Rabi Yehudá diz: aquele que caça um pássaro confinando-o para dentro de uma gaiola, e um cervo confinando-o para dentro de uma casa, é responsável — pois nestes espaços, a fera ou a ave já está capturada de forma plena e definitiva. Mas os sábios dizem: pássaro só se considera capturado quando levado para a gaiola; e um cervo, quando levado para a casa, ou para o pátio, ou para os cercados — pois estes espaços, sendo maiores que uma casa, ainda assim contam como captura, uma vez que o animal já não pode escapar deles com facilidade. Rabán Shimon ben Gamliel diz: não são todos os cercados iguais — alguns são pequenos o bastante para contar como captura, outros são grandes demais e não contam. Esta é a regra geral: aquele a quem falta ainda um ato de captura é isento, e aquele a quem não falta nenhum ato de captura é responsável.
Com esta mishná, o perek muda de assunto: encerrados os trabalhos de fios e tecidos, a mishná passa a discutir a melachá de tzeidá — capturar animais —, um dos trabalhos-principais realizados na construção do Mishcan, onde se caçava o tachash e outros animais para obter suas peles. O tema central aqui é definir o momento exato em que um animal se considera "capturado": não basta persegui-lo, é preciso confiná-lo de tal modo que sua fuga se torne impraticável.
A caça como trabalho do Mishcan. A Guemará (Shabat 106a-106b) relaciona o trabalho de tzeidá à captura do tachash e de outros animais cujas peles eram usadas nas cobertas do Mishcan. Por isso, a definição halachica de "captura" segue o modelo prático da própria construção: um animal só se considera capturado, no sentido pleno da melachá, quando é confinado em um espaço do qual não pode escapar com facilidade — seja uma gaiola para um pássaro pequeno e ágil, seja uma casa, um pátio ou um cercado para um animal maior como o cervo. A disputa entre Rabi Yehudá e os sábios, e a precisão adicional de Rabán Shimon ben Gamliel, giram em torno de quão amplo pode ser esse espaço de confinamento e ainda assim contar como captura completa.
Como o Rambam codifica a lei da captura e do princípio de mechusar tzeidá, decidindo como Rabán Shimon ben Gamliel, em Hilchot Shabat, capítulo dez.
O critério de "mechusar tzeidá": um lugar pequeno é já captura. O Rambam decide como Rabán Shimon ben Gamliel — que não todos os cercados são iguais — e explica o critério prático para distinguir um "lugar pequeno", onde o confinamento já configura captura completa, de um "lugar grande", onde a captura ainda não está completa. O teste é físico: se um perseguidor, correndo dentro do espaço, consegue alcançar o animal com uma única inclinação do corpo (ou se as paredes são próximas o suficiente para que as sombras de ambas se encontrem no centro), o espaço é pequeno e o animal já está capturado; caso contrário, ainda falta um ato de captura, e quem o introduziu nesse espaço maior é isento.
Os comentadores explicam a diferença entre a gaiola do pássaro e a casa do cervo, e por que a halachá segue Rabán Shimon ben Gamliel.
"Rabi Yehudá diz: aquele que caça um pássaro para a gaiola e um cervo para a casa é responsável etc." — o beivar é um lugar no qual se introduzem as aves e os animais. E a norma prática segue os sábios, conforme explicado por Rabán Shimon ben Gamliel.
"Aquele que caça um pássaro" — só é responsável quando o introduz numa gaiola de madeira (armário, em francês antigo), pois esta é a sua captura completa; mas se o introduziu numa casa, não está capturado por isso, pois pode escapar por janelas.
"E um cervo" — está capturado desde que o introduza numa casa e feche a porta diante dele; mas se o introduziu num jardim ou num pátio, isto não é captura.
"E para os cercados" — recintos murados nos quais se introduzem animais e são ali guardados.
"Todo aquele a quem falta captura" — porque é difícil apanhá-lo ali, como quando não se consegue alcançá-lo com uma única inclinação do corpo ao abaixar-se para agarrá-lo. E a norma prática segue Rabán Shimon ben Gamliel.
"Nossa mishná: aquele que caça um pássaro" — só é responsável quando o introduz numa gaiola (meshtir, em francês antigo), pois esta é a sua captura; mas se o introduziu numa casa, não está capturado por isso, pois ele sai por meio das janelas.
"E um cervo" — está capturado desde que o introduza em sua casa e feche a porta diante dele; mas se o introduziu num jardim ou num pátio, isto não é captura.
"Aquele a quem falta captura" — porque é difícil apanhá-lo ali, conforme se explica na Guemará.
O tamanho do espaço determina se a captura já ocorreu. Esta mishná ensina que "capturar" não é apenas confinar um animal fisicamente, mas confiná-lo de modo que sua fuga se torne praticamente impossível — critério que varia conforme a espécie (um pássaro precisa de uma gaiola pequena; um cervo, de uma casa inteira) e conforme o tamanho do cercado. A mishná seguinte aplicará este mesmo princípio a um caso concreto: o cervo que entra sozinho numa casa, e a responsabilidade de quem fecha a porta atrás dele.