Aquele que faz duas laçadas de tear — ou seja, prende dois fios da urdidura — nos liços de um tear, na urdideira, uma faixa tecida de fibra de palmeira usada para separar os fios, na peneira, no crivo e no cesto — quando são tramados de modo semelhante ao tear — é responsável. E aquele que costura dois pontos no Shabat é responsável, e aquele que rasga a fim de costurar dois pontos — isto é, rasga um tecido com a intenção de depois recosturá-lo com dois pontos — também é responsável.
A mishná estende a categoria de tecelagem a trabalhos correlatos que compartilham a mesma estrutura técnica — entrelaçar ou prender fios em pares — mesmo quando realizados fora do tear propriamente dito, como na confecção de peneiras e cestos. Em seguida, apresenta a categoria de costurar, que a Guemará também deriva das cortinas do Mishcan.
De onde deriva a costura. A Guemará (Shabat 74b-75a) explica que as cortinas do Mishcan, quando se rasgavam ou se sujavam, eram costuradas e remendadas por artesãos — daí a categoria de tofer, costurar, ser contada entre as trinta e nove categorias principais. E, correspondentemente, rasgar (korea) com a intenção de recosturar também é considerado um trabalho construtivo, pois é etapa necessária do reparo do tecido, tal como se discutirá na mishná seguinte.
Como o Rambam codifica as leis de laçadas de tear e costura, em Hilchot Shabat, capítulos nove e dez.
A condição do nó. O Rambam esclarece um detalhe técnico importante: com apenas dois pontos, a costura só é considerada firme e duradoura se as pontas do fio forem atadas; sem o nó, dois pontos soltos poderiam se desfazer facilmente. Já a partir de três pontos, a própria trama do tecido segura o fio, tornando o nó desnecessário para a validade halachica do trabalho.
Os comentadores explicam os termos técnicos da mishná — liços, urdideira, peneira, crivo e cesto — e a estrutura da costura de dois pontos.
"Aquele que faz duas laçadas de tear nos liços etc." — Nirin é o liço, e já o explicamos no sétimo capítulo. E keiros é uma faixa tecida de fibra de palmeira. A peneira é conhecida, e assim também o crivo. E mencionou aqui estas coisas pela via de dar as medidas, ao passo que as mencionou no capítulo "Regra Geral" pela via de enumerar as categorias principais de trabalho.
"Duas laçadas de tear" — que colocou dois fios da urdidura no liço.
"Nos liços" — a Guemará explica que ele conecta duas vezes cada fio da urdidura ao liço, e na terceira vez o conecta sobre o fio já conectado à haste.
"Na urdideira" — uma faixa tecida a partir de fibra de tamareira.
"'Que a fez como uma bolsa'" — Rashi explica a razão técnica pela qual, às vezes, é preciso rasgar um tecido antes de costurá-lo: quando o tecido vai se dobrando de modo que a veste não fica uniforme, formando um saliência em forma de bolsa, é necessário rasgar a veste por baixo e ajeitá-la à frente, e então a costura se acomoda corretamente.
A conexão entre as duas partes da mishná. A justaposição de "laçadas de tear" com "costura" e "rasgar para costurar" não é incidental: ambas as categorias compartilham a estrutura de um trabalho cuja medida mínima é definida pela repetição de um ato simples — duas vezes — de modo a criar algo estável e duradouro. A mishná seguinte continuará o tema de rasgar, distinguindo entre o rasgo construtivo (para costurar) e o rasgo destrutivo (por raiva ou luto).