Aquele que lança um objeto e se lembra — que é Shabat e que está transgredindo, tendo lançado por esquecimento — depois que o objeto já saiu de sua mão — mas antes de pousar em seu destino — se outro o apanhou, ou um cão o apanhou, ou foi queimado no ar antes de pousar, está isento — pois, embora o início da ação — o arrancar o objeto do lugar de origem — tenha sido por esquecimento genuíno, o pouso, que completa a transgressão, nunca ocorreu da forma exigida: foi interceptado por outro agente ou destruído antes de se consumar como pouso pleno. E do mesmo modo, aquele que lançou uma pedra para ferir uma pessoa ou um animal — e por isso seria responsável por uma oferenda pelo pecado, caso o ferimento se consumasse por esquecimento — e se lembrou antes que o ferimento se consumasse, está isento. Este é o princípio: todos os responsáveis por trazer oferendas pelo pecado só o são quando o início de sua ação e o fim dela são por esquecimento — ou seja, a pessoa deve permanecer inconsciente da transgressão do início ao fim do ato; se ela se lembra no meio do processo, mesmo que o ato se complete fisicamente depois, falta a condição plena para a responsabilidade por oferenda.
Esta última mishná do capítulo não trata diretamente das leis de domínio, mas fecha o assunto do lançamento com um princípio geral sobre a responsabilidade por oferenda pelo pecado: a exigência de que o esquecimento persista do início ao fim da ação.
Por que a lembrança no meio da ação isenta. A Torá exige, para a responsabilidade por trazer uma oferenda pelo pecado, que a transgressão tenha sido cometida por shegagah — esquecimento genuíno. A tradição oral esclarece que esse esquecimento deve caracterizar toda a ação, do início ao fim: se a pessoa se torna consciente de que está transgredindo em algum ponto entre o início do ato (como o arrancar do objeto para lançá-lo) e sua conclusão (o pouso do objeto, ou a consumação do ferimento), falta a condição de "esquecimento pleno", e ela fica isenta da oferenda — mesmo que o resultado físico da transgressão ainda se complete por conta própria.
Como o Rambam codifica o princípio de que o início e o fim da transgressão devem ser por esquecimento, usando exatamente o exemplo do transporte no Shabat, em Hilchot Shegagot, capítulo dois.
Por que o Rambam escolhe justamente este exemplo. É notável que o Rambam, ao codificar o princípio geral de que o início e o fim de toda transgressão devem ser por esquecimento, escolha precisamente o exemplo do transporte no Shabat — o mesmo tema central deste capítulo da Mishná. Isso demonstra como a última mishná do Perek Yud Alef não é um apêndice desconectado, mas a aplicação natural, ao caso específico do lançamento, de um princípio que rege toda a estrutura da responsabilidade penal por transgressões inadvertidas na Torá.
Os comentadores esclarecem a estrutura lógica da mishná e por que "dois que a fizeram" — o lançador e quem apanhou o objeto — resultam em isenção para ambos.
"Aquele que lança e se lembra depois que já saiu de sua mão, se outro o apanhou etc." — Quando você examinar com precisão a linguagem desta mishná, encontrará nela uma dificuldade. Pois ele disse que, quando se lembrou que é proibido, e depois disso outro apanhou aquele objeto que lançou, está isento; e se outro não o apanhou, mas caiu no chão, seria responsável — e isso depois de já ter se lembrado. E em seguida disse: todos os responsáveis por oferendas pelo pecado só o são quando o início e o fim são por esquecimento.
E a Guemará esclareceu assim: aquele que lança e se lembra depois que já saiu de sua mão, ou não se lembrou, mas outro o apanhou, ou um cão o apanhou, ou foi queimado, está isento. Mas se pousou normalmente, sem interceptação, é responsável por oferenda. Em que caso se disse isto? Quando a pessoa voltou a esquecer depois de momentaneamente se lembrar; mas se não voltou a esquecer, está isento, pois todos os responsáveis por oferendas pelo pecado só o são quando o início e o fim de sua ação são por esquecimento.
"Aquele que lança" — no Shabat por esquecimento, e se lembrou que é Shabat depois que a pedra saiu de sua mão, antes de pousar; mesmo que outro não a tenha apanhado, mas ela pousou normalmente, está isento, pois assim ensinaremos adiante: até que o início e o fim sejam por esquecimento. E este é um caso de início por esquecimento e fim deliberado, já que se lembrou que é Shabat antes que a pedra pousasse.
E nossa mishná se explica assim: aquele que lança e se lembra depois que a pedra saiu de sua mão — ou também não se lembrou, mas outro a apanhou etc. — está isento, pois seriam dois que a realizaram, e ambos ficam isentos. Mas se pousou sem interceptação, é responsável por oferenda. Em que caso se disse isto? Quando a pessoa voltou a esquecer; mas se não voltou a esquecer, está isento, pois todos os responsáveis por oferendas etc.
"Este é o princípio" — vem incluir também aquele que transfere um objeto de um lugar a outro: se arrancou por esquecimento e se lembrou que é Shabat antes de pousar, está isento.
"Nossa mishná: 'aquele que lança'" — a Guemará abre a análise da mishná esclarecendo cada termo — por esquecimento.
"E se lembrou" — que é Shabat.
"Depois que já saiu" — a pedra de sua mão, e antes que pousasse.
"Outro a apanhou" — ocorre à mente, neste ponto da análise, que depois que este se lembrou, outro a apanhou, e assim seriam dois que a realizaram juntos, cada um responsável apenas por parte da ação, o que gera isenção para ambos — como quando o segundo se moveu de seu lugar e a recebeu, ou quando um cão a apanhou em sua boca — pois isso não constitui um pouso válido, já que exigimos um lugar de quatro tefachim, ou então é lugar isento por natureza, como a boca de um cão em movimento.
Encerrando o Perek Yud Alef. Com esta mishná se fecha o décimo primeiro capítulo do tratado de Shabat — dedicado, do início ao fim, à categoria de lançar (zerikah) e passar de mão em mão (hoshatah) entre os diferentes domínios: o lançamento direto entre domínio privado e público (11:1), o caso das duas sacadas e a fonte no serviço dos levitas (11:2), o lançamento contra uma parede e a questão do objeto que rola (11:3), o baixio de água que assume status de domínio público (11:4), o transporte entre o mar e embarcações (11:5) e, por fim, o princípio geral de que toda responsabilidade por oferenda exige esquecimento do início ao fim (11:6). O Perek Yud Bet, a seguir, continuará a explorar as categorias de trabalho proibido no Shabat.