Não se auxilia o parto de um animal em Yom Tov — não se puxa ativamente a cria do útero, pois isso envolveria um esforço considerável, desnecessário quando se trata apenas de um animal — mas se dá suporte — é permitido segurar a cria para que não caia ao chão durante o nascimento, soprar em suas narinas para desobstruí-las, e colocar-lhe o teto da mãe na boca para que possa mamar — ações de auxílio passivo, sem a intervenção ativa de puxar — e auxilia-se o parto de uma mulher no Shabat — aqui, ao contrário do animal, permite-se toda intervenção ativa necessária, pois se trata de risco de vida — e chama-se para ela uma parteira de um lugar para outro — mesmo que seja necessário atravessar os limites do território (techum) que normalmente não se pode ultrapassar no Shabat — e viola-se por ela o Shabat — acendendo luz, trazendo água quente e fazendo tudo o que a parteira julgar necessário para o parto, desde o início das dores até três dias após o nascimento — e ata-se o cordão umbilical — pois, sendo comprido, se não for amarrado e enrolado, os intestinos do recém-nascido poderiam sair para fora — Rabi Yossi diz: também se corta — ele permite, além de atar, cortar efetivamente o cordão umbilical, e limpar e cuidar do bebê; e a halachá segue sua opinião — e fazem-se no Shabat todas as necessidades da circuncisão — frase que remete ao próximo capítulo do tratado, dedicado inteiramente às leis do brit milá quando cai em Shabat, detalhando quais preparativos são permitidos.
A mishná final do capítulo estabelece a distinção fundamental entre o parto de um animal, que envolve apenas cuidado com uma propriedade material e por isso não justifica intervenção ativa mesmo em Yom Tov, e o parto de uma mulher, situação de risco de vida que permite violar plenamente o Shabat — do chamado da parteira ao cuidado imediato com o recém-nascido.
"E viverá por eles" — e não morrerá por eles. O Rambam (Hilchot Shabat 2:1) ensina que este versículo é a fonte central do princípio de que a preservação da vida humana suspende o Shabat: os preceitos foram dados para que a pessoa viva por meio deles, não para que morra em razão deles. A mulher em trabalho de parto é considerada, do ponto de vista halachico, como estando em risco de vida desde o início das dores até três dias após o nascimento, e por isso se viola por ela o Shabat inteiramente — chamando a parteira mesmo de longe, acendendo luzes e fazendo tudo o que for necessário. Já o animal, embora sua dor mereça tzaar baalei chaim (compaixão com seres vivos) — daí o permitir-se "dar suporte" —, não gera risco de vida que justifique a intervenção ativa de puxar a cria, reservada apenas ao caso humano.
Como o Rambam codifica as leis do parto de mulher e de animal em Shabat, dentro do grande princípio de pikuach nefesh, em Hilchot Shabat, capítulo dois.
Os comentadores explicam a distinção entre o parto animal e o humano, os detalhes de como se auxilia o parto de um animal em Yom Tov, e a razão pela qual a halachá segue Rabi Yossi quanto a cortar o cordão umbilical.
"Não se auxilia o parto de um animal em Yom Tov, mas se dá suporte" — "auxiliar o parto" significa puxar a cria do útero; "dar suporte" quer dizer segurar a cria no momento do nascimento, para que não caia ao chão.
"E auxilia-se o parto de uma mulher no Shabat" — por causa do risco de vida. "E ata-se o cordão umbilical" — porque ele é comprido, e se não for amarrado, os intestinos sairiam.
"Rabi Yossi diz: também se corta" — e a halachá segue Rabi Yossi.
"E fazem-se no Shabat todas as necessidades da circuncisão" — quer dizer que tudo o que é necessário para a própria circuncisão se faz no Shabat; isso será explicado no capítulo seguinte a este.
"Não se auxilia o parto" — não se puxa a cria do útero em Yom Tov, pois há esforço desnecessário. "Mas se dá suporte" — segura-se a cria para que não caia ao chão.
"Parteira" — mulher experiente em partos. "De um lugar para outro" — e não se preocupa com a proibição de limites territoriais.
"E viola-se por ela o Shabat" — desde a hora em que ela se senta sobre a cadeira de parto até três dias depois de dar à luz.
"E ata-se o cordão umbilical" — do recém-nascido, que é comprido, e se não for amarrado sairiam seus intestinos. "Rabi Yossi diz: também se corta" — e a halachá segue Rabi Yossi, que se corta e se limpa o bebê.
Na mishná: "Se dá suporte" — explica-se na Guemará. "Parteira" — a que faz o parto.
"Não se auxilia o parto de um animal em Yom Tov" — pois há esforço desnecessário. "Mas se dá suporte" — a ela em Yom Tov. "E auxilia-se o parto de uma mulher no Shabat" — e nem é preciso dizer que se dá suporte, e tanto mais em Yom Tov.
"E ata-se o cordão umbilical" — do recém-nascido, que é comprido; se não for amarrado e enrolado em algo, seus intestinos sairiam ao erguerem o bebê.
Na Guemará: "Pressiona" — a carne do animal por dentro, para que a cria saia projetada para fora. "E sopra em sua narina" — porque suas narinas estão obstruídas por muco. "E coloca o teto" — da mãe dentro de sua boca.
"Parturiente" — mulher que dá à luz. "Sepultura" — o próprio útero, aqui usado como metáfora para o canal do parto.
O encerramento do Perek Yud-Chet. Com esta mishná se conclui o Perek Yud-Chet, o mais curto do tratado até agora publicado, dedicado a um conjunto variado de casos práticos: a mishná de abertura tratou do esvaziamento parcial do celeiro por causa de hóspedes ou do estudo da Torá, e da lista de alimentos que podem ou não ser transferidos no Shabat, conforme seu estatuto de teruma, dízimos e consagração (mishná 1); a segunda mishná percorreu os feixes de forragem que exigem designação prévia, o cesto que auxilia os filhotes a subir e descer, a galinha que se empurra mas não se conduz, e o modo correto de conduzir bezerros e crianças pequenas (mishná 2); e a mishná final estabeleceu a distinção fundamental entre o parto de um animal, limitado a um suporte passivo em Yom Tov, e o parto de uma mulher, situação de risco de vida que permite violar plenamente o Shabat, do chamado da parteira ao corte do cordão umbilical — encerrando com uma breve menção às necessidades da circuncisão, tema que o Perek Yud-Tet desenvolverá por inteiro (mishná 3).