Rabi Eliezer diz: pendura-se a coadeira — o Perek Kaf abre um novo bloco temático: as diversas formas de coar, peneirar e preparar alimentos e forragens sem violar a proibição de borer (selecionar); a mashmeret é um pano ou saco esticado sobre a boca de um recipiente, formando uma espécie de tenda sobre o vazio do vaso, através do qual se filtra o sedimento do vinho — em Yom Tov — Rabi Eliezer permite estender esse pano pela primeira vez em Yom Tov, pois entende que os preparativos de comida que poderiam ter sido feitos na véspera, mas não o foram, ainda são permitidos em Yom Tov, quando são necessários para a própria alimentação — e coloca-se vinho na já pendurada em Shabat — mas em Shabat, mais restrito que Yom Tov, não se pode pendurar o pano pela primeira vez; contudo, se ele já estava pendurado desde a véspera, pode-se despejar vinho para que seja filtrado — e os Sábios dizem: não se pendura a coadeira em Yom Tov — os Sábios discordam de Rabi Eliezer mesmo quanto a Yom Tov, por temerem que se confunda esse ato com o modo cotidiano de trabalho — e não se coloca vinho na já pendurada em Shabat — e são ainda mais restritivos quanto a Shabat: mesmo que o pano já estivesse pendurado desde antes, não se pode despejar vinho nele, por parecer um ato de coar habitual — mas coloca-se vinho na já pendurada em Yom Tov — em Yom Tov, porém, os Sábios concordam que se pode ao menos usar o pano já pendurado, já que ali a necessidade de preparar comida é mais evidente.
A proibição de "selecionar" como categoria derivada. A mishná não trata de acender fogo, mas do princípio geral por trás de toda a passagem: "seis dias se fará trabalho" define implicitamente as trinta e nove categorias de melachá extraídas do trabalho do Mishkan (Shabat 7:2), entre as quais está borer — selecionar o que se deseja de uma mistura. Pendurar a coadeira e coar o vinho são atos derivados dessa categoria: separar o líquido claro do sedimento é, em essência, escolher o bom do meio do descartável (Rambam, Hilchot Shabat 21:17). Por isso a Mishná distingue cuidadosamente entre pendurar o pano pela primeira vez — ato de preparação mais próximo do trabalho semanal — e apenas utilizá-lo já pendurado, quando o risco de se confundir com o modo profano de agir é menor.
Como o Rambam codifica, em Hilchot Shabat, a proibição de coar sedimentos como derivada de borer, e por que pendurar a coadeira é mais grave do que apenas usá-la já pendurada.
Os comentadores explicam a diferença entre pendurar a coadeira e apenas usá-la, e por que Rabi Eliezer permite Yom Tov quando é possível preparar o alimento na hora.
"Rabi Eliezer diz: pendura-se a coadeira em Yom Tov etc." — a mashmeret é um saco no qual se coloca o sedimento do vinho, e o vinho desce dele límpido e claro, enquanto a coadeira retém o sedimento.
E os Sábios proibiram pendurá-la em Shabat, para que não se aja como se age em dia comum; e aquele que filtra sedimentos em Shabat com uma coadeira pratica um trabalho que é derivada de selecionar ou de peneirar. E a halachá segue os Sábios.
"Rabi Eliezer diz: pendura-se a coadeira" — através da qual se filtra o sedimento do vinho, esticando sua boca para todos os lados em círculo, formando algo como uma tenda sobre o vazio do recipiente. E ainda que se faça uma tenda, isso é permitido em Yom Tov, pois Rabi Eliezer entende que os preparativos de comida que poderiam ter sido feitos na véspera de Yom Tov são permitidos em Yom Tov mesmo assim.
Mas em Shabat, pendurá-la pela primeira vez não é permitido; porém, se já está pendurada, coloca-se nela o sedimento e filtra-se, pois esse não é o modo habitual de selecionar.
Na mishná: "pendura-se a coadeira" — através da qual se filtram os sedimentos do vinho, esticando sua boca para todos os lados em círculo, formando algo como uma tenda sobre o vazio do recipiente, que chamam de ashtanda. E ainda que se faça assim uma tenda, isso é permitido em Yom Tov, como se explica na Guemará; mas em Shabat, pendurá-la pela primeira vez não é permitido. Porém, se já está pendurada, coloca-se nela o sedimento e filtra-se, pois esse não é o modo habitual de selecionar.