiro não se toca nela" — pois é feita para consertar as roupas, e se enfia com força e se aperta bem, e soltá-la se assemelha a desmanchar.
O encerramento do Perek Kaf. Com esta mishná se conclui o Perek Kaf, dedicado a coar, filtrar e separar alimentos, temperos e forragens sem violar as melachot de borer, zoreh e boneh: a coadeira de vinho pendurada em Yom Tov e em Shabat, segundo a disputa de Rabi Eliezer e os Sábios (mishná 1); a clarificação de líquidos já potáveis com panos, cesta egípcia e ovo, e as medidas graduadas do anumlin conforme Rabi Yehudá e Rabi Tzadok (mishná 2); a proibição de embeber a hiltit por parecer remédio, e a separação incidental de joio dos vetches e da palha (mishná 3); a disputa entre Rabi Dosa e os Sábios sobre varrer o cocho do boi de engorda, por temor de nivelar covas (mishná 4); e, por fim, a palha muktzê da cama e a assimetria entre a prensa do leigo e a do lavandeiro profissional (mishná 5). O Perek Kaf-Alef, a seguir, tratará de mover objetos com uma parte do corpo diferente das mãos, e com utensílios diversos, aprofundando ainda mais as sutilezas do transporte permitido em Shabat.