Estas são as franjas de pele que impedem a circuncisão — a mishná fecha o capítulo definindo com precisão técnica quando a circuncisão é considerada incompleta — a carne que cobre a maior parte da coroa da glande — se restou pele suficiente do prepúcio para cobrir a maior parte da altura da coroa, mesmo que em apenas um ponto ao redor, a circuncisão é considerada inválida, como se não tivesse sido feita; já uma franja pequena, que não cobre essa maior parte, não impede a validade da circuncisão — e não come da teruma — se for um cohen, permanece proibido de comer a teruma enquanto essa franja impeditiva não for corrigida, pois a lei que proíbe ao incircunciso comer o sacrifício pascal (por analogia textual) se estende também à teruma — e se era corpulento, corrige-o por causa da aparência — quando o próprio bebê tem muita gordura corporal, de modo que, mesmo tendo sido devidamente circuncidado, a carne ao redor parece, à primeira vista, cobrir novamente a glande — corta-se um pouco mais dessa carne, ainda que tecnicamente já esteja circuncidado, apenas para que não pareça incircunciso aos olhos alheios — circuncidou e não descobriu a circuncisão — realizou apenas o corte do prepúcio (milá), mas não a segunda etapa de rasgar e afastar a fina membrana interna (periá) — é como se não tivesse circuncidado — pois a periá é parte inseparável do próprio preceito da circuncisão; e por isso deve-se retornar e completá-la, mesmo tendo já retirado a mão do trabalho — e enquanto ainda estiver ocupado no ato da circuncisão em Shabat, pode-se cortar tanto as franjas que impedem quanto as que não impedem, mas depois de ter concluído e afastado a mão, só se pode retornar para cortar as que efetivamente impedem a validade.
Com esta mishná se conclui o Perek Yud-Tet, inteiramente dedicado às leis do brit milá em Shabat — do bisturi trazido descoberto (mishná 1), passando pelas etapas técnicas da circuncisão e seus preparativos (mishná 2), pelo cuidado pós-cirúrgico e o terceiro dia crítico (mishná 3), pelo erro de quem confunde duas crianças (mishná 4) e pelo cômputo dos dias possíveis para a circuncisão (mishná 5), até a definição técnica final de quando a circuncisão está de fato completa.
A analogia entre o sacrifício pascal e a teruma. Este versículo, que trata de quem não pode comer do sacrifício de Pêssach, é aplicado por analogia textual (guezerá shavá) ao incircunciso — pois em outro versículo semelhante, sobre a teruma (Vayicrá 22:10), aparece a mesma expressão "residente e assalariado não comerão dele". Assim como o incircunciso está proibido de comer do sacrifício pascal, também está proibido de comer da teruma (Bartenura, sobre esta mishná). Por isso, um cohen cuja circuncisão ficou tecnicamente incompleta — por uma franja de pele que ainda cobre a maior parte da coroa — permanece com o status de incircunciso para este efeito, até que a franja impeditiva seja corrigida.
Como o Rambam codifica, em Hilchot Milá, a distinção técnica entre franjas de pele que impedem e que não impedem a validade da circuncisão, e a permissão de retornar a elas em Shabat.
Os comentadores explicam a definição técnica de "franja que impede", a razão da proibição de comer teruma, e o alerta grave do Rambam sobre a gravidade de deixar uma criança incircuncisa.
"Estas são as franjas de pele que impedem a circuncisão, a carne que cobre etc." — as franjas são as pontas da carne que cobrem a cabeça do membro. E o que dizem "que cobre a coroa" quer dizer a maior parte da altura da coroa.
E enquanto está ocupado na circuncisão, corta em Shabat tanto as franjas que impedem quanto as que não impedem; e depois de terminar a circuncisão e afastar a mão, é proibido voltar a cortar em Shabat, exceto apenas as franjas que impedem...
E o que dizem "não come da teruma" — se for adulto e permanecer incircunciso sem a circuncisão; e o princípio conosco é que o incircunciso e todos os impuros não comem da teruma.
"Franjas" — como que fios de carne que restaram do prepúcio. "Coroa" — é a borda elevada que circunda a glande, e dela desce inclinando-se até a ponta. E "a carne que cobre a maior parte da coroa" que ensina a mishná — não digas que se refere à maior parte de sua circunferência, mas até mesmo à maior parte de sua altura em um único ponto.
"E não come da teruma" — se for cohen, pois o cohen incircunciso está proibido de comer da teruma. Está dito quanto ao Pêssach (Shemot 12): "o residente e o assalariado não comerão dele", e está dito quanto à teruma (Vayicrá 22): "o residente do cohen e o assalariado não comerão dela" — assim como o incircunciso está proibido quanto ao Pêssach, também está proibida a teruma ao incircunciso.
"E se era corpulento" — que era gordo, e a carne acima de seu antigo prepúcio parece, depois que todo o prepúcio foi removido, como se aquela carne voltasse a cobrir a glande. "Corrige-o" — e inclina com o bisturi a partir dessa espessura. "Por causa da aparência" — para que não pareça incircunciso.
"E não descobriu" — não revelou. "É como se não tivesse circuncidado" — e deve voltar e descobrir, ainda que tenha afastado a mão dela.
Na mishná: "Franjas" — tiras de carne que restaram do prepúcio. "Coroa" — é a borda elevada que circunda a glande, e dela desce inclinando-se até a ponta.
"E não come da teruma" — se for cohen, pois aprendemos em Yevamot (70a) que o incircunciso está proibido quanto à teruma.
"E se era corpulento" — que era gordo, e a carne acima de seu antigo prepúcio parece, depois que todo o prepúcio foi removido, como se aquela carne voltasse a cobrir a glande. "Corrige-o" — e inclina com o bisturi a partir dessa espessura. "Por causa da aparência" — para que não pareça incircunciso.
"Descobriu" — revelou (a raiz do verbo "não descobriu" na mishná).
O encerramento do Perek Yud-Tet. Com esta mishná se conclui o Perek Yud-Tet, dedicado inteiramente às leis do brit milá quando cai em Shabat: o instrumento trazido em tempo de perigo e o princípio de Rabi Akiva sobre preparativos versus o ato em si (mishná 1); as etapas técnicas da circuncisão e seus preparativos alteráveis (mishná 2); o cuidado com o recém-nascido e o terceiro dia crítico (mishná 3); o erro de quem confunde duas crianças e a divergência entre Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua (mishná 4); o cômputo dos dias possíveis diante da dúvida do crepúsculo (mishná 5); e, por fim, a definição técnica de quando a circuncisão está de fato completa (mishná 6). O Rambam (Hilchot Milá 3:9) adverte que a omissão desse preceito é considerada, entre todos os preceitos positivos, um dos mais graves, pois obriga o pai — e, na maioridade, o próprio filho — a cumpri-lo a cada dia em que permanecer sem realizá-lo. O Perek Kaf, a seguir, tratará de outro conjunto de atividades domésticas em Shabat: coar, dobrar roupas, e demais afazeres cotidianos.