A medida mínima de responsabilidade de quem branqueia a lã, e de quem a carda, e de quem a tinge, e de quem a fia — cada um destes quatro trabalhos — é o quanto seja a largura de um sit dobrado — ou seja, o comprimento de fio que se poderia fiar daquela quantidade de lã deve equivaler ao dobro da largura de um sit, uma medida de mão aberta. E aquele que tece dois fios, sua medida é a largura de um sit — apenas um sit, sem dobrar, pois na tecelagem, ao contrário dos quatro trabalhos anteriores, dois fios já bastam para configurar o trabalho completo.
Esta mishná fecha a série dos trabalhos ligados à confecção de fios e tecidos — iniciada nas mishnayot anteriores com o tecer e o costurar — estabelecendo a medida mínima de responsabilidade para branquear, cardar, tingir e fiar a lã, e para tecer. O sit é uma medida de distância entre dedos da mão, usada como referência prática para o comprimento mínimo de fio que torna esses trabalhos halachicamente significativos.
Por que o trabalho têxtil recebe medida mínima específica. O trabalho de fiar e tecer estava entre as ocupações realizadas na construção do Mishcan — a tenda das cortinas de lã tingida e fiada, tecida com fios de techelet, argamán e tolaat shani. Por isso, a Guemará (Shabat 105b-106a) discute com precisão qual é a quantidade mínima de fio que configura uma transgressão plena desses trabalhos: não qualquer manuseio da lã é proibido no nível de responsabilidade por oferenda, mas apenas quando o resultado alcança um comprimento de fio equivalente à largura de um sit, dobrada para os quatro primeiros trabalhos, e simples para o tecer.
Como o Rambam codifica as medidas de branquear, cardar, tingir, fiar e tecer, em Hilchot Shabat, capítulo nove.
A tradução do "sit" em tefachim. O Rambam converte a medida mishnaica do sit — uma distância entre dedos — para a medida mais precisa de quatro tefachim (palmos), aplicando-a uniformemente aos quatro trabalhos de branquear, cardar, tingir e fiar. Já para o tecer, por ser um trabalho de resultado mais imediato — bastam dois fios entrelaçados para configurar tecido —, a medida de responsabilidade é menor, correspondente a apenas um sit e não ao dobro, refletindo a diferença qualitativa entre preparar o fio e efetivamente entrelaçá-lo.
Os comentadores explicam a medida do sit dobrado e como ela se determina na prática entre os dedos da mão.
"A medida de quem branqueia, carda, tinge e fia etc." — a largura de um sit é um sexto do zeret (a distância entre o polegar e o mindinho), e esta é a medida que me parece mais próxima da correta, entre as que vi na explicação do sit — conforme já expliquei no capítulo três do tratado Orlá; e a largura do sit dobrado equivale ao dobro de um terço do zeret. E vi também no Gaon que ele é a distância entre o polegar e o indicador, quando a pessoa abre a mão o quanto pode. E quando alguém branqueia da lã, ou a carda, ou a tinge, na medida em que se poderia fiar dela um fio cujo comprimento seja a largura do sit dobrado, ele é responsável.
"Quem branqueia" a lã — e quem a carda, e quem a tinge, e quem fia a partir dela, sendo todos estes trabalhos-principais — sua medida é o suficiente para que se fie daquela lã um fio comprido, do tamanho da largura de um sit dobrado. E o sit é a distância que há entre o polegar (amá) e o indicador, tudo o que a pessoa possa abrir; e o dobro desta distância é o sit dobrado. E a distância entre o polegar e o indicador, uma única vez, também equivale à largura do sit dobrado, pois nela há o dobro daquela que há entre o polegar e o indicador.
"Quem tece dois fios" — sua medida, ao longo da largura da veste, é o quanto seja um sit; pois, embora não os tenha tecido por toda a largura da veste, ele é responsável.
"Rav Yosef demonstrava dobrado" — este "sit dobrado" da mishná é literalmente dobrado, medindo-se o pequeno intervalo entre o dedo indicador e o polegar duas vezes seguidas. "Demonstrava simples" — no intervalo entre o polegar e o indicador, uma única vez, já se encontra a medida do sit dobrado da mishná, pois nele há o dobro do que há entre o polegar e o indicador contíguo.
Duas formas práticas de medir a mesma quantidade. A discussão entre Rav Yosef e Rav Chiya bar Ami sobre como demonstrar fisicamente a medida do sit dobrado — dobrando um pequeno intervalo duas vezes, ou usando diretamente um intervalo maior entre os dedos — ilustra como os sábios buscavam formas concretas e verificáveis de transmitir medidas halachicas que, de outro modo, permaneceriam abstratas. Com esta mishná encerra-se a série dos trabalhos relacionados a fios e tecidos; a mishná seguinte muda de assunto, voltando-se para as leis de caça de animais no Shabat.